TannhauserArte de Andreas Rocha – Blade Runner, 2011

Com tantos textos envolvendo o universo Cyberpunk, era no mínimo lógico separarmos tudo. Aqui, nós não tentaremos desvendar a verdade ou expor os escrúpulos tecnocratas da embestializada humanidade, mas sim tentar entender, com a ficção ou não, o que está acontecendo e se, realmente, tudo aquilo que os livros, filmes, desenhos, HQs ou o que seja está, de fato, tão longe assim da realidade.

Afinal, nós vimos coisas que vocês não acreditariam. E no Portão de Tannhauser vocês terão a chance de usufruir de nossas experiências, relatadas da escuridão com resenhas e análises de um tema assustador. Esperemos que estes textos não se percam no tempo, como lágrimas na chuva.

Hora de ler.

Conectado no Movimento CyberpunkMovimento Cyberpunk

Pois bem, em 1983 o termo “cyberpunk” seria criado por Bruce Bethke e popularizado por Gardner Dozois para identificar este novo ramo da Ficção Científica que encarava o futuro da humanidade de modo extremamente pessimista, com grandes cidades super povoadas, poluição de todos os tipos, doenças diferentes, drogas diferentes – mais poderosas e amplamente distribuídas, mundo em que a ciência e tecnologia de ponta seria capaz de fazer verdadeiros milagres como a realidade virtual plena, a Inteligência artificial, ao mesmo tempo que seria uma faca de dois gumes ao produzir novos tipos de viciados, technautas presos ao cyberespaço e à imaterialidade do mundo virtual. […] Leia mais

O outro mundo de sempreO outro mundo de sempre

A Ficção Científica utilizava a Ciência para tentar explicar o imaginário que, em não poucas vezes, a Fantasia povoava. De olho no futuro, era este modo particular de narrar que estimulava não só a imaginação, como também o racionalismo lógico da mente humana. Por suas obras, teorizava-se e lançavam-se homens à Lua mais de 80 anos antes de efetivamente fazê-lo. A ficção científica tornou-se um guia de conquista da humanidade. Diferentemente da Fantasia, a Ficção Científica é um gênero do devir, do vir a ser. […] Leia mais

Blade RunnerOs Blade Runners e a Cibernética Indiscriminada

Um bom dicionário definiria a cibernética como o estudo da comunicação e controle das máquinas, grupos sociais e seres vivos. Ultimamente, o estudo das máquinas autônomas tem delegado um sentido à cibernética, dentro da ciência, que se assemelha às conceituações notificadas em literatura ou cinema de ficção científica; neste tipo de visão, a cibernética é não só a relação, como a junção dos aspectos homem-máquina, gerando figuras conhecidas do “panteão” da ficção, como andróides e ciborgues. […] Leia mais

Blade Runner - Aquarelle Edition

Virtualidade Real do Cibermundo: sobre a Bomba Informática

O livro A Bomba Informática consiste numa coletânea de ensaios acerca da guerra da informação publicados na imprensa entre 1996 e 1998. Nele, Virilio demonstra a formação da aldeia global mcluhaniana a partir da “mundialização” (um nome mais propício à globalização, segundo o autor) e da Web. Crítico ferrenho da cultura de massas, usando exemplos reais, análises de discursos e atos de dirigentes das nações e do mundo (em especial os Estados Unidos), Virilio apresenta o estreitamento das dimensões geográficas entre países e temporais entre gerações pela digitalização do mundo na guerra informacional. […] Leia mais

MetropolisMetrópolis – メトロポリス

Chocado. Atordoado. Estarrecido, pasmo, é pouco. Assisti há pouco – e admito, com um atraso vergonhoso – a animação japonesa Metropolis (メトロポリス) de 2001, baseado na obra de Osamu Tezuka que já contava, mesmo tendo sido escrito há mais de 50 anos, uma visão futurista da humanidade. O fã de ficção científica que adorou Blade Runner por sua visão extremamente destrutiva da sociedade do futuro, ou mesmo o fã de animação (e nesta categoria incluo a produzida nos mais diversos países, desde “As Bicicletas de Belleville”, francês, até o próprio Metropolis aqui) que aprecia este tipo bastante particular de entretenimento com certeza já viu Metropolis, caso contrário, está perdendo tempo, meu filho. […] Leia mais

Movimento Cyberpunk

Mais humanos que os humanos

Não tão simples quanto parece. Ou talvez tão implícito, simbólico e terrível como realmente parece aos olhos mais atentos. Os fanáticos reconhecerão o velha lema da Tyrell Corporation, de Blade Runner, renomado longa-metragem de Ridley Scott e baseado no romance Do Androids Dream of Eletric Sheep, de Phillip K. Dick. Entretanto, o que isto significa? Ser “mais humano que os humanos” é um lema no mínimo capcioso; talvez a busca pela perfeição genética. […] Leia mais

Ghost in the ShellMúsica no Ciberespaço

Antes de mais nada, você deveria assistir ou ler Ghost in The Shell (攻殻機動隊). Não é dica, não é sugestão, é obrigação. O mangá infelizmente não tem tradução para o português, todavia, quem é brazuca e ainda não assistiu a animação cujo título nas terras de cá é “O Fantasma do Futuro” (1995, Flashstar) deveria arder no fogo do inferno de tanta vergonha. Sem brincadeira. Logo, o vídeo logo abaixo é dedicado não apenas aos já conhecedores desta obra memorável de Shirow Masamune e Mamoru Oshii como também aos culturalmente mutilados. Aproveitem. […] Leia mais

Blade RunnerBlade Runner

“Viva nas colônias” diz o dirigível, pois a Terra que todos conhecemos já era. Literalmente. Meio ambiente. Fauna. Moralidade. Tudo perdeu o sentido. Este é o futuro distópico de Blade Runner, obra máxima de Ridley Scott de 1982 e que certamente ditou o imaginário e imagética que temos do nosso presente. Cidades super populosas, problemas ambientais sem fim, poluição do ar, poluição dos sons, poluição dos sinais… Como bem começou o posterior Neuromancer (1984), de William Gibson, olhar para o céu é como ver uma televisão sintonizada em um canal fora do ar. Tudo parece fora do ar. […] Leia mais

Blade Runner

O ano é 2019

Foi imensa a surpresa ter assistido ao vídeo após tanto tempo e tão longe do Brasil e dos meus dvds e livros cyberpunk. Se no Japão o contato entre homem e tecnologia ultrapassa infinitamente as barreiras do imaginável e do inimaginável, foi caminhando pelas ruas aqui ouvindo a trilha sonora de Vangelis que descobri que o sonho hiper-futurista de P.K. Dick não morreu. Ainda. […] Leia mais

30 anos de Blade RunnerBlade Runner em Aquarela

Essa foi a mais bela novidade da semana. Com mais de 3.000 aquarelas (óbvio, todas pintadas individualmente), o sueco Anders Ramsel começou o ambicioso projeto de transportar para a animação um dos meus filmes prediletos, Blade Runner. Usando o áudio original do filme, suas aquarelas tocam fundo nos corações dos fãs mais ardorosos, dado o impressionante resultado. […] Leia mais

CyberpunkCódigo de Acesso Inválido

Tendo escrito Neuromancer em 1984 numa máquina de escrever tradicional e com uma absurda incompreensão de computadores na época, Gibson previu um mundo novo de tecnologias até então não imaginadas. Philip K. Dick discutia o estatuto da humanidade colocando homens cara a cara com máquinas que se parecem, agem, respiram, comem, dormem e fazem sexo como homens. Já com o mundo de Gibson você poderia facilmente se viciar no ciberespaço, sentir prazer e dor por algo que não existe ou então até mesmo morrer por algo de mentira. […] Leia mais

CyberpunkExperenciando Metafísica na Literatura de Philip K. Dick: muito além de um caçador de andróides

Eu era criança quando vi pela primeira vez o filme Blade Runner, magistralmente dirigido por Ridley Scott. Na época fiquei tão fascinado por aquela coisa toda de andróides, um caçador destes andróides, uma cidade onde chovia o tempo todo, um clima sombrio e meio triste e a mais bela sensação de estar assistindo uma verdadeira e pura ficção científica. Pensava: “Puxa, deve ser legal ser um caçador de andróides!” Mas o tempo realmente passa e essas percepções vão se alterando sutilmente. […] Leia mais

Cyberpunk 3Como chora na chuva, esse Roy Batty

Pois bem, como já diz o pessoal do Nerdcast, Rutger Hauer é um ator que sabe escolher bem o papel. O cara me faz um filme e pronto, está imortalizado para todo o sempre por, num ato emo, chorar na chuva. E segurando uma pomba. Brincadeiras à parte, deixamos desta vez um vídeo memorável do nosso querido replicante Roy Batty (chorando na chuva), em sua melhor fala (de improviso e chorando na chuva) no melhor filme de Ficção Científica de todos os tempos, Blade Runner. […] Leia mais

Tron 2Tron

Na segunda semana de dezembro de 2010 rapidamente procurei pelo Tron original (1982), não apenas para me preparar para a continuação mas, verdade seja dita, porque não lembrava nada daquela versão. Tron para mim se resumia ao imaginário da matriz, do ciberespaço, muito néon, motocicletas modernas que faziam curvas de 90 graus e confrontos ridículos à la Gladiador com um frisbee muito, mas muito safado. Contudo, por que assistir a Tron e o que coloca essa película no rol de uma das mais importantes produções cinematográficas dos últimos anos? […] Leia mais

Ghost in the Shell

Ghost in the Shell

Criado em mangá pelo japonês Shirow Masamune em 1989, Ghost in the Shell (ou 攻殻機動隊 Kōkaku Kidōtai no original) narra as missões da Comissão Nacional de Segurança Pública, divisão do governo japonês no futuro que lida especialmente com crimes tecnológicos. Conhecida mais como Seção 9, a equipe chefiada pelo carrancudo Daisuke Aramaki e liderada pela Major Motoko Kusanagi enfrenta diariamente as transgressões no ciberespaço surgidas com o avanço da tecnologia. […] Leia mais

Ghost in the Shell 2.0Ghost in the Shell 2.0

Como já comentei em outra oportunidade aqui no Ao Sugo (aliás, artigo obrigatório se você quer continuar lendo este aqui), Ghost in the Shell chegou ao mundo pelo traço extremamente habilidoso do mangaka Shirow Masamune em 1989, narrando as atividades da Seção Especial 9 contra crimes tecnológicos… aham, tudo o que as atuais agências federais de policiamento e investigação gostariam de ser e não conseguem nem por mágica. E nisso Ghost in the Shell se diferencia um pouco da premissa original “punk” do Cyberpunk. […] Leia mais

Movimento CyberpunkO Futuro do futuro

Bad Romance de Lady Gaga começa a tocar. Acordo, bêbada de sono. Detesto levantar cedo, sempre detestei. Acendo a luz vermelha pendurada no teto, pego a embalagem hermética de ovos e começo a preparar um omelete caprichado como café da manhã. Coloco água para ferver no fogareiro à carbureto e aproveito para rever o planejamento do dia. Desenrolo a tela-filme de oLED1 e fico analisando o tracklog2 do dia: daqui pra frente será somente com minhas próprias pernas. Também aproveito para dar uma olhada no contator Geyger pela tela. Verifico se foram carregados os aparelhos pela capa externa da barraca que também é uma célula solar: está uma lua linda hoje, achei que daria alguma carga de energia. A água ferve e preparo meu café com calma. […] Leia mais

True SkinNão contratamos naturais

Senhoras e senhores, bem vindo ao futuro. Hoje trago para vocês um curta metragem no meio espírito blade-runneriano que está explodindo lá fora, causando um hype impressionante em sites voltados para Ficção Científica e tudo mais. True Skin foi dirigido por Stephan Zlotescu e teve em instantes mais de 230.000 visualizações. Como informou a Wired, a equipe de produção já está sendo contatada por estúdios cinematográficos. O filme tem apenas 6 minutos e consegui condensar vários elementos INDISPENSÁVEIS para pensarmos na forma como a Ficção Científica vem moldando o mundo. Duvida? […] Leia mais

MatrixThe Matrix

No ano de 1999, heróis de ação no cinema tiveram uma mudança repentina acompanhada de couro e óculos escuros que mostrava que, efetivamente, o século 20 estava em seu final. The Matrix chegava aos cinemas e poderia não se importar menos com os espiões, caubóis e exércitos-de-um-homem-só que o gênero já estava cansado de ver. […] Leia mais

O Exterminador do FuturoO Exterminador do Futuro

O tempo é fluido. As águas da eternidade se fecham – e a passagem não pode ser completada. O presente e futuro são, por um momento, unidos. E o Inimigo, metade hoje, metade amanhã, está preso no torvelinho”… No episódio Soldier de A Quinta Dimensão o genial escritorHarlan Ellison presentou o mundo com uma das histórias mais interessantes da Ficção Científica. Dois soldados do século 38 em batalha feroz são repentinamente atirados para a Terra de 1964. Presos neste vórtice temporal, continuam a luta por suas ideologias do futuro. […] Leia mais

TransistorTransistor

Transistor é um jogo Indie que, talvez por ser Indie, não precisa se ver refém dessa lógica-mercado-lógica dos objetivos arroz-feijão. Você começa a aventura sem saber seu nome, onde está, o que está fazendo, o que deve fazer, a não ser ser surpreendido por uma arte exuberante e uma trilha sonora primorosa. Sério, não estou brincando. […] Leia mais