O Exterminador do Futuro

Não percam neste sábado 20/07/2013 a próxima sessão do Cineclube Sci Fi com O Exterminador do Futuro! Saiba como participar clicando aqui.

Los Angeles, 2029. As máquinas se levantam das cinzas do fogo nuclear. A sua guerra para exterminar a humanidade já dura décadas. Mas a batalha final não será no futuro, mas será lutada no nosso presente… esta noite. E assim começa outro clássico da Ficção Científica no cinema, O Exterminador do Futuro (1984). Padawans, Cavaleiros e Mestres Jedi e Lordes Sith, se quiserem viver, venham comigo.

O tempo é fluido. As águas da eternidade se fecham – e a passagem não pode ser completada. O presente e futuro são, por um momento, unidos. E o Inimigo, metade hoje, metade amanhã, está preso no torvelinho”… No episódio Soldier de A Quinta Dimensãoi o genial escritor Harlan Ellison presentou o mundo com uma das histórias mais interessantes da Ficção Científica. Dois soldados do século 38 em batalha feroz são repentinamente atirados para a Terra de 1964. Presos neste vórtice temporal, continuam a luta por suas ideologias do futuro.

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Com um tema tão característico da produção Pulpii, Soldier foi fonte de inspiraçãoiii para o roteiro de O Exterminador do Futuro, de James Cameron e sua esposa na época, Gale Anne Hurd. Num futuro distópico pós-apocalíptico os humanos estariam lutando a duras penas contra as máquinas, em batalhas incessantes pela retomada do planeta. Aham, você leu direitinho: a humanidade do futuro foi subjugada pela sua própria criação. Criador versus criação, hein, hein, prato cheio para a Ficção Científica, não?

Para eliminar de vez a espécie humana, as máquinas do futuro enviaram um Exterminador para o passado, articulando um mega plano elaborado por uma Inteligência Artificial chamada Skynet. Objetivo: eliminar Sarah Connor (Linda Hamilton), mãe do criador e principal líder da resistência humana de 2029. Usando uma máquina de transporte temporal, 1984 é brindada com a chegada do Modelo Infiltrador 101 (Arnold Schwarzenegger), um ciborgue musculoso à la Conan, O Bárbaro e recoberto em pele humana para se infiltrar na sociedade.

O Exterminador do Futuro

Sabendo do temível plano da Skynet a resistência humana envia ao passado o Sargento Tech-Com DN38416 Kyle Reese (Michael Biehn), designado pelo próprio John Connor para proteger sua mãe. Tendo eliminado outras duas mulheres de nomes parecidos (Sarah Ann Connor e Sarah Louise Connor), a própria polícia de Los Angeles se vê envolvida na batalha cibernética, sob auspícios do Tenente Ed Traxler (Paul Winfield) e do detetive Hal Vukovitch (Lance Henrikseniv). A perseguição toda e o desenlace do filme, bem, você é bem esperto e vai assistir, certo? No spoilers for you.

O Exterminador do Futuro traz como tema principal o confronto entre Homem e Máquina, ou então Criador e Criação/Criatura, mote muito bem discutido na Ficção Científica, obrigado. Apesar do filme não apresentar nenhuma discussão detida sobre a questão, sabemos desde o primeiro segundo que o uso irrefletido da tecnologia pode resultar num problema sem precedentes. A “lição de moral” é que o desenvolvimento científico e o “progresso pelo progresso” podem trazer benefícios a curto prazo, porém geram contingências alarmantes num futuro distante.

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Bastião da Ficção Científica Cyberpunk (e todas as outras variantes punk do gênero), estes temas muito infelizmente não são debatidos na sociedade mais ampla. As pesquisas sobre tecnologias de Inteligência Artificial continuam em desenvolvimento sem nenhuma consciência crítica, tecnologias de reprodução, clonagem e engenharia genética passam aprovadas em vários e vários governos sem a devida reflexão… Sem contar que deixamos as questões fundamentais sobre Ética nas mãos de pessoas pouco qualificadas para o assunto. Enquanto a Filosofia e as Ciências Humanas se debruçam sobre este problema há séculos, deixamos nas mãos de médicos, biólogos, engenheiros e políticos a discussão sobre o futuro da humanidade. Isso vai dar errado.

O Exterminador do Futuro é considerado um dos melhores filmes de Ficção Científica já feitos, apesar de todas as críticas. Produzido com um ínfimo orçamento, US$ 6,4 milhões, Terminator rendeu quase US$ 79 milhões e inúmeros fãs pelo globo. Além da influência de Soldier, Cameron e Hurd também se inspiraram em outra obra de Harlan Ellison, I Have No Mouth and I Must Scream (1967), um conto pós-apocalíptico vencedor do Prêmio Hugo que também serviu de base para criar a ambientação de Terminator. Tal ambientação não foi plenamente explorada no filme por conta do limitado orçamento, algo que é visível inclusive nas cenas que mostram a Terra em 2029, com o uso de maquetes e flashbacks sugestivos, porém sem profundidade. O mote seria retomado com sucesso na continuação, O Exterminador do Futuro II, filme que está entre os meus preferidos.

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Sobre influências cinematográficas, não podemos deixar de citar Metropolis (1927), Westworld (1973), Mad Max (1979) e Blade Runner (1982), não só pela temática como também pela proximidade do estilo de narrativa. O jeitão de do Modelo 101 de Schwarzenegger, posteriormente nomeado como T-800, segue algumas premissas de Alien – O Oitavo Passageiro (1979), seja pela busca frenética, seja pela maneira impiedosa em como lida com os obstáculos de sua jornadav. Com uma produção restrita da Hemdale Film Corporation, O Exterminador do Futuro foi responsável por lançar James Cameron enquanto um dos diretores mais bem sucedidos de Hollywood, além de firmar a presença de Schwarzenegger como figura carismática e também de brucutu dos anos 80, para parafrasear a expressão do Nerdcast.

O estilo de O Exterminador do Futuro da caçada-implacável-caçado-caçador-num-futuro-distópico influenciou tantas outras produções dos anos seguintes, como Cyborg (1989), Soldado Universal (1992), O Demolidor (1993), Timecop (1994), Os Doze Macacos (1995), Juiz Dredd (1995) e, lógico, Robocop (1987). Preciso continuar?

Termino a minha breve análise por aqui e espero que gostem do filme. Contudo, espero que gastem seus neurônios na reflexão proposta pelo filme (e também por todos os demais filmes já apresentados aqui no Cineclube Sci Fi), afinal, Ficção Científica é coisa de gente grande. Para saber mais sobre a discussão crítica da Ficção Científica sobre os problemas que enfrentamos atualmente, recomendo fortemente que leiam a seção Portão de Tannhauser do Ao Sugo. Até a próxima ou, melhor, I’ll be back!

Victor Hugo, NEXUS 7

i Originalmente The Outer Limits, seriado televisivo narrado por Vic Perrin que trazia em cada episódio um conto de Fantasia, Ficção Científica e Horror. O seriado teve dois momentos (1963-1965 e 1995-2002), bastante similar ao Além da Imaginação, trazendo sempre atores famosos para participarem destas historietas arrepiantes e no mínimo geniais.

ii Se é que podemos chamar a produção de Ficção Científica, Fantasia e Horror daquele momento como “Produção Pulp”. Para os desavisados de plantão (e olha que são muitos), o gênero do fantástico ganhou terreno graças à publicação de contos ou novelas em folhetim em revistas baratas, as tais das Pulp Magazines. Ah, sim, Pulp por conta da folha de papel, confeccionada com a polpa da madeira, item mais barato que derrubava o preço destas publicações no chão… Acabei chamando tudo isso de “produção pulp” e não “literatura pulp” pois considero também os seriados televisivos inspirados nestas revistas, como Twilight Zone e The Outer Limits. Para quem quiser saber mais a respeito, convido-os a ficarem atentos no Ao Sugo nos próximos dias.

iii Assim que saiu The Terminator Harlan Ellison processou Cameron e a produtora Hemdale Film Corporation por plágio, dadas as semelhanças gritantes não só entre o roteiro, mas também com alguns elementos do episódio em si (vejam por si mesmos no vídeo). No final foi acertado que o nome de Ellison seria devidamente creditado no filme… pois é, nada se cria, tudo se copia…

iv Você sabia que Henriksen foi cotado para ser o Exterminador, assim como Michael Biehn e O.J. Simpson? Aham…

v Inclusive, não é à toa que James Cameron foi chamado para dirigir a continuação de Alien, sabia?

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

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