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Marcus Vinícius, Coruscant – Meu primeiro contato com Star Wars é bastante antigo. Eu devia ter uns cinco anos e, como nasci bem no ano em que estreou Episódio VI: O Retorno de Jedi, eu só consegui conhecer a saga pela primeira vez já na televisão. A primeira cena que vi foi, na realidade, de O Império Contra-ataca, aquela em que Yoda explica a Luke o que é a Força e de onde vem.

“(…) minha aliada é a Força; e uma aliada poderosa ela é. A vida a cria e a faz crescer. Sua energia nos rodeia e nos une. Seres luminosos somos nós, não esta matéria bruta. Você deve sentir a Força em torno de você. Aqui, entre você, eu, a árvore, a pedra; em toda parte.”

Talvez eu fosse ainda muito novo para entender na plenitude o que aquele pequeno personagem dizia; ele que, mesmo sendo um boneco manipulado pelo grande Frank Oz, tinha uma vivacidade que nenhum CG consegue captar.

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Antes de qualquer coisa, portanto, eu consegui enxergar Star Wars – à época, Guerra nas Estrelas, mesmo – por algo além de sabres-de-luz, caças espaciais e aventura. Como toda grande saga, ele estava tentando ensinar alguma coisa, transfigurada em sua própria linguagem.

Desde então, Star Wars tornou-se algo grande e relevante em minha vida. Desde pequeno, estive imerso nesse universo; consumindo seus produtos, é verdade, mas também ajudando a moldar o caráter. A clássica Jornada do Herói, estampada com todos os seus passos e repasses, está ali. E, nisso, não há nada de pecaminoso. É curioso como o nome do primeiro filme veio a tornar-se Uma Nova Esperança, porque é justamente essa a sensação que a saga nos passa a apresentar-se e desenvolver-se. Sempre há algo pelo que lutar: só precisamos descobrir o que e como iremos fazê-lo.

Assim como Luke Skywalker (até hoje o meu personagem favorito), treinei para entender como tornar-me uma pessoa melhor e mais completa; um treinamento que nem sempre todos entenderão. Envolverá decisões difíceis, e muitas vezes aqueles que nos rodeiam, não importa quão próximos, talvez nem entendam. O bem, contudo, não é uma tentação; é uma responsabilidade.

Toda essa construção de personalidade preocupou-se quando foram lançados os episódios I, II e III. Os filmes têm seus méritos e alguns bons personagens (Qui-Gon Jinn, estou olhando para você, cara), mas algo estava estranho. Como muitos fãs à época, frissons à parte, faltava aos filmes aquela sensação… Eles não pareciam Star Wars, de certo modo.

O tempo passou e a franquia parecia parada; acontecia alguma coisa ou outra, como quadrinhos, livros, desenhos e jogos, contudo, tudo levava a crer que talvez Star Wars estivesse realmente fadado a continuar na memória e no amor dos fãs. Até que veio a notícia da compra da Lucasfilm pela Disney e, ao contrário de muita gente, para mim foi uma notícia boa. E mesmo quando descobrimos que o Universo Expandido seria descartado de sua característica canônica para tornar-se lenda (o selo Legends, para ser mais exato), ainda mantive-me otimista.

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E chegou, finalmente, Episódio VII – The Force Awakens, ou O Despertar da Força; o otimismo foi bem recompensado. Há quem diga que o filme reaproveita muito da estrutura do cineclube sci fi e, em partes essas pessoas não estão erradas. Tem muita coisa bastante parecida: o líder distante, o jovem que recebe o chamado para a aventura e nega inicialmente, o velho tutor, a grande arma, a revelação de uma nova ameaça etc…

Mas isso não é ruim. Antes de qualquer coisa, O Despertar da Força é uma gigantesca homenagem ao que faz de Star Wars… Bem, Star Wars. Todos os elementos que fizeram com que amássemos os antigos filmes, lá atrás, quando crianças, estão de volta, e a sensação de que estamos vendo mais um capítulo da saga fica junto conosco o tempo inteiro. Assim como queríamos estar ao lado de R2D2, queremos a companhia de BB8. Da mesma forma que gostaríamos de estar juntos de Luke, Han, Leia, Chewie e todo mundo na Millenium Falcon, novamente queremos estar juntos de Rey, Finn, Poe, BB8, Han, Chewie dentro da… Millenium Falcon.

Sim, molecada, Star Wars é isso, mesmo
Sim, molecada, Star Wars é isso, mesmo

Aliás, o filme é cheio de fan-services o tempo inteiro. Das obviedades aos detalhes minuciosos que só os mais fanáticos pegarão, O Despertar da Força não poderia ter tido um nome mais apropositado. Dos alívios cômicos aos momentos de tensão, um velho admirador como eu passou todos os minutos de película emocionado. À nova geração, mais uma vez o que Star Wars traz são exemplos de caráter, personagens fortes – principalmente Rey, um exemplo de personagem feminina forte e independente, daqueles que as mulheres merecem tanto – e uma aventura para ficar na memória. Ao mesmo tempo, as teorias correm como loucas pelas mentes do pessoal sobre quem é quem ou o que ou como. E isso é uma coisa boa e faz o filme sobreviver.

Ao final das contas, O Despertar da Força é o Star Wars que queríamos e, mais que isso, que precisávamos tanto. Em tempos em que as histórias “boas” são as que necessariamente possuem reviravoltas, intrigas, incestos e assassinatos, alguém precisava chegar e falar que não tem nada de errado em ser simples. O que a Disney e J.J. Abrams entregaram foi um recado acriançado: “vai ficar tudo bem”.

E houve um despertar, vocês sentiram? Tudo bem ficou, realmente. A Força despertou de maneira gloriosa e lembrou-nos que somos, de fato, muito mais do que essa matéria bruta. E, assim como agora Han, Leia e Luke estão ensinando os novos passos a Rey, Poe e Finn, estamos também nós, o pessoal da velha guarda de fanáticos, trazendo às novas gerações os passos do que é Star Wars, a bordo da Millenium Falcon e com a Força ao nosso lado. “Chewie, estamos em casa”, diria Han Solo. Estamos, mesmo, Han. Estamos, mesmo.

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Estamos em casa

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2 comentários »

  1. Que texto incrível! Parabéns, mesmo pela vivacidade. Eu conheci o site hoje, e estou meio como quando o Luke ouve falar da Força pela primeira vez (espantado, maravilhado mas meio perdido).

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