Star Wars - The Empire Strikes Back

STAR WARS – EPISÓDIO V

O IMPÉRIO CONTRA-ATACA

É um período crítico para as Forças Rebeldes. Embora a Estrela da Morte tenha sido destruída, as Tropas Imperiais conseguem expulsar os Rebeldes de sua base secreta e os perseguem por toda a galáxia.

Fugindo da terrível Frota Imperial, um grupo de rebeldes chefiados por Luke Skywalker, estabelece uma nova base secreta no remoto mundo gelado de Hoth.

O senhor do mal Lord Darth Vader, obcecado pela ideia de encontrar o jovem Skywalker, enviou milhares de sondas remotas para os pontos mais longínquos do espaço….

Meus caros amigos do Conselho Jedi Rio de Janeiro e do Planetário, se sou fã fervoroso de Star Wars há tanto tempo, certamente é por conta de O Império Contra-Ataca, uma das pouquíssimas películas que tem seu lugar cativo e permanente na minha lista dos meus 5 filmes favoritos. Chega a não ter graça escrever sobre um filme que tanto me impressionou no passado e ainda me impressiona, dotado das melhores qualidades das narrativas cinematográficas.

Princess Leia: Why, you stuck up, half-witted, scruffy-looking Nerf herder.
Han Solo: Who’s scruffy-looking?

Apesar de ter assistido O Império quando pequeno, numa daquelas exibições tenebrosas na televisão à noite, foi apenas na minha adolescência que tomei vergonha na cara e decidi conhecer a saga de modo justo. Antes mesmo da Special Edition ter sido lançada em VHS, pedi a “fita” emprestada de uma amiga da escola. Tendo morado nos Estados Unidos, seu pai gravou o filme em uma exibição de um canal qualquer, tendo muito sabiamente excluído os comerciais (obrigado). Sem legendas, sem efeitos especiais refeitos e sem as tão faladas alterações na película, posso dizer com plena certeza que o filme me cativou em pouquíssimos segundos de exibição.

Carrie Fisher e Harrison Ford em momento entre filmagens no set da Cidade das Nuvens
Carrie Fisher e Harrison Ford em momento entre filmagens no set da Cidade das Nuvens

Já no letreiro de abertura e envoltos pela trilha sonora magistral de John Williams sabemos que Darth Vader tomou um outro curso de ação para derrotar os Rebeldes. Após o fracasso épico em Yavin 4, a resposta Imperial seria rápida e precisa. Sondas espaciais são enviadas para cada setor da Galáxia Conhecida, até que uma detecta, numa das regiões mais improváveis e inabitáveis do Espaço, a base Rebelde do planeta gelado de Hoth. Seguindo os desígnios da Força, Vader destaca a sua nau capitânia Executor e mais 5 Destróieres Imperiais para a implacável caçada. Caçada.

Luke: All right, I’ll give it a try.
Yoda: No. Try not. Do… or do not. There is no try.

Nos primeiros minutos de filme aprendemos como o Segundo Império Galáctico é uma máquina de guerra imbatível, ao contrário de tanta piada que ja foi feita em torno dos pobres Stormtroopers. O brilhantismo do roteiro de O Império mostra o grupo de Rebeldes fugindo desesperadamente do planeta, adotando estratégias pouco ortodoxas e confiando quase que puramente na sorte (já que, em tese, naquela época pouco se sabia da Força para além de uma energia mística de um passado longínquo…) contra as tropas quase infinitas de Snowtroopers, Walkers e tudo mais. Sou apenas eu ou alguém aqui já notou que todas as naves e veículos imperiais sempre possuem tamanhos gigantescos e sempre abrigam milhares de soldados?

Produção de O Império Contra-Ataca: Diretor Irvin Kershner, Produtores Gary Kurtz, George Lucas e Roteirista Lawrence Kasdan
Produção de O Império Contra-Ataca: Diretor Irvin Kershner, Produtores Gary Kurtz, George Lucas e Roteirista Lawrence Kasdan

Ainda em Hoth e quase à beira da morte após um confronto com uma criatura do gelo, nosso herói Luke Skywalker recebe uma visão fantasmagórica do Mestre Jedi Obi Wan Kenobi, indicando o próximo passo de sua jornada na Força. Fantasmagórica. Em Dagobah, Luke aprenderia com Yoda, um dos Mestres Jedi mais poderosos de toda a Galáxia, agora recluso no pântano com medo de ser capturado pelo Império. Que plot épico!

C-3PO: Sir, If I may venture an opinion…
Han Solo: I’m not really interested in your opinion 3PO.

Em um treinamento místico por si só – já que nunca soubemos e jamais saberemos quanto tempo nosso caro Luke passou em companhia da marionete verde (afinal, o que existia de Universo Expandido caducou e a franquia nas mãos da Disney ainda tem um futuro nebuloso), temos nosso herói em formação para se tornar um Cavaleiro Jedi, devendo, por fim, enfrentar o Lord Sith Darth Vader para completar seu treinamento épico… Épico, gente, épico… outra narrativa fantástica pilhada pela Nova Trilogia, quando aprendemos que para se tornar um Cavaleiro Jedi você só precisa preencher 7 formulários no Balcão de Informações do Templo e torcer para que uma conjunção de política e sorte sopre em seu favor… afinal, existem apenas 2 Sith para uma infinitude de turmas Cavaleiros Jedi sendo formadas todos os anos…

Peter Mayhew (Chewbacca) e Carrie Fisher recebendo instruções de Irvin Kershner. Billy Dee Williams ao fundo.
Peter Mayhew (Chewbacca) e Carrie Fisher recebendo instruções de Irvin Kershner. Billy Dee Williams ao fundo.

Enquanto isso, a outra parte do grupo está em uma Millennium Falcon avariada, fugindo aos trancos e barrancos do cerco Imperial. Graças às habilidades impressionantes (isso é que é pilotagem) de Han Solo e do wookie Chewbacca, a Falcon escapa dos grilhões de Vader, rumando ao fim para a Cidade das Nuvens em Bespin. Que lugar… Como ela flutua eu não sei, mas que lugar… Lá encontram um antigo amigo de Han, Lando Calrissian, ex-proprietário da Falcon e péssimo jogador de Sabacc. Mal sabem que serão traídos por Lando para o Império, sem contar o presentinho chamado Boba Fett, que leva nosso querido Han numa forminha de gelo da Kotobukiya para Jabba, o Hutt

Darth Vader: You have learned much, young one.
Luke: You’ll find I’m full of surprises.

Pressentindo o perigo, Luke abandona Yoda às pressas, rumando para o duelo de espadas mais famoso de todos os tempos. Frente a frente com Vader e com seu treinamento incompleto, Luke é assediado para o Lado Negro e, o pior, descobre que o grande vilão de toda a trama é seu pai, Anakin Skywalker… Meu Deus! Que filme! Que enredo! Impossível não gostar e, me desculpe, se você não consegue ao menos reconhecer as qualidades e a grandiosidade de O Império Contra-Ataca, aham, você é um idiota.

Diretor Irvin Kershner com os vilões: David Prowse (Darth Vader), IG-88 e Jeremy Bulloch (Boba Fett)
Diretor Irvin Kershner com os vilões: David Prowse (Darth Vader), IG-88 e Jeremy Bulloch (Boba Fett)

Star Wars – O Império Contra-Ataca é, em minha opinião, o melhor filme de toda a saga. Apesar do valor de seu antecessor e do encerramento grandioso do seu sucessor, O Império Contra-Ataca é o mais bem equilibrado, reúne em si qualidades quase que imensuráveis, uma narrativa maravilhosa, uma densidade dramática fantástica e alguns dos melhores efeitos especiais já feitos. Se Lucas levou seu Flash Gordon para a telona em Uma Nova Esperança, Irvin Kershner garantiu aos nossos heróis um incrível feixe de emoções, humanizando nossos personagens favoritos de forma até então nunca antes vista. Não só simplesmente sabemos que Han Solo gosta de Leia Organa, como nos emocionamos com o romance. Sabe quando você se ajeita na poltrona com um sorriso estampado na cara? Então! Não só simplesmente sabemos que Darth Vader é Anakin Skywalker, como nos comovemos genuinamente com o conflito entre Pai e Filho com Darth Vader e Luke Skywalker. Nos identificamos tanto com os personagens de O Império pois Kershner sobre realizar, com maestria, a difícil tarefa de mostrá-los enquanto reais, com suas qualidades, seus defeitos e seus dramas, elevando esta película da Space Opera para algo além de Espaço, Naves Estelares Mirabolantes e Efeitos Especiais. Ah sim, não precisamos nos alongar nos infinitos desdobramentos da (péssima) Antropologia de George Lucas via Joseph Campbell, contudo, está tudo lá, a infame Jornada do Herói, os Arquétipos e tudo mais.

Boba Fett: What if he doesn’t survive? He’s worth a lot to me.
Darth Vader: The Empire will compensate you, if he dies. Put him in.

Foi Lawrence Kasdan que deu vivacidade ao frágil roteiro de Leigh Brackett (aham, aposto que você não sabia dessa; Leigh Brackett desenvolveu a história, mas não caiu no gosto de Lucas, sendo dispensada logo depois; muito infelizmente a roteirista faleceu em um acidente de carro dias depois), felizmente chamado para compôr o grupo criativo de Star Wars VII. A produção tomou forma com a parceria entre Lucas e Kasdan, algo já comprovado em Indiana Jones tempos antes… e aí só faltou Irvin Kershner para se juntar ao balaio, inicialmente com receio de fazer parte da produção. Ex-professor de Lucas na Faculdade de Cinema, Kershner não morria de amores pela primeira versão da história, sem contar que, aparentemente, também não era afeito ao apelo popular da saga. Por fim, John Williams retorna com uma trilha sonora fantástica e talvez a mais emblemática de toda a saga, trazendo temas memoráveis como Han Solo e a Princesa, a Marcha Imperial, o Tema de Yoda, entre tantos outros, como você pode ver na nossa análise aosugolesca da trilha sonora. Nela, Williams experimenta novos recursos em cima do que já tinha aprendido com Uma Nova Esperança, carregando as cenas com a mesma densidade dramática tão imputada por Kershner. Melhor, impossível.

Diretor Irvin Kershner orientando Peter Mayhew (Chewbacca)
Diretor Irvin Kershner orientando Peter Mayhew (Chewbacca)

Já a arte de Ralph McQuarrie e Joe Johnston é um caso à parte, trazendo tantas paisagens tão marcantes que ficam tatuadas nas retinas de qualquer ser pensante. É realmente notável o trabalho da dupla na concepção criativa, ainda mais quando tão belamente traduzida por toda produção: faça você mesmo o teste e procure pelas pranchas da Batalha de Hoth e da Cidade das Nuvens idealizadas por McQuarrie que certamente entenderá o que estou falando. Ex-projetista da Boeing, McQuarrie foi peça fundamental da venda de Uma Nova Esperança para a FOX: Star Wars compreendia e ainda compreende a apresentação de mundos tão fenomenais e nunca antes imaginados que ficava difícil convencer os executivos engravatados da empreitada. Já em O Império e com o sucesso já garantido, McQuarrie ganhou liberdade para desenvolver mais cenários, alguns deles inclusive épicos tanto na representação como na construção dos sets… Hoth! Tais pranchas foram seguidas à risca pela produção e pelo Diretor de Fotografia britânico Peter Suschitzky, criando cenas memoráveis… a minha predileta é quando Han está consultando junto com Leia o Navegador, isso logo após escapar do cerco Imperial: preste atenção nos efeitos de luzes de cores primárias nos rostos dos atores e em todo o set…

Lando: Princess, we’ll find Han. I promise.
Luke: Chewie, I’ll be waiting for your signal. Take care, you two. May the force be with you.

Stuart Freeborn criou (a sua imagem e semelhança, mais uns tecos da fisionomia do Einstein, aham), juntamente com a performance de Frank Oz, um dos personagens mais significados da tal da Cultura Pop dos dias de hoje: Yoda. Correndo um risco imenso ao carregar uma marionete de tamanha carga dramática e importância no roteiro, Lucas e Kershner acertaram a mão e trouxeram para as telas a sabedoria e graciosidade de um diminuto Mestre Jedi inesquecível, tão inesquecível que nem suas recentes aparições na Nova Trilogia fizeram jus ao boneco (com exceção talvez da animação Clone Wars de Dave Filoni, que recupera em parte o espírito de Yoda). Apesar da brincadeira do “tamanho não é documento” ficar óbvia aqui, Yoda nos mostra a grandiosidade e o mistério em torno da Força, algo que foi destruído (destruído) na Nova Trilogia com o mimimi dos midichlorians e o raio que o parta. Não precisamos dessas explicações cientificistas (isso, cientificistas e não científicas) para nos divertirmos e acreditarmos na narrativa como algo verossímil quando adentramos no mundinho mágico da Ficção… Por favor…

David Prowse (Darth Vader) na fatídica e reveladora cena com Mark Hamil (Luke Skywalker)
David Prowse (Darth Vader) na fatídica e reveladora cena com Mark Hamil (Luke Skywalker)

Contei tudo quanto é spoiler, mas deixo o convite para vocês conhecerem o acervo aosugolesco dedicado ao Império Contra-Ataca. Conheça a trilha sonora em detalhes, depoimentos, vídeo e tudo mais. Para aqueles interessados em saber mais sobre o filme para além dos documentários disponíveis em VHS e DVD, recomendo o livro The Making Of Star Wars: The Empire Strikes Back, do Jonathan W. Rinzler, autor e editor da Lucas Licensing, uma obra primorosa e bastante nova, com informações super legais para todos os fãs deste episódio. Enquanto isso, aguardamos a sua visita na Holonet, com vários outros artigos como este dedicado a sua saga favorita, além do Especial Star Wars 2014, chegando no dia 25/05 no Ao Sugo. Está esperando o quê?

Quando? Sábado, 17 de Maio de 2014
Onde? Planetário do Rio – Cúpula Carl Sagan
Por quê? Deixe de ser imbecil
Capacidade: lotação máxima controlada para 230 pessoas.
Lugares: assentos livres, por ordem de chegada em fila na porta da Cúpula.
Endereço: Rua Vice-Governador Rubens Berardo, 100 – Gávea.
Telefone: 2274-0046
Outras informações: http://www.planetariodorio.com.br
Entrada: franca
Ingresso e contribuição social: itens de higiene (sabonete, ou sabão em pó, ou guardanapo) ou alimento não perecível (leite em pó, ou achocolatado, ou biscoito), com senhas gratuitas distribuídas somente no local e dia do evento.
Senhas na bilheteria: a partir das 17:30h
Abertura e início da sessão: 18:30h

Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca (1980) [124 min.]
Classificação indicativa: Livre
Direção: Irvin Kershner
Roteiro: Leigh Brackett, Lawrence Kasdan, George Lucas
Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Anthony Daniels, David Prowse, Peter Mayhew, Kenny Baker, Frank Oz, Alec Guinness, Jeremy Bulloch

Trailer

http://www.youtube.com/watch?v=JNwNXF9Y6kY

Darth Victor, diretamente do Ao Sugo para o Conselho Jedi Rio de Janeiro

 Veja também

Análise aosugolesca de O Império Contra-Ataca por Ben Hazrael 

Sigfried Skywalker: Entendendo a Trilha Sonora de Star Wars

Do. Or do not. There is no try

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

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