Star Wars: Alphabet Squadron

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Victor Hugo, diretamente da Lodestar – Com o desfecho da saga dos Skywalker – que agradou uns e outros nem tanto –, estava aqui repensando no meu envolvimento com essa história toda. Eis que me deparo com uma agradável surpresa: nesta semana completo 20 anos lendo os livros de Star Wars, sendo em sua maioria pertencentes ao selo chamado hoje de Legends. Meu primeiro livro da saga foi X-Wing Wraith Squadron, de Aaron Alston, apresentando um grupo de personagens improváveis e pessoas comuns fazendo o que tem que ser feito na luta contra o Império Galáctico. Diante do novo cânon de Star Wars, Wraith Squadron hoje é apenas uma lenda.

Após a compra da LucasFilm pela Disney em 2013, algumas coisas mudaram de figura. Nós fãs fomos surpreendidos com a ideia de que seríamos contemplados com novos filmes, animações e séries televisivas num ritmo frenético, bagunçando, evidentemente, tudo o que já havia sido feito até então. Sobre o novo cânon, tivemos o reboot geral nos livros, sendo os velhos “re-catalogados” com o selo Legends (que quer dizer que não importa mais), além da extinção da LucasArts no campo dos videogames com o repasse dos novos jogos da saga para uma outra empresa mais consagrada #SQN. Sobre os quadrinhos, observamos o seu “retorno” para as mãos da Marvel Comics, com uma profusão de títulos de qualidade duvidosa. Neste novo cânon de Star Wars que atravessa livros, videogames e quadrinhos, boa parte enfrentou ou ainda enfrenta alguma resistência por parte da crítica. Apesar dos problemas de continuidade do antigo Universo Expandido, percebe-se que estamos mergulhados num oceano de licenças aleatórias e produções voltadas unicamente para o mercado, deixando pra trás muita coisa boa.

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Uma das produções notáveis do novo cânon é o livro Alphabet Squadron, escrito por Alexander Freed e lançado em 2019. Este recebeu vários elogios dos fãs e da crítica, dando um alento para a produção literária da franquia, estando ao lado, em minha opinião, apenas dos livros de Claudia Gray, autora dos obrigatórios Estrelas Perdidas e Legado de Sangue. Para mim, um fã inverterado do antigo Universo Expandido, Alphabet Squadron chegou em boa hora, trazendo o bom e o melhor do antigo UE para os novos fãs da saga.

Alphabet Squadron conta as aventuras de um grupo bastante improvável de pilotos de caças da Nova República, reunidos pelo agente da Inteligência Caern Adan para lidar com os eventos recentes após o fim do Episódio VI. Mesmo com a destruição da Segunda Estrela da Morte e a até então morte do Imperador Palpatine, várias forças imperiais remanescentes ainda lutam pelo poder, dividindo-se em células de fanáticos contra a recém instaurada Nova República.

Neste momento apenas os melhores oficiais e unidades imperiais conseguem resistir à nova ordem, dentre eles, o temível 204o. Esquadrão Imperial de Caças. Formado majoritariamente de TIE Interceptors, o 204 tem na manga uma série de táticas capazes de destruir frotas inteiras, além de conseguir identificar os possíveis esconderijos e rotas de fuga das naves da Nova República.

Adan recruta Yrica Quell, ex-piloto do 204, além de outro desertor do Império, Nath Tensent, juntamente com a misteriosa Kairos neste pequeno grupo. Logo eles são reunidos com outros dois sobreviventes dos ataques implacáveis do 204, Wyl Lark e a theeliniana Chass na Chadic. Esta unidade de inteligência acaba ficando sob responsabilidade de uma grande General da Nova República, cada um pilotando um tipo diferente de caça (vou manter o nome da general em surpresa, porém, só isso já garanto que vale a pena a leitura).

Enquanto Quell aprende a pilotar uma X-Wing, Tensent assume uma Y-Wing, ao passo que Lark mantém sua A-Wing. Chadic se ocupa de uma nave de assalto B-Wing e Kairos uma U-Wing. É dessa composição que surge o nome do esquadrão, Alphabet Squadron, inicialmente em tom de zombaria por parte dos outros oficiais da Nova República. Apesar das adversidades óbvias de se formar um esquadrão com naves radicalmente diferentes em velocidade, potencial ofensivo e manobrabilidade, são as táticas e o tamanho reduzido que faz do Alphabet Squadron uma equipe potencialmente perigosa.

Alphabet Squadron é notável por trazer o espírito da série X-Wing, de Stackpole e Alston, para o novo cânon de Star Wars. Os grandes protagonistas da saga são apenas mencionados, ao passo que os Jedis são apenas uma lenda que percorre as tropas. A narrativa conta uma história paralela àquela épica que tanto conhecemos, focando as pessoas comuns que estão no meio da guerra. O livro não é composto por todos aqueles heróis épicos tal qual Skywalker, Rey e afins, mas sim todos os outros que são fundamentais para a saga e que nunca apareceram na telona. Devo mencionar que senti, com bastante alegria, que o Alphabet Squadron é muito parecido com o meu antigo e memorável Wraith Squadron, arrancando alguns sorrisos e lágrimas deste leitor pessimista que vos escreve.

Mas calma que tem mais! Freed carrega nas costas alguns títulos de peso desse novo cânon, como a novelização de Rogue One e Star Wars – Twilight Company, tendo dado ênfase para o que acontece com as pessoas comuns envolvidas nesse arranca-rabo infernal da guerra civil entre Império Galáctico e Aliança Rebelde. Segundo o próprio autor, os personagens principais dos filmes são marcados invariavelmente com a divisão maniqueísta clara do Bem contra o Mal, no entanto, as demais pessoas que foram arrastadas para este conflito são muito mais “cinzentas”, procurando apenas sobreviver num universo de guerra de todos contra todos, deixando seus livros muito mais próximos da gente. Se você gostou de Rogue One, já encontrou seu autor preferido.

Alphabet Squadron possui a qualidade de reunir o bom e o melhor da antiga série X-Wing com Rogue One, inclusive, este bastante mencionado na narrativa. Primeiro de uma trilogia, Alphabet Squadron é daqueles, para quem curte ler Star Wars, algo obrigatório, já dizendo que o próximo título sai agora em junho de 2020. Fiquem vocês refletindo aí se gostaram ou não do Episódio IX que eu vou lá bater um papo com a galera do esquadrão no Krayt Hut.

Autor: Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

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