Atualizado – Victor Hugo, Coronet, Corellia. Com o lançamento do filme O Despertar da Força no último dia 17 de dezembro 2015, o post mais lido do Ao Sugo desde então tem sido o Conhecendo o Universo Expandido de Star Wars – Legends, me fazendo pensar com vários dos meus botões por aqui.

Primeiramente, acho extremamente interessante notar como a maioria das pessoas nunca soube ou nunca quis saber o que aconteceu com Luke Skywalker & Cia. depois do Retorno de Jedi. Tudo bem que tivemos um vácuo de anos para serem lançadas as primeiras histórias oficiais da Lucasfilm, mas a quantidade de material – oficial – disponível é absurda, dos quais devo apontar livros, histórias em quadrinhos, desenhos animados, filmes e jogos para as mais diversas plataformas, com um conteúdo canônico já muito bem delimitado como comentei aqui.

Diferentemente dos anos 1980 que, com exceção do lançamento do Retorno de Jedi, ficamos num limbo de qualquer outra coisa que nos remetesse ao mundo fantástico criado por George Lucas, a década de 1990 foi tão marcada pela quantidade de histórias da saga que fico perplexo ao perceber que a maioria do PLANETA jamais tomou o conhecimento disso tudo.

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O tal do Universo Expandido apresentou personagens incríveis, ricamente elaborados, novos planetas, novas tramas e novos enredos que chacoalhou a vida de muito fanboy pelo globo. Aqui vale uma curiosidade, mas para vocês perceberem o impacto do Universo Expandido entre os fãs, em épocas do lançamento do Episódio I nos cinemas, o que mais se comentava nos fóruns de discussão da internet não era sobre o pequeno Anakin Skywalker e o retorno de Star Wars nos cinemas, mas sim acerca da morte do Chewbacca em Star Wars – The New Jedi Order: Vector Prime. Sim, meu povo, o Chewie morreu salvando Anakin Solo e muita gente…

O que deixou muita gente emputecida com a compra da Lucasfilm pela Disney foi o apagamento ou invalidação total do Universo Expandido como já era conhecido, isso mesmo tendo mais de 30 anos de existência para além dos filmes. Alegando liberdade criativa, a Disney e a Lucasfilm decidiu abandonar o Universo Expandido, ou seja, o Chewie não morreu não senhor, até que ele deu as caras no último filme. Mesmo assim, as pessoas deste planeta esquisito acharam extraordinário e ainda continuam achando que toda a aventura continuo e muito bem, obrigado.

Antes de mais e, como já disse aqui, o antigo Universo Expandido não morreu, mas foi “reclassificado”, agora se chamando Legends. Para saber tudo sobre o selo, vale a pena continuar fuçando aqui no Ao Sugo, pois já desenvolvi uma tijolada de artigos a respeito, incluindo várias sugestões de leitura. Quanto à nova linha editorial da Lucasfilm e ao que seria o novo canon de Star Wars, temos novas publicações por aí lançadas tanto em livros quanto em quadrinhos, das quais apontarei algumas importantes.

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O novo grupo editorial da Lucasfilm se chama Lucasfilm Story Group, composto por Carrie Beck, Diana WilliamsPablo Hidalgo e o veterano Leland Chee, tendo criado, até o momento, duas linhas diferentes. A primeira corresponde a todos os livros e quadrinhos lançados que tapam buracos ou apresentam novas histórias entre os seis filmes já lançados (para saber mais como isso é feito, leia meu outro artigo sobre o UE).

Desta primeira linha, a timeline dos livros publicados pela Del Rey é ainda a mais confiável, como assim também já o era no antigo Universo Expandido. Desta, temos novos livros que compõem a nova linha editorial, tal como demonstrado aqui (garantimos, assim como o fizemos com o antigo Universo Expandido, em disponibilizar as timelines sempre atualizadas aqui na Holonet), alguns dos quais vocês já podem encontrar disponíveis em português.

Destes, dou destaque para o livro Um Novo Amanhecer (Aleph, 2015) de John Jackson Miller, que introduz os personagens principais da série Rebels e narra os eventos que se sucederam logo após o Episódio III, com a consolidação de uma resistência contra o Segundo Império Galáctico.

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Outro livro bastante interessante que conta os eventos logo após o Episódio IV é Battlefront: Twilight Company (LucasBooks, 2015), dando ênfase para ma narrativa militar do ponto de vista da Aliança Rebelde. Lançado como uma catapulta para o jogo Star Wars Battlefront, Alexander Freed em Twilight Company conta a história dos soldados rasos no meio das batalhas, sem se prender à trama principal da família Skywalker, sendo, literalmente, uma história de “guerra” e bem diferente dos demais livros já lançados dessa nova linha editorial.

Vale a pena fazer um adendo aqui para outros três livros fantásticos voltados para leitores mais jovens, porém extremamente envolventes e sofisticados. Estes não foram lançados pela Del Rey e sim pela Disney Book Group/Lucasfilm Press, mas cujas histórias também devem ser consideradas canônicas ou oficiais. Estes, que recomendo fortemente e que estão disponíveis em português, são: Star Wars – A Arma de um Jedi (Seguinte, 2015), em que Jason Fry apresenta uma aventura bastante divertida de Luke Skywalker aprendendo a usar seu sabre de luz, isso antes do Episódio V. É curioso dizer que este livro apresenta um Luke Skywalker muito mais parecido com o dos filmes do que outro livro dessa nova linha editorial, o Heir to the Jedi, de Kevin Hearne, que tentou narrar a aventura em primeira pessoa e cuja tentativa criou um Luke bem diferente do que estamos acostumados.

O segundo da série, Star Wars – A Missão do Contrabandista (Seguinte, 2015), Greg Rucka conta uma aventura de Han Solo e Chewbacca em uma missão secreta para a Aliança Rebelde, também anterior ao Episódio V; por fim, temos Star Wars – Alvo em Movimento (Seguinte, 2015), escrito por Cecil Castellucci e Jason Fry e que apresentam uma aventura da Princesa Leia Organa logo após o Episódio V, sendo, facilmente, um dos meus favoritos.

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Estes três livros são destinados ao público Y/A (Young Adult), mas as tramas são envolventes e que recuperam de maneira magistral o espírito dos filmes da Trilogia Clássica. Os diálogos foram muito bem construídos, mantendo a velocidade, o humor e o drama encontrados nos filmes, além das ilustrações belíssimas de Phil Noto que abrilhantam toda a obra. É possível encontrar o Luke, o Han, Chewie e Leia nesses livros, dando destaque para a construção do personagem da nossa princesa favorita, agora bem mais tridimensional e com bastante profundidade. Dá para perceber seus dilemas pessoais quanto seu papel de líder político-militar na Aliança Rebelde, além do seu envolvimento pessoal com Han Solo. Ah, e mais: logo no final do livro temos uma surpresa que desemboca no Retorno de Jedi! A minha sugestão é que, se eu fosse você, buscaria pelos três imediatamente na livraria mais próxima.

A segunda linha editorial do Lucasfilm Story Group é ancorada unicamente aos eventos que ocorrem após o Retorno de Jedi, preparando o público para o Despertar da Força, até que criaram um selo chamado Journey to Star Wars – The Force Awakens e que você pode ver estampado no topo das capas destes livros e quadrinhos. Apesar de ser o trecho de narrativas supostamente mais livre, a linha editorial ainda parece bastante restrita, apresentando histórias que soltam apenas pistas sobre o que encontramos no Despertar da Força, sendo, em parte, uma grande decepção para os leitores mais ávidos como eu. Temos aqui o livro Marcas da Guerra (Aleph, 2015), de Chuck Wendig, apresentando novos personagens e um novo cenário que, muito infelizmente, não prendeu um leitor macaco velho de Universo Expandido como eu.

As críticas ao Marcas da Guerra nos Estados Unidos foram cruéis (em especial pela escrita de Chuck Wendig, muitos considerando o livro mal escrito), mas devemos ter em conta que duas continuações já foram previstas, ou seja, a sua timidez em mostrar maiores eventos da saga pode ser por conta que outros dois livros serão lançados, dando um baita espaço pro autor desenvolver sua história (e para a Disney arrancar um bom dinheiro da gente). Temos também a minissérie em quadrinhos Star Wars – Shattered Empire (Marvel, 2015), esta narrando de maneira muito superficial as aventuras de um suposto pai e uma suposta mãe do Poe Dameron, nosso piloto do Episódio VII.

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Ambas as publicações apenas pincelam sobre as tais “pistas”, não trazendo detalhes ou apontando as origens da Primeira Ordem, da Resistência, etc., mantendo o foco em mostrar que a morte do Imperador Palpatine e Darth Vader no Retorno de Jedi não desencadearam numa vitória total da Nova República como todo mundo queria. Pois bem, para quem é leitor do Universo Expandido desde a Trilogia Thrawn, isso já era mais do que óbvio. O que deveria ser “novidade” é algo já contado e em detalhes há muito, muito tempo.

A minha impressão acerca deste selo Journey to Star Wars – The Force Awakens é que a Disney está, assim como o próprio George Lucas o fez com a história do crescimento de Anakin Skywalker e sua subversão ao Lado Negro, segurando a mão do grupo editorial, pois tais publicações não chegam a apresentar aspectos que ligam ou estabelecem pontes sólidas entre os episódios VI e VII, como muita gente achou que seria. Contudo, muita coisa ainda está para sair, devendo o fã ficar atento aos lançamentos e, é claro, no Ao Sugo.

Deixo aqui então uma timeline de livros que vocês podem acompanhar, me embasando, principalmente, na disponibilizada pela própria Del Rey, ou seja, em livros unicamente, devendo retornar em outro post para os quadrinhos. Como essa nova linha editorial é bem recém-nascida (um bebezinho, diria meu caro Ben Hazrael, do Cabaré das Ideias), pouco podemos delinear de algo mais abrangente. Espero que tenham gostado e sintam-se livres para acrescentar novas publicações nos comentários. Que a Força Esteja com Vocês!

Episódio I – Ameaça Fantasma (novelização: Terry Brooks)

Episódio II – Ataque dos Clones (novelização: R.A. Salvatore)

Episódio III – A Vingança dos Sith (novelização: Matthew Stover)

Episódio IV – Uma Nova Esperança (novelização: George Lucas, Alan Dean Foster, ghostwriter)

Episódio V – O Império Contra-Ataca (novelização: Donald F. Glut)

Episódio VI – O Retorno de Jedi (novelização: James Kahn)

Episódio VII – O Despertar da Força (novelização: Alan Dean Foster)

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Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

6 comentários »

  1. Sempre adorei Star Wars, desde pequeno mas nunca me aprofundei no universo expandido por falta de tempo e talvez incentivo.

    Namorada e ex-esposa nunca deram apoio.

    hoje tenho uma esposa que passou a adorar, depois que fiz uma leve lavagem cerebral nela, rsrsrs.

    O importante é que comecei a leitura do universo expandi, primeiro por um dos novos livros da Disney pra ficar mais próximo dos novos filmes, depois me integrarei do resto.

    Para aqueles que como eu sofreram ou sofrem com o “preconceito” das namoradas e esposas segue um texto bem legal!

    https://fodapracaralho.wordpress.com/2016/01/14/como-fazer-sua-namorada-gostar-de-star-wars/

  2. Victor Hugo, você acha que ainda vale a pena ler os livros do Legends, como a trilogia Thrawn por exemplo? Pergunto pois tenho esses livros parados em casa e nunca li.

    • Olha Bruno,

      A questão acaba sendo bastante pessoal. Muita gente aderiu bem ao novo cânone de Star Wars, mas os fãs mais antigos ainda têm alguma resistência, tratando o antigo cânone como “a era dourada” e tudo mais. Eu também tenho alguns livros Legends aqui e pretendo ler no futuro, pois, até o momento, não fizeram nada tão bom quanto o antigo Universo Expandido… Leia e me fale o que acha.

      Um abraço,

      Victor Hugo

  3. Victor Hugo, e quanto ao box com 4 livros que tem a marca Lucas Film e Disney na contracapa? Estou falando do Código do Caçador de Recompensas, Livro dos Sith, O Caminho Jedi e O Manual do Império. Eles fazem parte do novo cânone? Vale a leitura?

    • Bruno,

      Tudo bem? Pois bem, os livros que tem o selo LucasFilm e publicados pela Disneybooks são canônicos, mas não fazem parte da timeline da Del Rey (a que atualmente mantém a timeline oficial para livros de Star Wars). Assim, já li todos esses que você indicou e achei eles bastante divertidos. O último que li foi Estrelas Perdidas, da Claudia Gray e, olha, devo dizer que foi um dos livros mais divertidos e originais de SW que li nos últimos tempos, não estando este na timeline da Del Rey. Enquanto todos os demais seguem o mesmo arroz-feijão da super-arma e tudo mais, Estrelas Perdidas superou todas as minhas expectativas e foi além. Valem a leitura sim!

      Um abraço!

      Victor Hugo

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