A Liga Extraordinária 1987

Em 1999 o nosso excêntrico e genial Alan Moore contemplou o mundo quadrinístico com A Liga Extraordinária, tendo como ilustrador Kevin O’Neill e sendo publicada originalmente em seis volumes pela editora America’s Best Comics. A idéia era – na verdade sempre foi muito interessante, a de reunir várias personalidades da literatura de determinado período, inicialmente na Inglaterra Victoriana de Allan Quatermain e Mina Murray.

Ok, dadas as devidas proporções e licenças poéticas, o primeiro volume propõe uma trama muito atraente, com eventos narrados logo após o romance Drácula, de Bram Stocker. Uma equipe de seres ilustres é reunida por Campion Bond (segundo a mitologia da série, avô de James Bond) para lutar pelos interesses do Império Britânico, sendo eles Mina Harker (Drácula, Bram Stocker, 1897), Allan Quatermain (As Minas do Rei Salomão, H. Rider Haggard, 1885), Capitão Nemo (20.000 Léguas Submarinas, Jules Verne, 1870), Dr. Jekyll (O Médico e o Monstro, Robert Louis Stevenson, 1886) e o Homem Invisível (O Homem Invisível, H.G. Wells, 1897).

A série de grande sucesso rendeu um péssimo filme (2003) de inspirações Steampunk, sendo uma trama de ação apenas e nada mais, deixando de explorar justamente as infinitas possibilidades de reunir personagens fictícios tão famosos do século XIX. Outros títulos incluem A Liga Extraordinária 1969 e 2009, buscando manter os mesmos princípios do Volume 1, porém com outros personagens-chave de cada geração. Apesar de uma publicação ampla (e atrapalhada por conta das trocas de editora), ninguém pensou na versão da Liga Extraordinária 1987, época de rica (péssima) produção de personagens icônicos (fanfarrões) que moram no coração de todos aqueles da minha geração, entre eles o nosso colaborador Ben Hazrael. Mas quem deve estar na Liga Extraordinária 1987?

Esquadrão Classe A – Renegados do Exército, soldados da fortuna e acusados de roubar milhões de dólares num esquema bem cabeludo, o grande estrategista Hannibal, o nosso boina verde esquentadinho B.A. Barracus, nosso piloto maluco de helicópteros Murdock, o galante Cara-de-Pau e a bela Triple A certamente deveriam fazer parte da Liga, por razões óbvias: quem melhor do que este time de mercenários voltados para o bem para salvar o mundo da invasão tatcheriana? Certamente que o Esquadrão Classe A seria o centro pensante da Liga, elaborando infinitos planos e modos de atuação que vão desde salvar freiras de um convento em El Salvador até intimidar gângsteres chineses de Chinatown, afinal, todo mundo adora quando o plano dá certo.

MacGyver – Seria um grande desgosto se a Liga Extraordinária 1987 não tivesse a presença do eterno Angus MacGyver, o pau-pra-toda-obra da Fundação Fênix que reúne em uma só pessoa os papéis de espião/agente secreto, jogador de hóquei/ativista ambiental entre outras coisas mais, sendo o nosso misto de Indiana Jones e James Bond perfeito para a Guerra Fria. Apesar de bom nas suas invenções malucas, B.A. Barracus não chega aos pés da genialidade do nosso herói de mullets: MacGyver consegue explodir um prédio com um chiclete e escapar de uma base secreta do Turcomenistão com um mapa e um grampo de cabelo sem muito segredo, sendo nosso quebra-galho indispensável para ações que demandam astúcia, inventividade e subterfúgio.

Magnum P.I. – Investigador particular, responsável pela segurança da Mansão Masters em Oahu, Havaí, pé no saco de Jonathan Higgins e professor de natação, Thomas Magnum é o homem perfeito para as ações que envolvem a mediação direta ou indireta com as forças armadas americanas. Ex-agente da Inteligência da Marinha, Magnum é conhecido pelos seus inúmeros contatos, além de poder ajudar a galera a fugir de várias enrascadas com a ajuda de T.C. e Rick em sua Ferrari vermelha ou no helicóptero da Island Hoppers. Não existe melhor exemplo da moda e modelo de herói dos anos 80, sendo o bigode de Magnum, suas camisas havaianas e seu peito cabeludo uma arma mortal para os inimigos.

Supermáquina – Como lidar com a bandidagem urbana com heróis tão distintos, com alguém capaz de se infiltrar no mundo do crime em trajes de couro preto e permanente no cabelo? Nada melhor do que recorrer ao ex-policial Michael Knight e seu carro (cylon) super (cylon) inteligente Kitt (Knight Industries Two Thousand) para chutar traseiros, subir escadas e fazer emboscadas em prédios, sendo um homem que pode fazer a diferença para se mesclar na noite urbana com muita tecnologia (cylon).

Carro ComandoMichael Knight e Kitt só formam um time completo – e útil, convenhamos – nesta Liga se contar com a participação de T.J. Hooker como navegador e experiente policial no combate ao crime. Com feições, atuação e postura que “lembram vagamente” o nosso Capitão Kirk, Hooker é o único capaz de levar experiência e sabedoria para este time de heróis, prontos para enfrentar os dilemas da vida cotidiana… afinal, nada melhor do que um instrutor de cadetes da polícia para ajudar a galera, não é?

Eis a sua lista de heróis, uma equipe inesquecível capaz de assustar a maldade e a escória com um clipe de papel, um lança-chamas improvisado, uma fantasia de jacaré e um carro falante. A Liga Extraordinária 1987 foi responsável por manter a ordem e a paz durante aqueles anos conturbados do punk, do Pop Rock nacional, do fim da União Soviética, da Porta da Esperança no SBT e de, hum, Chuck Norris. Avante, heróis!

Victor Hugo Moriarty

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