
Eu vou começar este artigo com uma afirmação muito verdadeira (ao menos pra mim): Star Wars – Episódio VI: O Retorno de Jedi é o melhor filme da Trilogia Sagrada e da Nova Trilogia. Mas também vou ser sincero em dizer que não sustento essa afirmação por muito tempo (e me volto a admirar efusivamente “O Império Contra-Ataca”, vejam só) só por causa daqueles malditos ewoks. É isso mesmo. Detesto aqueles ursinhos carinhosos que, quase literalmente, caíram de pára-quedas no Episódio VI. Quando observamos toda a história de “Star Wars – Episódio VI: O Retorno de Jedi” podemos perceber as “portas se fechando” na história: já sabemos que Darth Vader é o pai de Luke Skywalker, já intuímos que há algo de muito estranho (e não é romance) entre Luke e Leia, sabemos, por meio de um diálogo entre Mestre Obi Wan Kenobi e Mestre Yoda ao final do Episódio V, que “há outra esperança”, Han Solo, o canastrão pirata espacial está congelado em carbonita pelo infame Jabba, o Hutt, temos um Vader mais exausto logo ao início do Episódio VI, bem diferente daquele Lord Sith que invade com suas tropas imperiais a base rebelde em Hoth ao início do episódio anterior e sabemos, muito bem logo ao início do Episódio VI, que o próprio Imperador Palpatine dará o ar de sua graça na segunda Estrela da Morte…
Ou seja, temos absolutamente tudo para ter o melhor de todos os filmes da Trilogia Sagrada, mas aí George Lucas, faminto pelo Lado Monetário da Força, decide vender mais bonequinhos e joga na história os Ewoks. Sim. Em meio a um conflito entre as forças rebeldes e imperiais surgem os ursinhos de pelúcia ambulantes. Antecipo-me a críticas do tipo: “ah, varias espécies estavam envolvidas direta ou indiretamente nesse conflito, porque não mostrar uma espécie “praticamente indefesa” em meio a esse conflito?” Sabe o que respondo a essa pergunta? Que isso é balela. Se fosse realmente interessante mostrar “outras espécies em meio ao fogo cruzado entre a Rebelião e o Império” que fossem mostrados os Wookies. Mas não foi o caso. E a inclusão desses ursinhos pompom atrapalha, por demais, o Episódio VI? Seguramente a minha resposta é não. E vou confessar que, mesmo que atrapalhe, em geral “pulo” os momentos de inclusão dos Ewoks no filme e não, não perco nada com isto.

“O Retorno de Jedi” é um filme que se mostrou uma excelente “continuação” de “O Império Contra Ataca”. A carga de drama – e não dramalhão como na Nova Trilogia – é bem distribuída, especialmente quando assistimos ao “descongelamento” de Han Solo por Leia ou a “morte” de Mestre Yoda e a descoberta, por Luke Skywalker, de que Leia era sua irmã gêmea. Os diálogos entre Mestre Obi Wan e Luke Skywalker são carregados de peso, cuja medida é sempre a tragédia, seja pela “morte em vida” de Anakin Skywalker como Darth Vader ou o momento que Darth Vader descobre que Luke tinha uma irmã gêmea, descoberta essa que “coroaria o fracasso de Obi Wan (sempre ele!)”. É n’“O Retorno de Jedi” que podemos ver o Imperador Palpatine em seu “esplendor” Sith, com toda a sua capacidade de manipulação e poder, é neste filme que podemos visualizar e entender adequadamente todos os mecanismos psicológicos que regem o Dark Lord of the Sith.
“O Retorno de Jedi” é o encerramento de uma trilogia (quando trilogias ainda não eram “obrigatórias” para se contar uma história no cinema) com chave de ouro e tem, em um de seus momentos, minha cena favorita de todos os filmes de Star Wars: quando Luke Skywalker se esconde de Darth Vader (não desejando lutar com seu pai), mas revela, em pensamentos, que tem uma irmã gêmea. E caso ele, Luke, não aceitasse o Lado Escuro da Força, talvez ela aceitasse. É o estopim pra fúria de Luke Skywalker! Tudo é magistral neste momento: trilha sonora, coreografia, a risada sinistra do Imperador e, finalmente, a queda de Vader e o convite, feito pelo Imperador, para que Luke Skywalker tome o lugar de seu pai. Por fim, a recusa do último Jedi.

É, neste momento, eu, que já assisti a Sagrada Trilogia 93 vezes (sem contar na TV), choro mesmo. Choro com o momento em que Luke grita, pedindo auxílio ao seu pai e Vader olha para o filho e depois para o Imperador, para o Imperador e depois para o filho. É *&¨%¨$&. Se em “O Império Contra Ataca” temos a revelação de que Vader é pai de Luke, em “O Retorno de Jedi” temos a escolha do pai pelo filho e não pelo poder (representado pela continuidade ao lado do Imperador). É uma história tipicamente trágica, familiarmente trágica, o que a deixa muito mais rica.
Poderia discorrer mais e mais sobre como “O Retorno de Jedi” é o melhor filme da Trilogia Sagrada e da Nova Trilogia, mas daí me lembro dos Ewoks e me desanimo. Espero, ainda, fazer uma edição cortando cada momento que aqueles ursinhos pompom aparecem no filme. Daí sim vamos ter o melhor filme de todos de Star Wars.
Ben Hazrael, el jedi fremen con chipotle, diretamente do Cabaré das Ideias para o Ao Sugo
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