
Quem de nossa geração não se deleita com clássicos como Os Goonies, A História Sem Fim ou O Jardim Secreto? Muito poucos. Estes filmes têm algo em comum, que é a boa fase das filmagens de filmes infanto-juvenis de qualidade, contando sempre com bela produção, atuação e visual; sem falar que não tratavam as crianças com estupidez e, mesmo assim, mantinham a inocência.
Desventuras em Série (que na verdade é uma série de 13 livros pelo escritor Daniel Handler, através de seu heterônimo Lemony Snicket) parece resgatar esse período de boas produções destinadas ao público dos mais jovens, mas que eram capazes de encantar até os mais velhos. Com um visual “burtoniano” impressionante, atuações excelentes e um roteiro bem enredado, o filme nos prende à cadeira e ainda dá um gostinho de “quero mais”.
Lemony Snicket, representado (mais para dublado, já que o rosto do personagem não aparece) pelo sempre habilidoso Jude Law, narra para nós a história dos irmãos Baudelaire, Klaus (Liam Aiken), Violet (Emily Browning) e Sunny (Kara Hoffman e Shelby Hoffman) que ficam órfãos repentinamente, seus pais tendo morrido num incêndio em sua casa. Os irmãos, entretanto, não podem herdar a extensa fortuna de seus pais, até que Violet, a mais velha, complete 18 anos.
O parente mais próximo das crianças é um parente distante: o excêntrico e ganancioso Conde Olaf, incrivelmente vivido por Jim Carrey. O interesse do Conde é bastante óbvio: ele quer a fortuna, nada mais, e está disposto a fazer o que for preciso. As crianças, tentando escapar, acabam encontrando outros parentes distantes, mas o Conde está sempre em sua cola.
O visual é impressionante; aqueles familiarizados com o visual sombrio de filmes como Edward Mãos-de-Tesoura e O Mundo de Jack, ou seja, o visual tipicamente burtoniano, deliciará os olhos com os cenários impressionantes desta produção dirigida por Brad Silberling, de Cidade dos Anjos. Pudera, afinal, os diretores de arte e fotografia de Desventuras em Série são parceiros de Burton há tempos.
O enredo é todo muito bem roteirizado. Com pontas de um humor sutil e inteligente, demonstra ao público alvo, de maneira delicada, que o mundo é mais complicado do que parece, de maneira menos dramática, mas nem por isso tão diferente do belo O Jardim Secreto. Entretanto, ao mesmo tempo, releva a importância de virtudes abstratas cada vez mais relegadas ao esquecimento, como a inocência, a imaginação e mesmo o amor.
Marcus Vinicius Pilleggi





Deixar mensagem para Rober Pinheiro Cancelar resposta