
Bom, sou músico, vocês sabem. Não sou guitarrista, mas acho incrivelmente entediante e um pouco motivo de vergonha alheia jogos como Guitar Heroes, uma vez que para além das músicas memoráveis que fizeram e fazem parte das nossas vidas, eles nos ensinam um pouco de coordenação motora que é esperada de um macaco.
Aqui no interior de São Paulo já deixei de ser atendido numa loja de games, cards e miniaturas porque o atendente estava zerando alguma porcaria de não sei qual grupo, tocando sua guitarrinha fake como uma criança encantada sendo alfabetizada por algum daqueles programas de educação infantil que passam de manhãzinha na tv por assinatura. A loja fechou. Ia até falar para vocês que a loja fechou porque o atendente levou a vida na gaita, mas primeiro que seria uma piada infame demais. E segundo que nem era gaita, era uma guitarrinha fake.

Todavia, acabei de ver no 100Grana um breve review sobre a jogabilidade do novo jogo The Beatles Rockband, o que me deixou impressionantemente nostálgico. Acabei me tornando fã dos garotos britânicos do ié-ié-ié logo quando saiu aquele documentário The Beatles Anthology (1995), tendo Free As A Bird como música de abertura logo no primeiro episódio. Não tinha como não gostar, ok, salvo a apresentação do Pedro Bial vestindo um terninho da época do “Please, please me” de 1963. Mas o documentário causou uma forte impressão, chorei, chorei muito no final ao som de “In my life“.
Lembro-me que naquele ano acabei assistindo tal programa por sugestão do meu pai. Ele falou que os caras eram bons, também não tinha por que não ver, época de escola… o que a gente fazia na escola além de desenhar o Homem-Aranha e o Freakazoid na contra-capa do caderno? Pois bem, assisti eu e meu irmão o programa e, como já disse, relevando a participação Bialesca (que não foi de todo mal… mas acho que a birra surgiu com o Big Brother), foi paixão à primeira vista.

Nos dias subseqüentes foi a correria para comprar todos os CDs disponíveis sobre o quarteto. Meu irmão descobriu uma loja onde ainda era possível encontrar os LPs da coletânea que saiu no Brasil e logo comprei o Yellow Submarine (1969) bolachão, além de Rubber Soul (1965), Help (1965) e Abbey Road (1969). E logo em seguida compramos os restantes em CD, fora aquelas coletâneas – no mínimo maravilhosas – a vermelha e a azul. Como já disse, sou músico. Meu irmão também. Foi questão de dias também para começar a tocar essas coisas aqui em casa, fazer o famoso jogo de vozes, montar até um grupinho aqui.
Pois bem, se meu pai algum dia sugeriu que ouvíssemos Beatles, acredito que dos anos que se passaram ele deve ter se arrependido. Era Fabfour tocando em tudo quanto é canto, toda hora. Além do CD Player e do Toca-Discos dele, eu e meu irmão tínhamos também os nossos, causa da discórdia beatlemaníaca. Ê que bons tempos… Lá a gente aprendeu a cantar, tocar, sonhar e pirar, para não dizer o mínimo. Assistir Yellow Submarine foi a epítome da piração que a gente poderia ter visto na televisão daquela época e na nossa idade.
E tudo isso para apresentar o trailer de abertura do The Beatles Rockband. Como dizia, esses jogos cujo maior desafio ao jogador é ser melhor que um macaco apertando botões coloridos numa guitarrinha de plástico não me atraem nenhum pouco. Mas ver o trailer me deixou nostálgico. Agora, fala sério. Vai pra bateria, pro baixo, pro piano, pra uma guitarra de verdade. Aí depois a gente conversa.
Victor Hugo, O Nostálgico
Imagem: HeroxHeroine99, DeviantArt.Com






Deixar mensagem para giowaleska Cancelar resposta