Por milhares de gerações os Cavaleiros Jedi foram o grupo mais poderoso e respeitado de toda a Galáxia Conhecida, muitas eras antes da ascensão do Imperador Palpatine. Assim está escrito no letreiro amarelo voador de Star Wars – Tales of the Jedi, que em tom esfuziante exalta o nobre Conselho Jedi. Sábios, conselheiros, guerreiros, generais, eles formaram a espinha dorsal da Antiga e da Nova República, seja sob a tutela de Mace Windu, seja sob a tutela do Mestre Luke Skywalker. Isso aí é ficção.

Mas hoje, minha gente, o negócio aqui é diferente. Apresento-lhes o grupo que contribuiu e ainda contribui imensamente para o fandom de Star Wars em todo Brasil, o Conselho Jedi Rio de Janeiro. Numa entrevista exclusiva para o Especial Star Wars do Ao Sugo, fui prontamente atendido pelos seus organizadores, Brian Moura e Henrique Granado, cujos relatos retratam as atividades de um dos grupos mais importantes do país, o CJRJ. Como não poderia deixar de ser para comemorarmos em grande estilo o aniversário de Star Wars IV – Uma Nova Esperança, nada mais justo do que a sua participação pra lá de elegante. Confiram!

Victor Hugo – Falando como fã e entusiasta da saga, qual é o propósito do Conselho Jedi Rio de Janeiro atualmente e qual a representatividade dentro do fandom brasileiro?

R: O propósito do CJRJ é o mesmo desde a sua fundação em 24 de agosto de 1997: reunir as pessoas que gostam da saga Star Wars, promover um ambiente de amizade e confraternização, e realizar os encontros e eventos que proporcionam essa interação. Não importa se é tão ou nem tanto fã, se conhece muito ou pouco da saga, se curte mais o Lado Negro ou os Cavaleiros Jedi, se tem fantasia de personagem ou prefere ficar com uma camiseta comum. Enfim, todos são bem-vindos.

Atualmente a participação do CJRJ é mais movida pelo apelo dos fãs do que há alguns anos, o que é naturalmente compreensível, pois, o período de novos filmes acabou. Além disso, os organizadores têm compromissos pessoais que a cada ano vão se tornando mais sérios e, claro, dificulta bastante. O relançamento em 3D nos cinemas deu uma sacudida na galera e isso é sempre bom. Felizmente o grupo se tornou respeitado e referência na realização de eventos como a Jedicon com o passar dos anos.

Victor Hugo – Por que “Conselho Jedi”? Como era o Conselho em uma época em que ainda não tínhamos a Nova Trilogia? Mudou muita coisa?

R: O relançamento da trilogia clássica na edição especial em meados de 1997 foi a inspiração para a criação do grupo. Até então, quem gostasse mais do que o normal de Star Wars (isto é, assistir aos filmes mais de 20 vezes por ano, risos!) só tinha a oportunidade de curtir em casa quando passava na TV aberta ou quem tivesse os vídeos. Eram décadas sem exibição na tela grande e isso criava a sensação de que você era o único fã daqueles filmes na cidade, no país!

O grupo começou mesmo por iniciativa de um cara que se tornou um grande amigo chamado Phil Gusmão, que procurava outros malucos enquanto eu tentava localizar algum grupo. Quando vimos que havia nada assim no Rio de Janeiro resolvemos fundar algo para promover encontros e chamar as pessoas. A história do nome é engraçada. Foram umas três ou quatro alternativas, desde nomes em inglês até algo parecido com uma igreja evangélica! Mas não, muito problemático, risos! Acho que o nome “Conselho Jedi” veio por conta do Universo Expandido e da expectativa em vermos algo nos filmes novos que viriam.

Tivemos sorte e um pouco de visão na época, pois a Internet começava a engatinhar e a comunicação mais dinâmica ajudou muito na exposição das intenções. Entre 1997 e 1998 fizemos algumas reuniões, às vezes com quatro ou cinco pessoas conversando sobre os filmes, livros, jogos de computador, a luta que era conseguir itens de colecionador, e o que poderíamos fazer no site.

Numa dessas comunicações, fomos encontrados pelo outro hoje velho amigo Fabio Barreto e colaboramos na fundação do Conselho Jedi São Paulo em 1999. Eram tempos de desafios motivados pela grande expectativa gerada pelos filmes. Agora, não temos mais tantas novidades exceto pelos desenhos da série “Clone Wars” que não são tão divulgados ao público. Isso leva a certa calmaria e naturalmente os fãs se afastam um pouco, mas a paixão, a admiração e o orgulho pela saga nunca morrem.

Victor Hugo – Tem algum evento ou circunstância excepcional que o CJRJ passou nos últimos anos envolvendo a saga que você gostaria de citar? Como foi?

Passamos por bons momentos e que são motivos de grandes lembranças e muito orgulho. Entre os fãs, o mais importante foi quando o Episódio I estava para ser lançado e procuramos por todas as pré-estréias possíveis no Rio. Em cima da hora soubemos da que seria feita pelo Cine Leblon em duas salas, exatamente à meia noite. Muita gente se reuniu através do CJRJ e foi uma festa total dentro e fora das salas do cinema, o que serviu para o grupo aumentar muito formando grandes amizades.

Pelo grupo mesmo, foi muito especial encontrarmos o ator Samuel L. Jackson quando de uma viagem que fez para promover o filme “Violação de Conduta” (Basic) durante o Festival do Rio em 2003. A nova trilogia mal tinha acabado e o Jedi mais ‘cool’ da galáxia nos recebeu muito bem concedendo uma entrevista exclusiva, gravação de uma chamada para a Jedicon, fotos, autógrafos e, para nosso orgulho, ficou vidrado no logotipo do CJRJ estampado na camiseta que usávamos e pediu uma de lembrança.

Victor Hugo – Gostaria que você falasse um pouco das experiências com as Jedicon. No que consistem, qual o objetivo e qual o alcance hoje em dia?

Todas as Jedicon foram inesquecíveis, mesmo que algumas não tenham saído exatamente como planejávamos. Cada uma tem sua história contando o aprendizado, a evolução, e o respeito que os Conselhos Jedi alcançaram hoje. As primeiras foram organizadas pelos CJs reunidos e depois cada um produziu ao seu próprio formato. Houve um momento, depois da primeira realizada em São Paulo em 1999, em que chegamos a comparar o evento com um ser vivo que deve ser alimentado, ensinado e aperfeiçoado.

O evento se baseou um pouco nas convenções de fãs que sabíamos existir nos EUA e numa de Star Trek que era realizada no Brasil. No início foi tudo muito pela intuição, improviso e ajuda mútua, somado à vontade de reunir montes de fãs para ver todos curtindo a paixão pela saga num só espaço. A idéia do evento é colocar à disposição do fã tudo o que Star Wars apresenta em entretenimento e conhecimento em todos os sentidos. Felizmente o evento se tornou bastante reconhecido, são muitos pedidos para que as edições aconteçam, e o alcance é bastante elevado, pois atinge milhares de pessoas.

Victor Hugo – Quais são as melhores coisas numa Jedicon? Já tem previsão para a próxima e como participar?

Procuramos diversificar as atrações para que os fãs tenham a chance de se divertir mais. As palestras com críticos de cinema como os amigos Eduardo Miranda e André Gordirro tem grande repercussão positiva assim como a ‘Jedi Arena’, que foi criada pelo Roberto Fabricio e apresentada pela primeira vez na Jedicon 2000 no Rio simulando os duelos com sabres de luz.

O ponto alto sempre foi o ‘Concurso de Fantasias’, onde os fãs se apresentam caracterizados dos personagens favoritos. A platéia vai ao delírio e lota o espaço! Uma atração que chegou em 2010 e com excelentes críticas foi a ‘Academia Jedi’, criada pelo Henrique Granado para as crianças iniciarem o treinamento como Padawan e aprenderem os caminhos da Força. Apesar das dificuldades de tempo dos organizadores e das negociações de produção, estamos programando a Jedicon para o segundo semestre de 2012 e faremos a divulgação com os detalhes para todos participarem.

Victor Hugo – Alguma chance, mesmo que daqui a muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante (e caso conseguíssemos formar uma Aliança Rebelde), de conseguirmos uma Celebration ou algo do gênero no Brasil? Como você encara o fandom brasileiro nesse sentido?

Uma Celebration aqui exatamente como a que vemos nos EUA eu acho difícil. São duas situações. O licenciamento para a produção de algo nesse nível é caro e de critérios rígidos, exigindo execução de qualidade e fidelidade, o que é compreensível por parte da Lucasfilm, pois é uma marca extremamente conceituada no mundo cinematográfico e do marketing. Nisso tem a questão da empresa executante conseguir arcar com os custos e ter um lucro significativo, e aí entra a outra situação. Interesse.

Vejo que a cultura brasileira é mais de momento no campo do entretenimento nerd em franquias como Star Wars e Star Trek, exceto quando há um grande apelo como filmes novos que estréiam. Quem sabe uma série de TV ‘live action’ ajudasse nisso, mas não é tão espontâneo a ponto de alavancar milhares num evento que dura uma semana. Não é como o Carnaval carioca para os brasileiros, mas para os norte americanos é relevante, justamente por questões culturais. Aqui, guardadas as devidas proporções, as Jedicon são uma oportunidade para o fã ser parte do universo Star Wars caso não possa viajar e participar da Celebration.

Gostaria de agradecer publicamente a incrível gentileza e prestatividade que recebi de Henrique Granado e Brian Moura para a realização desta entrevista, cujo apoio nos últimos dias tem sido imprescindível. Nós do Ao Sugo, fãs ardorosos da saga, somos e seremos eternamente gratos pela participação para lá de especial de vocês. Que a Força esteja com vocês!

Darth Victor, diretamente da Academia Jedi do Templo Massassi

 

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

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