Star Wars: TIE Fighter

Victor Hugo, diretamente da Lodestar – Meus caros súditos do Segundo Império Galáctico, venho mais uma vez com boas notícias que afetarão toda a Galáxia Conhecida. Como todos sabem, é uma grande honra servir ao grande Império e garantir a paz galática, e para isso, é uma honra ainda maior poder fazer parte do 204o. Esquadrão Imperial de Caças.

Todos vocês que aqui estão presentes foram selecionados como sendo os melhores pilotos de caças da Academia de Carida e da Academia de Coruscant. O seu desempenho os coloca entre os mais habilidosos agentes do Império, sendo um grande orgulho para a Marinha Imperial.

A partir de agora todos vocês responderão aos desígnios da Coronel Shakara Nuress no Destróier Estelar Imperial Perseguidor, onde receberão um treinamento destinado apenas à elite da elite. Servir o 204 é servir de perto a sua própria alteza imperial, atuando como um braço do próprio Imperador Palpatine.

Outros já serviram o 204 antes de vocês, e todos eles serão para sempre lembrados pelos seus esforços no Mausoléu da Cidade Imperial. Aos grandes homens, grandes feitos. Fiquem orgulhosos por serem aqueles que levarão a paz e a estabilidade para todos os cantos do Império.

Animou? Nunca viu uma história de Star Wars contada pela perspectiva do Império? Pois bem, está é a sua chance. Star Wars: TIE Fighter conta as peripécias do famoso Esquadrão 204, notório por ser um dos mais implacáveis na luta contra a Aliança Rebelde e a Nova República.

Com roteiro de Jody Houser e ilustrado por vários artistas, Star Wars: TIE Fighter foi lançado pela Marvel Comics em conjunto com o já falado aqui Star Wars: Alphabet Squadron, de Alexander Freed, sendo uma mega campanha de marketing que atravessou o mundo dos livros e dos quadrinhos.

A ideia não tem nada de novidade, sendo que a primeira campanha de marketing crossmedia foi Shadows of the Empire em meados da década de 1990 quando a nossa saga favorita ainda estava nas mãos de George Lucas. Star Wars: TIE Fighter tem como meta não apenas explicar alguns gaps que surgiram em Alphabet Squadron, como também apresentar aos fãs o outro lado da moeda: o do Império.

Não existe uma obrigatoriedade na ordem da leitura, pois as histórias se tocam em partes, porém, sabendo que Alphabet Squadron ainda terá sua continuação em outros dois livros a serem lançados agora em Junho de 2020 e em 2021 (espero). Li Star Wars: TIE Fighter logo depois de Alphabet Squadron, o que foi bom e ruim ao mesmo tempo.

Apesar da ideia bastante promissora, Star Wars: TIE Fighter foi uma grande decepção. Assim como vários outros títulos da saga que agora estão nas mãos da Marvel Comics, TIE Fighter sofre com um enredo apressado e uma arte bastante inconstante. Embora Houser consiga garantir a consistência em todas as edições (apesar de ser uma narrativa deveras alucinada), a inconstância na arte meio que me tirou do clima todo, algo que é percebido em vários outros títulos da franquia.

TIE Fighter possui uma premissa fantástica, mas não consegue atingir seu objetivo de apresentar o Esquadrão 204 tal como é feito em Alphabet Squadron: sendo uma campanha crossmedia, aparentemente os dois lados da moeda são apresentados de de maneira desigual. Enquanto no livro o leitor acaba simpatizando com os personagens do nosso Alphabet Squadron, a narrativa acelerada de TIE Fighter faz com que o leitor não consiga se prender na equipe imperial.

Embora muitos critiquem o antigo Universo Expandido e os quadrinhos de Star Wars em tempos de Dark Horse, é notável observar que esse tipo de problema na narrativa, apesar de acontecer, não era tão frequente. A própria série X-Wing: Rogue Squadron da Dark Horse consegue com muito sucesso apresentar a equipe vitoriosa da Nova República, garantindo o espaço e cuidado adequado com os personagens.

Tal questão me faz pensar no perfil da produção editorial de Star Wars nas mãos da Disney. Com algumas poucas exceções, percebe-se um conteúdo voltado talvez unicamente para o mercado e pouco preocupado com a narrativa ou qualidade. Embora o “recém” formado LucasFilm Story Group esteja fazendo um trabalho memorável na manutenção da continuidade do novo cânon de Star Wars, não me parece que o novo cânon tenha deslanchado plenamente, principalmente no universo dos quadrinhos.

Apesar das minhas árduas críticas, TIE Fighter tem o mérito de levar ao leitor de quadrinhos justamente ao outro lado que não é, nem foi e dificilmente será contado no cinema e na telinha, o lado dos vilões. TIE Fighter apresenta a propaganda imperial e a maneira como os oficiais imperiais pensam, ainda mais em tempos da polêmica Operação Cinzas. A narrativa contada pelo lado do Império não é novidade no mundo dos livros e nem dos jogos, mas diante do novo cânon, tá valendo.

Se você já leu TIE Fighter, não deixe de comentar aqui sobre as suas impressões. Mas cuidado: subversões não são bem-vindas no Segundo Império Galáctico.

Autor: Victor Hugo Kebbe

Antropólogo, Guardião do Holocron e exímio piloto de A-Wing.

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