Cinema

Star Wars, a força e a energia vital– Episódio 1

‘Size matters not. Look at me. Judge me by my size, do you? And well you should not. For my ally is the Force, and a powerful ally it is. Life creates it, makes it grow. Its energy surrounds us and binds us. Luminous beings are we, not this crude matter. You must feel the Force around you; here, between you, me, the tree, the rock, everywhere, yes. Even between the land and the ship.’

Mestre Yoda – Diálogo com Luke em Dagobah – Episódio V Empire Strikes Back

‘The act of living generates a force field, an energy. That energy surrounds us; when we die, that energy joins with all the other energy. There is a giant mass of energy in the universe that has a good side and a bad side. We are part of the Force because we generate the power that makes the Force live. When we die, we become part of that Force, so we never really die; we continue as part of the Force.’

George Lucas descrevendo a força durante uma coletiva de imprensa quando do lançamento do episódio V – Empire Strikes Back [Bouzereau: 1997]

Muito se disse e se tem dito a respeito da força na saga Star Wars, e não escaparemos das referencias clássicas sobre o tema. Mas nesta pequena série de diminutos artigos que me proponho a escrever para o Ao Sugo, em primeiro, eu gostaria de fazer uma coleção de algumas reflexões a respeito da Força, tal qual pensada na saga Star Wars, e efetuar uma comparação entre esses entendimentos sobre ela e a noção de Ki – ou energia vital – retirada de um conjunto de práticas japonesas e suas artes marciais associadas para tentar, com esse exercício, auxiliar no entendimento de ambas talvez. Em segundo lugar, essa correlação entre a força e o Ki [e o correlato chinês – Chi] já foi apontada por alguns estudiosos da serie, entre eles Kaminski [2008, p. 75-77], e há de se notar a respeito da elaboração da saga na década de 1970 a influencia que o cinema japonês na sua vertente heroica de filmes de época teve na própria formação de George Lucas, influencia essa devidamente reconhecida.

Neste primeiro episódio, eu gostaria de iniciar meio que um esboço a respeito dessa comparação e apresentar alguns elementos que ajudem a pensar em primeiro apenas a força. Com o correr dos textos traçarei algumas linhas dessa comparação e ao final dos episódios espero tentar trazer os elementos que permitirão pensar a força como uma reflexão derivada da noção de energia vital japonesa. Até lá, por favor participem com comentários para que possamos ir discutindo no que for possível!!

De acordo com a saga, poderíamos sintetizar provisoriamente algumas formas de se entender a força [note-se que outros aspectos podem ser elencados]:

1- Energia em geral;

2- Relação com a bio corporeidade – Midi-chlorians e mitocondrias;

3- Telequinese e psicoquinesia;

4- Ação sobre outros entes e seres vivos;

5- Aspectos particulares de uma cultura Jedi ou Sith;

6- Práticas ascéticas, rituais e acesso a holocrons e documentos que desvendam aspectos chave para o desbloqueio do corpo e da mente Jedi ou Sith.

Em termos gerais, bem gerais mesmo, penso que esses termos nos permitem começar o desenho desse esboço de comparação. Sobre a primeira, força é pensada como um grande caldo energético que envolveria todos os seres vivos; os Jedi, sendo sensíveis a esta energia, poderiam manipula-la. Já para os Sith, em termos bem gerais, haveria a crença de que além de estarem neste caldo de energia e manipulá-la, eles poderiam produzir a força por si mesmos. Sobre o ponto dois, há uma discussão presente no episódio 1 e em livros sobre os Midi-chlorians, que por definição seriam formas de vida microscópicas e inteligentes que viveriam no interior das células, e que seriam responsáveis pela manipulação da força no nível celular. Especial atenção sobre a possibilidade de comparação disso com as mitocôndrias, que por definição são as usinas de energia das células, e tem por função fabricar atp [adenosina trifosfato] a partir do açúcar no processo de respiração celular. Em certo sentido há correspondências entre as duas coisas. Sobre a terceira, Telequinese e psicoquinesia, uma das qualidades dos Jedi e Sith seria mover coisas com essa energia capturada do ambiente, tanto por seus próprios corpos como por suas mentes. A respeito do ponto quatro, os seres sensíveis à força/energia poderiam influenciar outros seres e entidades vivas, influenciando sua capacidade de julgamento e ação. Por fim, nos pontos seis e sete esse entendimento, captura e manipulação da força/energia é derivada de conjuntos não fechados de inserção daqueles seres sensíveis a essa energia em uma cultura Jedi ou Sith [de onde existem variâncias no entendimento e manipulação da força, que definirão em grande medida seu arco de desenvolvimento futuro], e esse arco de desenvolvimento se dá tanto numa ampliação dos aspectos cognitivos-mentais quanto nos aspectos de fabricação de seus corpos com o intuito de melhorar a filtragem dessa energia e/ou sua fabricação no nível celular-corporal.

Essa seleção de elementos tem o objetivo de tentar iniciar essa discussão e comparação, e espero que apesar das diferenças e entendimentos, elas possam auxiliar nesta linha de reflexão. Bom, até breve. Que a força esteja com a gente!

Artigo escrito especialmente para o Aosugo por Gil Vicente Nagai Lourenção, Jedi Consular

Referencias

Bouzereau, Laurent (1997). Star Wars: The Annotated Screenplays. Ballantine Books.

Kaminski, Michael (2008). The Secret History of Star Wars. Legacy Books Press.

Nagai Lourenção, Gil Vicente 2017.: The relative energy: final report on the notion of Vital Energy – Ki. Presented at International Conference of Japanese Academy of Budō – 50th Anniversary Conference – Osaka, Japan.

Nagai Lourenção, Gil Vicente 2016. O Espirito Japonês: esboço para uma arqueologia etnográfica do Ki. Shuhari – os três momentos do aprendizado da maestria. Tese de doutoramento em Antropologia Social. Universidade Federal de São Carlos.

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