Jabba, o Hutt

Há 30 anos John Williams explodiu a cabeça de todo mundo com a trilha sonora de Star Wars Episódio VI – O Retorno de Jedi. Tal qual o retorno de Luke como Cavaleiro Jedi, em sua terceira participação para a saga da família Skywalker Williams trouxe uma obra igualmente madura que merece todo o nosso respeito, muito obrigado.

Star Wars – The Return of the Jedi: The Original Soundtrack é definitivamente uma das melhores pedidas para os fãs de trilhas sonoras orquestradas, sendo um item obrigatório na coleção. Na lista dos sete álbuns mais vendidos de 1983 e portando um dos temas mais famosos da franquia (o tema do Luke e da Leia), esta trilha sonora foi disponibilizada em cinco versões (1985, 1993, 1997, 2004 e 2007).

Graças à melhoria do processo não só de captação de áudio, mas fundamentalmente da remasterização digital, a edição de 1997 (esta que faz parte do pack das trilhas da Special Edition) é considerada infinitamente superior às edições anteriores, até que foi relançada em anos seguintes sem maiores alterações na qualidade sonora. Para os fãs e músicos atentos isso pode ser percebido se comparada com os álbuns do Episódio IV e Episódio V.

Contudo, apesar do avanço tecnológico, a trilha sonora do Episódio VI é musicalmente inferior em relação aos episódios anteriores (IV e V, não se esqueçam!). Calma, explico. Uma Nova Esperança não só revolucionou o mundo do cinema, como sua trilha sonora foi o sucesso que foi justamente por inovar as produções musicais cinematográficas com temas ousados e pungentes. Já a trilha de O Império Contra-Ataca (analisada no Ao Sugo neste link) foi, na minha singela opinião, o ápice da criatividade de Williams, desta vez infinitamente mais densa que o filme anterior e que trouxe pelo menos quatro temas fundamentais de toda a saga (a Marcha Imperial, o tema de Yoda, o tema de Han Solo e Leia Organa e o tema do Resgate no Planeta Gelado).

Por outro lado, representando o embate final entre a Aliança Rebelde e o Segundo Império Galáctico e, sendo o momento de retomada de vários conceitos dos filmes anteriores, a trilha sonora de O Retorno de Jedi se ocupa da recuperação de temas já consagrados, havendo pouco espaço para a inovação, mesmo sendo a trilha sonora mais longa dos seis filmes.

Musicalmente falando, dos – poucos – novos temas que merecem destaque (e que são brilhantes, não se enganem), devo apontar primeiramente para o tema de Jabba, o Hutt, em um dos solos mais divertidos já criados para Tuba: displicente, ousado e bonachão, tal qual a lesma gigante que tanto adoramos. O som do “ar vazado” nas notas mais graves representa em parte a estatura e obesidade do personagem.

Outro tema que deve ser comentado é o dos irmãos Luke e Leia que, nesta película, se descobrem irmãos. O tema recupera o espírito e a graciosidade já ouvida antes no tema de Yoda e representa, conforme vai repetindo sua melodia principal num crescendo que envolve toda a orquestra, a nova compreensão da mudança deste elo entre dois personagens. Antes muito próximos, agora só poderiam ser irmãos e, sobretudo, unidos também pela Força. Sua resolução com o uso das flautas retoma a introdução, criando a sensação de aceitação após essa nova compreensão.

Tema importantíssimo é o do Imperador (The Emperor Confronts Luke), com o uso excepcional de um coral masculino que modula vagarosamente sua melodia no acorde de Sol menor. O uso de notas longas (em ligadura) confere um aspecto orgânico para o Lado Negro, recurso utilizado de modo similar (e em outro tom) para o tema da Força de Uma Nova Esperança. O mais interessante disso tudo é que o contraponto dessa organicidade sombria está na Marcha Imperial, também em Sol menor e que é pontuada do começo ao fim em notas curtas, repetidas e precisas, nos remetendo diretamente ao mundo da repetição, precisão, da tecnologia e, portanto, das máquinas. De certa forma o tema do Imperador mostra como o Lado Negro faz, de fato, parte de uma religião antiga e nem tão esquecida assim que foi inserida secretamente na máquina imperial, ou seja, entremeada no tema de Darth Vader… Genial? Nem preciso dizer.

Ainda falando do tema do Imperador, vale dizer que foi o primeiro uso de um coral nos temas de Star Wars, algo que só foi repetido mais de uma década depois em A Ameaça Fantasma. Neste último o coral também foi usado para apresentar o Lado Negro, também em tons menores e de modo incidental nos créditos finais… Se deu certo lá em 1983, por que não daria na virada do milênio?

Se os dois temas da Cantina de Mos Eisley em Uma Nova Esperança apresentaram de modo absurdamente ousado outras possibilidades na utilização dos instrumentos, o blues, o antigo Lapti Nek, o “Jedi Rock” e o Recital Barroco executados em O Retorno de Jedi conta com execuções pouco originais, não menos divertidas, porém pobres.

A trilha sonora de O Retorno de Jedi é algo que se deve ter em casa, assim como as trilhas dos episódios IV e V (meu deus, a trilha sonora do Episódio V então, pelo amor de deus… procure imediatamente este álbum e se redima da sua insignificância; caso ainda não tenha se tocado sobre o que estou falando, clique já aqui e veja a análise aosugolesca desta trilha). Por ironia do destino começou a tocar o tema da explosão da Segunda Estrela da Morte (Through the Flames) enquanto finalizo este artigo. Missão cumprida.

Darth Victor, um dos músicos da Cantina

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

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