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Dragonlance

Saudações! Vim aqui escrever um pouco sobre Dragonlance e RPG, respondendo a um convite que fiquei muito honrado de receber. Preciso dizer que a minha experiência no assunto não é extensa, mas acho que consigo fazer uma introdução para quem não conhece estes livros, ou talvez trazer uma leitura agradável e divertida para quem já os conhece.

Meu primeiro contato com Dragonlance foi, por mais estranho que possa parecer, por meio da música. Sim, música. Especificamente, a música The Soulforged, do grupo Blind Guardian – se você já conhece ou quer conhecer Dragonlance, recomendo altamente ouvi-la! Eu ouvia a música e me sentia altamente frustrado por não saber do que ela fala… “And I see death through golden eyes” (“E eu vejo a morte com olhos dourados”, em tradução livre) – e não, não é exatamente uma metáfora. Quem conhece entenderá, quem não conhece… não quero contar spoilers!

Mas afinal, o que é Dragonlance? Dragonlance, criado por Laura Hickman, Tracy Hickman e Margaret Weis, pode ser visto, a meu ver, como mais um mundo ou cenário de fantasia, com suas regras, suas raças, sua magia… O mundo de Krynn é em vários aspectos similar à Terra-Média ou Forgotten Realms. Na trilogia original de Dragonlance (à qual outras se seguiram), temos um típico grupo de aventureiros viajando por florestas e por cidades e salvando o mundo de um inimigo poderoso. O grupo conta com Tanis Meio-Elfo, um guerreiro e líder; Caramon Magere, um guerreiro muito, mas muito grande e forte e bondoso; Tika Waylan, uma garçonete que luta contra draconianos com sua panela na falta de uma arma melhor; Raistlin Magere, um mago (O. Raistling. É. FO*&¨%. Sem mais)…

Dragonlance

Fazendo uma comparação com a Terra-Média, em Dragonlance nós não temos orcs, mas temos draconianos; nós não temos Sauron ou Melkor, mas temos Takhisis; temos humanos e elfos (que não são exatamente imortais, mas vivem por alguns séculos); temos anões e também temos gnomos, cientistas malucos cujos 90% de suas invenções explodem; temos dragões… Em Dragonlance nós não temos hobbits (ou halflings), mas temos Kender

Quem são os Kender? À primeira vista podemos pensar que são análogos aos hobbits. São pequenos, sabem ser furtivos quando querem e, assim como os hobbits, os kender nunca foram levados a sério por ninguém. Mas mesmo assim pelo menos um kender foi essencial para a vitória sobre os inimigos do mundo.

Contudo, as semelhanças terminam por aí… Os hobbits são seres pacatos e que gostam de fumar um cachimbo depois do seu terceiro almoço do dia; já os kender são “sem noção”. Eles gostam de aventuras e de viagens; não têm medo da morte – não por serem destemidos ou corajosos, mas simplesmente porque a morte pode ser, digamos, uma experiência interessante então “a última grande aventura”, nas palavras de Tasslehoff Burrfoot. Para compensar, os kender têm muito medo do tédio. Não há tortura pior para um kender do que ser trancado sozinho numa sala sem nada pra fazer. E não há tortura pior para um membro de qualquer outra raça do que ser trancado numa sala sozinho com um kender. Se o kender ficar trinta segundos em silêncio, considere-se com sorte, muita sorte.

Dragonlance

Uma recomendação aos jogadores: Se você está jogando com um kender e não irritou pelo menos metade da mesa na última sessão, tem que melhorar isso aí!

Os kender gostam de falar muito (muito mesmo) e embelezam as histórias de todas as formas possíveis, falando sobre mil e uma coisas não relacionadas ao mesmo tempo. Vou dar um exemplo….

Pense na frase “A galinha atravessou a rua.”

Um humano diria: “A galinha atravessou a rua.”

Um elfo diria: “A galinha atravessou a rua.”

Um draconiano diria: “A galinha ia atravessar a rua, eu a peguei e foi um belo almoço.” (coloque rugidos guturais aleatórios no meio da frase.)

Um kender diria: “A galinha? Eu gosto de galinhas. Quando era pequeno tinha um primo  que se chamava Ushahof e tinha um amigo que conhecia o próprio Tasslehoff Burrfoot! O original, o que ajudou a salvar o mundo! Eu quase conheci ele, o Tasslehoff, mas naquele dia fiquei doente pois na véspera tinha ido catar cogumelos para o jantar, tropecei num ramo e caí dentro de uma caverna, onde havia um urso gigante! Eu me escondi atrás da pedra e fiquei escondido, com o urso tentando me pegar… mas sou pequeno e ele é grande, né, então, fiquei lá por três dias até o urso ir embora e quando voltei Tasslehoff já tinha ido embora. Mas então, do que eu falava mesmo? Ah é, meu primo, então, quando éramos crianças gostávamos de correr atrás de galinhas, eu e Ushahof, e uma vez o galo estava perto e correu atrás da gente! Foi uma bela de uma corrida, aposto, tenho certeza que jamais alguém correu com aquela velocidade! [Até este momento metade da audiência já teria ido embora.] Então, tinha esta galinha, e – vocês não vão acreditar! Ela… atravessou… a… rua. A rua, ou o caminho, ou a estrada, não sei bem dizer, deve ter sido uma estrada… e talvez ela teria seguido pela estrada – vocês gostam de viajar? Eu adoro viajar! E algo que nunca entendo é porque tanta gente se preocupa com a chegada e não com a viagem – qual a graça de viajar sem olhar pros lados, sem conhecer cada detalhe da floresta? Se eu fosse a galinha, com certeza teria andado um pouco pela estrada antes de atravessá-la!…”

Dragonlance

E assim por diante.

Não é à toa que a maior parte das pessoas odeia os Kender. Em minha opinião são bem legais.

Fora isso, Dragonlance tem os elementos de uma boa história de High Fantasy. Um grupo de heróis que salva o mundo; personagens sérios e não-tão-sérios, cada um realizando feitos inesperados e assim por diante. E existe todo um universo de histórias independentes no mundo de Krynn, como o livro Alien Sea, que fala de elfos do mar lutando contra um mal se alastrando pelos seus reinos. Eu não diria que Dragonlance seja uma obra-prima como Senhor dos Anéis, mas é uma leitura agradável e interessante (a verdade é que não li o suficiente pra poder afirmar se é uma obra-prima ou não). Mas é uma leitura que eu recomendo para todos que gostam da literatura fantástica. Divirtam-se!

Pavel Tarwen, kender e amigo de Ushahof, que tem um amigo que conhece Tasslehoff Burrfoot

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

2 comentários »

  1. Eu conheço Dragonlance já faz muitos anos e posso afirmar que sua maior caracteristica está na riqueza de histórias. Acho que não existe nada em Dragonlance que não tenha virado tema de algum livro.

  2. essa resenha me mostrou que o George RR Martin é um Kender. aquela mania de descrever os botões dos vestidos das putas ou a mancha no pau do anão, caramba q saco. só consegui terminar os cinco livros a custa de muito sofrimento, e ainda assim convertendo os livros para audiobook, por que eu já não aguentava mais aquela procrastinação (finalmente usei essa palavra, rsrsrs) dele, fiquei um bom tempo sem le-los e só voltei por que eu tenho uma regra de não deixar as leituras pela metade, mas sinceramente essa saga só se mantem viva por causa do Hype causado pela série. caso contrario nem teria chegado aqui.

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