Venho neste último artigo em forma de apelo expressar o que acredito ser os últimos momentos da minha ou das nossas vidas. Não há tempo para revisões, então já me desculpo pelos eventuais erros de português ou digitação, o tempo é pouco. Só agradeço mais uma vez pelos leitores assíduos do Ao Sugo pela atenção e por nos acompanharem até este momento final.

Tudo começou ontem, um maldito dia infernal que começou às 3:13 da madrugada para ser mais exato, com o maldito som de sirenes aqui perto de casa. Primeiro começou com uma, do tipo policial, depois duas, depois três e assim continuou até mais ou menos 8:30 da manhã, quando a coisa toda parecia ter ficado mais normal. Nesse meio tempo, nem televisão nem rádio nem internet informava nada a respeito do que estava acontecendo aqui nos arredores, o suficiente para acordar metade do quarteirão com várias pessoas saindo às janelas de suas casas ou mesmo chegando às calçadas com o céu ainda escuro querendo saber o que estava acontecendo.

Desisti. Tentei dormir, mas sabe quando você ta com aquele sono “standby” que não está totalmente apagado nem totalmente consciente? Então, assim. O problema foi acordar às 8 horas e ter visto a cara dos meus pais e irmãos. Nenhum deles tinha ido à aula, nem minha mãe nem meu pai tinham saído para trabalhar. Estavam perplexos, preocupados, desorientados. Antes mesmo de perguntar, deu pra entender. Lá fora aqui na rua tava parecendo um corredor militar: tanques de guerra verdes e jipes e caminhões atravessavam a rua toda, com vários soldados das mais variadas patentes coordenando o avanço dos veículos, sem contar o trabalho da Polícia e do Corpo de Bombeiros, espalhados em alguns pontos de cada quarteirão até onde a minha vista conseguia alcançar.

Às 8:30 deu o primeiro informe na televisão no telejornal regional: havia caído alguma coisa, grande, aqui perto, há mais ou menos 150Km de Descalvado. Sei lá o que era, pensei no começo que era um avião de passageiros, já que tem empresas de manutenção de aviões desses grandes aqui perto, mas não justificava a presença maciça das Forças Armadas marchando aqui do lado de fora da minha janela. Bom, isso continuou, parecia que não ia acabar mais, quando às 16:20 da tarde teve um pronunciamento oficial com o prefeito, o governador e o presidente juntos, transmitido sabe lá de onde. Nesse momento as ruas ficaram desertas: provavelmente todo mundo parou pra ver o pronunciamento, exceto os caras armados até os dentes lá fora. Pra você ter idéia, aqui em casa a tevê ficou ligada no canal de notícias enquanto meu pai sintonizava o rádio local, que, aliás, estava com uma interferência incrível. Nunca fui muito fã de AM, mas nossa, nesse dia não dava pra ouvir nada no aparelhinho. Bom, em todo caso, ninguém parecia saber realmente o que estava acontecendo, até o maldito pronunciamento.

Caiu a porcaria de um Objeto Voador Não-Identificado bem aqui perto, sei lá, há 40 minutos de carro daqui de casa. Eu que sempre fui fã de Arquivo X não entendi tudo o que o prefeito, o governador e o presidente estavam falando. O meu irmão, que provavelmente não deve nunca ter visto um pronunciamento oficial, grudou na tela. Minha mãe chorava. Mas falaram que caiu uma porcaria em forma de disco, de 113m de diâmetro, quase aqui do lado de casa, uma porcaria de um disco que segundo o presidente havia caído aqui do lado da minha cidade e cujas escotilhas não abriam nem a porrete, mesmo com o maldito exército inteiro marchando aqui fora nem nada.

O único que parecia manter a calma era meu pai. Meu irmão, grudado na frente da televisão, nem piscava. Minha mãe e minha irmã ficaram olhando assustadas para a TV, mas isso nem foi o pior. Imagina, cair a porcaria de um disco voador aqui do lado não foi o pior! Piorou quando o presidente informou no maldito pronunciamento que os telefones e a internet estavam caindo em tudo quanto é canto porque uma série de satélites de telecomunicações, não só nossos como internacionais, simplesmente sumiram do mapa. Ninguém sabia o que tava acontecendo, nem eu, nem meu irmão, nem o Exército, nem o presidente. Nem o presidente sabia o que tava acontecendo.

Às 19h dava pra perceber que ninguém estava mais nas ruas a não ser os soldados e estranhamente as viaturas enormes e barulhentas do Corpo de Bombeiros começaram a sair da formação, todo mundo de sirene ligada e correndo em direção ao centro da cidade feito doidos. Logo em seguida uma série de estampidos e barulhos absurdamente altos começaram a ser ouvidos dos céus e pronto, tinha chegado sabe lá quantos caças da Força Aérea, todo mundo pro centro! Não devia ser coisa boa.

E não era. No telejornal regional uma repórter ensandecida, daquelas que provavelmente nunca iria cobrir uma guerra, gritava no microfone e mostrava vários prédios da região do centro daqui da minha cidade em chamas. A porcaria da guerra do Iraque devia ter chegado no quintal de casa, mas nem era isso. Declararam estado de sítio na tevê. Sabe o que é estado de sítio, né. Ninguém tinha coragem pra sair de casa e passou alguns minutos a baderna no centro parecia ter diminuído. Alguma besta provavelmente se aproveitou da bagunça toda e colocou fogo, aquele tal do incêndio criminoso, em alguns prédios. Devia ser isso. Eu estava rezando pra ser isso.

Não dormi naquela noite, ontem. Nem eu nem meu irmão nem meu pai. Minha irmã e minha mãe tomaram um calmante aí e dormiram como se fosse uma daquelas confortáveis noites de inverno embaixo do edredon. Menos a gente. Nessa hora já não tinha mais nenhum sinal da TV paga aqui em casa e acho que em casa nenhuma. Saiu tudo do ar, não sei. Só o canal do telejornal regional tava funcionando. Não sei também o que fizeram com o resto dos outros canais e nem o que tinha acontecido com  o rádio, que realmente não queria funcionar. Bom, faz 15 minutos agora, mas saiu uma chamada no telejornal regional. 15 minutos atrás. Mostraram cenas dos prédios de ontem, agora sem fogo algum. Os bombeiros resolveram tudo. Mas não foi incêndio criminoso. Os prédios foram atingidos com bombas. Bombas! Depois disso, mostraram cenas da região rural aqui, mostrando uma cena que eu tremo em descrever: várias aeronaves em forma de disco estavam se aproximando. Havia começado a invasão!

Pessoal, em homenagem ao famoso discurso radiofônico de Orson Welles de 1938 e ao filme Guerra dos Mundos de 1953, o Ao Sugo deseja a todos você um excelente Primeiro de Abril, Dia da Mentira.

Victor Hugo

“Este texto é fictício. Qualquer semelhança de personagens, locais ou acontecimentos é mera coincidência, por se tratar de um exercício da língua e uma homenagem ao conhecido Dia da Mentira. O Ao Sugo não se responsabiliza por imbecis que acreditam em tudo que lêem” – MV, VH

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

11 comentários »

  1. Aiaiaiai Victor Hugo e amigo…bom antes de mais nada ótimo texto, e ótima piadinha de 1º de abril…….tava quase acreditando, pq aqui ocorreu um fato parecido rsrsrrs….como diria minha amiga camila nem toda notícia é um fato !rsrs..!!!!
    bjinhos…

  2. Adorei! Que imaginação, heim seu Victor? hehhehhehe
    agora… nem na ficção certa emissora sai do ar? Acho que ela tem parceria com esses ETs.

  3. Esse texto é sua cara! hehe
    Eu queria te agradecer, pois se não fosse por seu texto o dia teria passado em branco pra mim. Passei anos tentando não cair nas trapaças de minha família (principalmente minha avó), e devo confessar que raramente descobria a mentira! Era um dia que aguardávamos ansiosas o ano todo. Passávamos dias pensando como enganaríamos umas as outras! Claro, as histórias não eram tão elaboradas e passavam longe da fantástica idéia de Orson Welles, mas eram divertidas!
    Por isso, Victor Hugo, obrigada!

  4. Hahahhahahah… Victor… ficou ótimo mesmo… que tal mudar de profissão ein… Hahahahhahahah…
    Ficou muito bom mesmo… acho que depois de tanta propaganda pra eu visitar o site… entrei no dia certinho… amei… hahahahhahahhahah… não consegui deixar de ler por um minuto… hahahahahahhah
    Saudades e um grande beijo!!!!!

  5. Como estou lendo esse texto hoje…quase dois anos se passaram e estamos a véspera do carnaval e não do mês de abril…nem me toquei kkkkk Eu lia e pensava, nossa eu não me lembro dessa história será quando que aconteceu kkkk Foi divertido!!

    Ps. Eu já vi objeto voador não-identificado! rs

  6. Me pediram para eu contar a história do OVNI vai lá…

    Era duas horas da manhã do dia 01/01/2008 estava eu e uma tia na janela do quarto dela…estavamos conversando quando veio um objeto com uma luz enorme para cima de nós…chamamos…minha prima e o namorado, mas eles naum foram para lá…então naum pensamos duas vezes e subimos para o segundo andar para ver melhor…nisso o objeto sobe rapidamente para o céu e some..foram segundos…naum era avião e nem helicoptero…adorei…queria ter feito contato kkkk

    Ahhh naum tava bêbada…na época naum bebia kkkk

  7. JURO QUE ACREDITEI NO INÍCIO.

    Mas foi ficando bizarro demais e não me lembro de nenhum pronunciamento sobre discos voadores caindo em São Carlos, hahahaa…

    Achei o texto simples e eficiente. Prende a atenção do leitor. Gostei.

  8. heheheh muito bacana, se tu fosse Jedi ou Fremen iria ver qualéqueera a bodega da coisa, mas como é Trekker iria com certeza oferecer suas habilidades como piloto da Enterprise para os alienígenas hehehe

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