Demorou, mas aconteceu. Doze anos depois da última vez que heróis sem-nome espalhados pelo mundo defenderam o mundo de Santuário dos Males Primordiais, até que finalmente a Blizzard Entertainment cumpriu o prometido e trouxe a tão esperada continuação de Diablo, o terceiro jogo da série.

Foi tudo isto, mesmo? Foi. O primeiro Diablo saiu em 1996 – com considerável sucesso. O jogo, um RPG de ação, tinha uma mecânica bem simples: era uma perspectiva isométrica, e você ia explorando calabouços, matando monstros e recolhendo itens e tesouros. Simples. Uma boa aventura, diriam. Nada como pegar uma espada e sair matando demônios por corredores escuros. E aí que a fórmula funcionou. Diablo tinha apenas três personagens para escolher (guerreiro, arqueira e mago) e mesmo assim possuía um replay muito bom: por mais que você tivesse terminado o jogo, acabava se aventurando por Santuário novamente.

Diablo também foi o começo do que seria uma febre de jogos on-line. Na época, por IP ou rede, com computadores conectando-se diretamente. A Battle.net estava lá mas, no Brasil, com conexão discada, era complicado. Isso sem falar dos hackers que eram uma verdadeira praga – jogar pela Internet era coisa nova, e ninguém tinha pensado muito bem o que fazer para impedir os hackers.

O sucesso do primeiro game da série justificou o lançamento de Diablo II, em 2000. Em todos os aspectos, o jogo evoluíra para uma versão mais longa, com mundo mais amplo, melhores gráficos, mais classes e profundidade. Logo depois, o segundo jogo da série ganhou uma expansão: Diablo II: Lord of Destruction, que dava ao jogo original um novo (o quinto) ato, com o desfecho da história. Para quem terminou Diablo II com sua expansão, ficava difícil imaginar o que poderia vir – afinal, os Males Primordiais (Mephisto, Diablo e Baal) estavam mortos. Contudo, como a Blizzard dificilmente larga mão de suas melhores franquias, era justo deduzir que uma continuação pudesse vir. Até o final de Diablo II: Lord of Destruction dava a entender um fechamento posterior.

A qualidade de Diablo II trouxe à Blizzard uma legião de fanáticos não só pela mecânica do jogo, como pela história do mundo criado para o game. Santuário evoluiu para um mundo mais complexo, e seu background foi envolto – de forma mais elegante e envolvente – numa batalha de Anjos contra Demônios, Paraíso contra Inferno Ardente. Um mote não lá muito original mas que utilizado com a costumeira sagacidade da Blizzard, criaria um monstro da indústria, faminto por arrematar mais e mais jogadores.

Enquanto um terceiro jogo da franquia não chegava, os fãs deliciavam-se com a possibilidade de replay do segundo jogo. Eram três níveis de dificuldade (Normal, Pesadelo e Inferno) cujo desafio aumentava exponencialmente, além da amplitude da escolha de classes: sete, para quem tivesse a expansão. Com o adendo de uma Battle.net mais elaborada, Diablo era uma experiência de jogo que poderia se estender por muitas, muitas horas.

Contudo, a continuação – que era certa, pensavam os fãs – começou a demorar demais. A própria Blizzard envolveu-se em outros projetos: o mais notável deles foi o gigante dos massive multiplayers World of Warcraft, que arrebanhou uma bela fatia do público sedento por aventuras em mundos de fantasia medieval. E isto incluía, também, os jogadores de Diablo, que eram envolvidos já por um sentimento de abandono, porque WoW começou a ganhar proporções que faziam com que a Blizzard desse pouca importância ao que estava à sua volta. E nestes anos o boato de um novo Diablo nunca arrefeceu, só que perdeu força, é claro.

Foi em Junho de 2008 que a Blizzard finalmente oficializou a produção de Diablo 3. Sem data de lançamento definida na época, a notícia foi recebida com um êxtase pelo mundo todo. A espera foi substituída por alívio, alegria e expectativa. E mais espera.

O projeto tomou tanto tempo que se chegou a cogitar não sairia mais. Durante os anos seguintes, a Blizzard anunciou e cancelou datas de lançamento para o título de uma maneira irritantemente incessante. E a velha esperança começou a tremer novamente. Dedos impacientes tamborilavam ao lado de mouses e teclados que esperavam ansiosamente por cliques incessantes para levar machados a crânios demoníacos. Mas, não. Ainda, não.

O grande problema é que a sede pelo novo jogo começou a transformar-se em preocupação. Afinal – pensava-se – o que estava sendo feito que justificaria tamanha demora? Teorias e teorias rodopiavam pelo fandom de Diablo, com rumores que iam desde a mudança da perspectiva isométrica para uma versão em terceira pessoa (à lá WoW), como também se o próximo Diablo seria um MMO (massive multiplayer on-line) ou, também, se seria, pura e simplesmente, mais do mesmo.

Muitas destas teorias e preocupações encontraram seu fim quando as primeiras screenshots começaram a sair. O jogo continuava isométrico, o que aliviou muita gente. O susto, todavia, vinha de uma questão de paleta. Sim, de cores. “Está colorido demais, não é Diablo”, dizia-se entre as ruas de Tristram. Se era uma intenção real, um teste gráfico ou uma simples piadinha, ninguém sabe. O que se sabe é que a Blizzard ouviu, leu e guardou este feedback simples, e continuou seu trabalho.

O tempo foi passando e, quando o material começou a vir com tudo novamente, a febre começou a voltar (ela tinha esfriado um pouco depois de tanta boataria). Os gráficos eram promissores e a jogabilidade ia mudar – ninguém sabia muito bem porque e nem para o quê, mas enfim… Houve um Beta! Com um feedback até mesmo forte por parte dos fãs, que falavam do colorido e da mecânica diferente. Ainda com alguns pormenores, o jogo era bom, diziam. Bom, mesmo.

Houve glória e regozijo quando a data de lançamento – real, verdadeira e imutável – foi anunciada. Dia 15 de maio seria a data em que o jogo estaria disponível mundialmente. Olha só, que maravilha (aqui no Brasil levaria mais uns dias para o lançamento oficial, mas dava para comprar pela Battle.net).

Pois bem; a espera foi tão grande que Diablo III registrou a maior venda em pré-venda (que frase esquisita) da história da Blizzard. E a espera foi dolorosa, meu amigo. Contudo, finalmente poderíamos pisar em Santuário mais uma vez, e matar novamente – os demônios, eu digo.

O maior prazer em Diablo 3 é saber que tudo que deu nome e fanatismo aos títulos anteriores foi mantido. O estilo de jogo era, em grosso modo, o mesmo, e o enredo mantinha seu clima dark, narrando mais um episódio na eterna batalha entre o Paraíso e o Inferno, na qual os humanos – Santuário – são sempre pegos desprevenidos, mas de onde sempre vem a ajuda e força necessária.

A história se passa 20 anos após os eventos de Lord of Destruction, e você deve, mais uma vez, levantar armas contra senhores infernais: Belial e Azmodan, os últimos grandes senhores do Inferno (ou é o que somos levados a achar). A mecânica simples de construção de personagens faz com que você escolha suas habilidades favoritas quando quiser: não há o problema de “errar” ao distribuir um ponto e arruinar seu herói, o que aumenta o prazer ao desenvolver o personagem e aumenta a possibilidade de evoluir diversas classes. Aliás, elas são cinco (ao menos por enquanto): Barbarian, Demon Hunter, Witch Doctor, Wizard e Monk.

Eu poderia escrever parágrafos e parágrafos sobre o enredo de Diablo (todo ele), mas acho que este tipo de coisa precisa ser descoberta. O terceiro jogo da série não exige que você seja um exímio conhecedor da história da ambientação, mais premia aqueles que são. Se você jogou os games anteriores, vai sentir-se extasiado com velhos personagens que retornam, ou referências a acontecimentos do passado – que você vivenciou nos outros títulos. Nem o background do primeiríssimo Diablo ficou de fora, e fatos que nem são mencionados em Diablo 2, entretanto, são do primeiro game, voltam em Diablo 3 para deliciar os fãs. Para citar alguns nomes que entendidos entenderão: Leoric, Lázarus, Deckard Cain e Tyrael… Prepare-se para vê-los novamente.

Em termos de jogabilidade, o jogo continua simples, mas com níveis de dificuldade que vão escalonando o desafio. Desta vez, são quatro: Normal, Pesadelo, Tormento e Inferno. A porradaria sincera em Diablo continua sendo um de seus muitos atrativos: é o tipo de jogo que convida para sentar a bunda e, antes de perceber, já se passaram quatro ou cinco horas. É entretenimento puro enquanto você abre caminho em meio a hordas de demônios.

Para quem se preocupava com gráficos, pode ficar tranquilo. Eles estão maravilhosos, lindos, com cenários interativos e detalhados, além da animação fluida de todo o ambiente e dos personagens. O colorido até virou uma sacanagem e, na fase secreta da vez (antigamente o Cow Level), os jogadores são levados a um local alegre e feliz, onde podem esmigalhar unicórnios cor-de-rosa e nuvens felizes.

O som também é digno de nota, desde os efeitos das magias a coisas mais simples, como pedras sobre pedras ou o vento, tudo ajudando na imersão, especialmente para quem joga de fones de ouvido. Os personagens ganham vida pela dublagem, que tem um trabalho sensacional não só na versão original como na versão brasileira. Pois é, quem quiser pode jogar Diablo 3 inteirinho em português, com vozes famosas como Marco Ribeiro, Márcio Simões e muito mais gente que você vai se lembrar (como Carlos Seidl, dublador do Seu Madruga).

No final das contas, Diablo encanta pelos méritos da imersão, que vem por ser fruto da simplicidade e da maneira elegante, visualmente apelativa e bem amarrada que nos é apresentada. Há um fator em Diablo que transforma toda história numa boa história: ela é crível e faz sentido, graças ao esmero e sinceridade postos no trabalho executado. Mesmo com uma indústria competitiva como a dos jogos eletrônicos, Diablo 3 é uma homenagem e um trabalho de respeito. Quem já conhece a franquia, vai adorar. E quem não conhece ainda… Também vai adorar. É um jogo para todo mundo e, por ele, sentimos a motivação de defender Santuário de qualquer ameaça; e com magia, espada ou maldição obliterar qualquer forma de vida que tente ameaçar a nossa diversão. Por fim, matamos demônios o suficiente para chegar em Diablo – dentro e fora dos computadores.

Marcus Vinicius Pilleggi, nefalem, errante dos arredores da cratera Arreat

3 comentários »

  1. Ô, amor, ficou muito bom seu textinho ^^ (que na verdade ficou enorme hehehe). Eu que sou meio n00b nisso achei a leitura fácil e bem entendida. Parabéns!

    Te amo

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