Do 8 ao 80, Star Wars conquistou e conquista fãs desde sua concepção, há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante. Fruto da cabeça de um dos maiores empresários do cinema, a saga que narra a luta (eterna nos corações dos fãs) do Império contra a Aliança Rebelde tem uma história que remonta caça a peças e peças de um sabre-de-luz.

Nosso amigo de grande papa é natural de Modesto, uma cidadezinha na Califórnia, e seu desejo inicial não era o cinema, mas a corrida automobilística. O desejo de tornar-se piloto esvaiu da cabeça de Lucas depois de sofrer um acidente quase fatal. Paralelamente, a Universidade da Califórnia do Sul era uma das primeiras que tinham, em sua grade, o estudo do cinema. Alie o susto da cabeçada no poste com a oportunidade e pronto!,o velho foi estudar cinema e direção na década de 1960. E foi lá que ele conheceu gente parruda que ia apoiar e colaborar na sua carreira: Steven Spielberg e Francis Ford Coppola (é engraçado como esse pessoal fazia sempre parte da mesma cúpula).

Pois bem, o homem foi lá, estudou e se formou e logo depois fundou o American Zoetrope, um estúdio cuja ideia era produzir filmes independentes. Mesmo com a parceria com Coppola, o negócio não deu muito certo e fechou as portas. Mesmo assim, Papa George conseguiu lançar dois filmes por ele: THX 1138, baseado em um curta que tinha feito na facul, e American Graffiti, uma comédia baseada na região da infância do cara.

É claro que o fracasso não anima ninguém mas, acredite se quiser, foi o que fez Lucas sentar a bunda e começar a escrever. Seu maior influente foi o mitólogo Joseph Campbell, que ficou famoso por escrever sobre a jornada do herói, que identifica elementos comuns entre protagonistas de histórias diversas.

George Lucas adorava seriados de aventura que exibidos aos sábados à tarde, e sua ideia inicial era fazer algo justamente na mesma pegada. Só que o negócio foi aumentando e o cara pensou melhor; viu que daria para transformar tudo aquilo em um filme. Agora, vender a ideia que não era fácil…

Aí entra a participação vital do produtor Alan Ladd Jr., da Fox. O cara tinha assistido a American Graffiti e pensou: “Esse cara até que é bom”. Foi Ladd Jr. quem convenceu o estúdio que a produção valia a pena, e mesmo assim quase deu um tiro no próprio pé: as filmagens atrasaram, só para começar, e ninguém achava que o filme ia virar alguma coisa que prestasse. Estamos falando de uma época em que raramente uma fantasia ou ficção científica era feita com esmero necessário (não que hoje em dia seja muito diferente, mas você entendeu).

Difícil, também, era achar gente que tinha culhões para fazer os efeitos especiais do filme; na época, complicadíssimos. Lucas resolveu caçar essa galera nos jovens que estudavam cinema nos anos 1970, que poderiam encarar o negócio não só como desafio, mas oportunidade de fazer algo nunca visto antes.

Lucas pode ser muita coisa, menos burro. Muita gente ainda não sabia muito bem mo que esperar, mas o homem foi lá e lançou, um ano antes da estreia do filme, em 1976, a versão novelizada do roteiro. O livro na verdade foi escrito por Alan Dean Foster e se chamava Star Wars: From the Adventures of Luke Skywalker. Com 125 mil exemplares, a edição foi esgotada e a semente, plantada.

Foi no dia 25 de maio de 1977 que o cinema mudaria mais uma vez. Star Wars estreava no Teatro Chinês, em Los Angeles, e contrariando todas as apostas, foi um sucesso. Tanto que a Fox chegou a oferecer um aumento salarial a George Lucas, que ele recusou em troca dos direitos sobre o marketing e as continuações do longa. A Fox ainda não sabia bem o que ia virar Star Wars e acabou aceitando.

Se arrependimento matasse… Star Wars chegou a arrecadar 300 milhões de dólares em uma época em que um filme bem-sucedido, como Planeta dos Macacos, arrecava 30 milhões. Claro que, com um sucesso assim, bonequinhos e outros produtos lotaram prateleiras de lojas em tudo quanto é canto. E esgotava tudo. Tanto que Lucas começou a vender as caixas vazias com um vale-boneco dentro, que poderia ser trocado quando novas remessas chegavam. Era o conceito recém-criado de pré-venda, que George Lucas levou ao mais alto patamar.

Aí a curva foi sempre para cima. George Lucas ficou milionário e já foi atrás de fazer as continuações. Rebatizou Star Wars para Star Wars: Uma Nova Esperança e lançou Star Wars: O Império contra-ataca em 1980 e Star Wars: O Retorno de Jedi, em 1983. E o dinheiro continuou entrando, que levou à inevitável fundação de sua própria produtora: a Lucasfilm, criada com toda a grana de Star Wars e American Graffiti. A molecada que fez todos os sons e efeitos especiais não foi esquecida, e Lucas fundou a Skywalker Sound e a poderosa Industrial Light and Magic – ILM. Os videogames também não ficaram de fora e começaram a pipocar aqui e ali, inicialmente licenciados pela Lucasfilm Games, fundada em 1982, que se transformaria mais tarde na LucasArts.

A legião de fãs e o sucesso deram liberdade e dinheiro a George Lucas. Muito dinheiro. Muito, mesmo. Universo Expandido, bonecos, camisetas, lancheiras, jogos, desenhos, etc. e tal e até uma trilogia nova foram fruto de toda essa dedicação a fazer o negócio dar certo.

E Star Wars funciona porque aposta na simplicidade. Podemos criticar à vontade, só que no final teremos de admitir que a jornada do herói funciona. Não é à toa que tanta gente se identifica e gosta da saga estelar do californiano: ela toca em aspectos que nós todos temos, mesmo que muito bem enterrados em recônditos de nossa psiquê. Lá no fundo, todos queremos nossa aventura e depois voltar, seguros, para casa. O crescimento, a vitória, as batalhas… Vemos isso dia a dia sem perceber, e chega a ser engraçado que poucos percebem que, ao ver a jornada de Luke Skywalker, por exemplo, vemos a nossa própria. Todos temos nossos Darth Vaders, Han Solos, Princesas Leia e Estrelas da Morte. Só não empunhamos sabres-de-luz contra eles. Star Wars reflete o nosso desejo não de parar de lutar, e sim de fazê-lo em uma galáxia muito, muito distante.

 Marcus Vinicius Pilleggi, de uma galáxia muito, muito distante

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