Definitivamente Hellboy é um dos caras que mais respeito. Se é que pode ser chamado de cara. Estou falando de Anung Un Rama, a Besta do Apocalipse que foi trazida prematuramente para este plano pelos nazistas da Irmandade Thule em 7 de outubro de 1944. O quê, você não sabia desta parte da história?

Criação máxima de Mike Mignola, Hellboy é uma produção quase que independente e mantida pela Dark Horse Comics até os dias de hoje. Criado em 1994, o famoso Vermelhão ganhou inúmeras sagas em encadernados Trade Paperback, todos igualmente lançados no Brasil pela Mythos Editora ao longo dos anos.

Anti-heroi de primeira categoria, as histórias de Hellboy se concentram no fantástico, no Mundo do Invisível e no Mundo do Horror Lovecraftiano. Hellboy encontrou fadas, vampiros, anjos, demônios e criaturas mágicas, contando histórias sobrenaturais que levantam na mesma hora os pelos da nuca. O fantástico traço de Mignola, associado a grandes mestres coloristas como Mark Chiarello, James Sinclair, Dave Stewart, entre outros, enchem os olhos de fascínio e terror ao retratar situações, cenários e paisagens assustadoras, trazendo um cheiro de Cthullu que está impregnado nas páginas desta excelente série em quadrinhos.

Hellboy foi para o universo da animação (dois longas dirigidos por Tad Jones e com a produção executiva de Guillermo Del Toro), almejando assim abocanhar fãs mais jovens. Certamente que muito da mística sobrenatural dos encadernados se perderam, apesar de serem ainda mais próximas da obra de Mignola do que dos filmes de Del Toro.

Sim! Hellboy também virou dois filmes, obrigado. Ambos dirigidos por Del Toro, os filmes (2004 e 2008) focam numa dimensão evidentemente negligenciada por Mignola nos quadrinhos que é a da profundidade emocional dos personagens. Nestes filmes, que incitaram a ira de muitos fãs (dentre eles o Ben Hazrael), temos cenas divertidíssimas e cheias de efeitos especiais, com Ron Pearlman no papel de Vermelhão como uma atuação impecável, um Abe Sapiens absurdamente esquisito e nada a ver de Doug Jones e Selma Blair interpretando uma Liz Sherman psicologicamente desequilibrada, porém extremamente emotiva e humana…

Quanto às transposições de um formato midiático para o outro, Mignola tem uma postura bastante clara e resoluta. Não há conflito e incongruências no universo de Hellboy se ele está sendo apresentado para platéias diferentes. Nestes vários meios, temos vários Hellboys enfrentando o sobrenatural de maneiras mais ou menos próximas do que está nas páginas dos quadrinhos.. Diz Mignola que prefere assim do que uma transposição ou adaptação literal do personagem dos quadrinhos para o cinema ou animação, até que prefere deixar esses tantos Hellboys diferentes contidos em seus mundos diferentes, não misturando-os em nenhum momento.

Foi grande a minha surpresa com o lançamento de ontem no site super elegante Geek & Sundry do Hellboy – Motion Comics, técnica já conhecida dos fãs de quadrinhos com Watchmen – The Motion Comic. A idéia é simples: se pega os quadrinhos e cria-se uma animação em computador a partir dos desenhos originais, incluindo um narrador, trilha sonora, vozes e sonoplastia, tal qual um filme (é, se bem lembro, o Watchmen – The Motion Comic ficou bem esquisitão com o narrador fazendo todas as vozes…).

Não é o caso de Hellboy – The Fury, minissérie de 6 episódios com 5 minutos cada, narrando um dos arcos mais importantes do Vermelhão. Nela sabemos o que aconteceu com nosso camarada infernal quando sai do Bureau de Pesquisa de Defesa Paranormal e decide vagar pelo mundo em busca de respostas sobre a sua vida. Com roteiro de Mignola e arte de Duncan Fregredo (considerado o sucessor ou discípulo mais próximo do traço de Mignola), Hellboy – The Fury traz para o mundo da animação a atmosfera sombria dos quadrinhos, questão que foi extremamente esquecida tanto nas animações como filmes anteriores.

Mignola reconhece com entusiasmo o esforço e trabalho da Dark Horse Motion Comics no cuidado com a sua criação memorável. Como já notaram, Hellboy tem um espaço cativo aqui no Ao Sugo, já comentado previamente em Hellboy – Semesntes da Destruição e Hellboy – O Despertar do Demônio. Minha única mensagem para você é, “divirta-se”.

Victor Hugo, à prova de fogo

hellboy-the-storm-and-the-furyHellboy – The Fury, Parte I (2012)

Argumento – Mike Mignola

Arte – Duncan Fregredo

Cores – Dave Stewart

Produtor – Mike Richardson

Diretor – Erik Bruhwiler

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

Deixe um comentário elegante

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s