Faz um tempo que comentamos na Rádio Ao Sugo sobre a riqueza da ambientação de World of Warcraft, tema até que será explorado futuramente em outro episódio do podcast. São páginas e mais páginas que contam a história de Azeroth, sempre em desenvolvimento e que, assim como o Universo Expandido de Star Wars, não possui um limite ou fim visível. Para quem é fã do jogo, é uma oportunidade de ouro de conhecer a ambientação a fundo. Para quem não é fã do jogo, mas adora Literatura de Fantasia, está aí um prato cheio, envolto, no entanto, numa nuvem de preconceitos.

Pois então, não são tão infundados assim esses preconceitos, em sua grande maioria destinados ao modo de escrita ou até mesmo à capacidade de entretenimento em livros spin offs desse gênero. Como já disse o nosso caro Thomaz Castilho no episódio 7 da Rádio Ao Sugo, quase sempre os livros que saem dos jogos de RPG são escritos por jogadores ou mestres, o que compromete seriamente a qualidade do título. Sejamos francos: essa galera não sabe escrever. Eu sou mestre e não sei escrever, logo, prefiro não escrever e poupar os possíveis leitores de condenarem suas ambientações favoritas ao lerem um livro miserável desses de minha autoria.

A minha primeira experiência com um livro da série World of Warcraft foi Tides of Darkness, de Aaron Rosenberg, sendo, confesso, uma experiência conturbada. Na época eu literalmente precisava ler algum livro light, algo exemplar da literatura de entretenimento (ou seja, os palhaços que já querem comparar esses títulos com grandiosidades como Tolkien, pode descer da cadeirinha), que não exigisse grandes esforços mentais. Foi difícil… escrita truncada, ruim, simples demais. Eu queria algo simples para ler, mas não tão simples assim! Apesar de contar uma parte extremamente importante da ambientação de WoW, me pareceu que o livro foi escrito para o pessoal juvenil, adolescentes, sei lá.

Me lembrei imediatamente dos títulos de R.A. Salvatore sobre Forgotten Realms. Há muito tempo, numa galáxia muito distante, obtive aquela atrocidade chamada A Estilha de Cristal e não passei desse. Apesar de ser um autor de best-sellers nos Estados Unidos (ou seja, jamais confiem em best-sellers, deslizes que às vezes eu cometo quando uma parte do meu cérebro desliga), o Salvatore me doeu no coração, assim como também aconteceu com o Thomaz e o Marcus aqui. Mais uma vez, esse pessoal não sabe escrever. Nem estou pedindo muito não, mas é batata: livros legais são aqueles que você lê quando novo, se diverte, relê quando velho e continua se divertindo. Isso é um mérito que geralmente esses títulos blockbusters não têm.

Não sei se é porque aquela mesma parte do meu cérebro estava desligada, mas decidi dar outra chance a tais títulos e levei um tapa na cara com a trilogia World of Warcraft – The War of the Ancients, de Richard Knaak. Apesar de não serem os melhores livros que já li, esta trilogia me forçou a olhar para essa ambientação e seus títulos com outros olhos. E agora sim recomendo esta trilogia para todos os fãs de Literatura Fantástica sem o menor medo.

Tudo começou há 10.000 anos antes dos eventos narrados em Warcraft 1. No continente de Kalimdor os Elfos começaram a brincar com as forças mágicas que permeiam Azeroth. Rodeada pelo seu séquito real e praticante da magia arcana, a Rainha Azshara incentivava cada vez mais o uso destas forças místicas para moldar o mundo a sua maneira, alterando irremediavelmente a teia de todas as coisas que formam a natureza.

Cientes do perigo crescente do uso da magia arcana, o semideus Cenarius, uma criatura parte elfo, parte veado, parte ave e protetora do mundo natural, decide alertar seus discípulos Malfúria Tempestúria, Illidan Tempestúria e Tyrande Murmuréolo.

No uso exclusivo da magia surgiram quistos e com eles preconceitos. Apesar de ainda viverem no mesmo reino e compartilharem a mesma capital Zin-Azshari, os elfos se dividiram em Elfos Noturnos e os Bem Nascidos, sendo estes últimos a corte real, os magos que estavam cada vez mais distante de seus irmãos. Na sede de poder, os Bem Nascidos descobriram um ser de grande poder em outra dimensão, o Lorde Titã Sargeras, criatura de mal indescritível cuja única vontade é destruir a obra de seus irmãos criadores do universo. Descobrindo o mundo de Azeroth, Sargeras convenceu os Bem Nascidos e a Rainha Azshara a abrir um portal para o seu mundo, prometendo poderes imensuráveis aos nossos camaradas de orelhas pontudas.

Na vanguarda ele enviou seu exército de demônios, a Legião Ardente, destruindo grande parte de Kalimdor. Os elfos foram praticamente dizimados e nada disso foi percebido pela Rainha Azshara e seu séquito enlouquecido: tudo era por um bem maior, a reconstrução do mundo, agora mais perfeito e adequado à nova raça élfica. Nessa os Bem Nascidos abriram o portal usando como fonte de energia a dádiva Poço da Eternidade, corrompendo-o eternamente. Seu uso irrefreado culminou na explosão do poço de energia, submergindo 80% do continente de Kalimdor.

Apesar de parecer um provérbio de Battlestar Galáctica, tudo isso já aconteceu antes. E está prestes a acontecer de novo. O Dragão Protetor do Tempo Norzdomu foi aprisionado por forças desconhecidas, levando o Mago Rhonin, Dragão Vermelho Krasus e o Orc Broxx de volta ao passado para reparar a disrupção na linha temporal. Os viajantes acabam caindo em Kalimdor de 10.000 anos atrás, dias antes da invasão da Legião Ardente. Tudo isso já aconteceu antes e, a menos que Rhonin, Krasus e Broxx consertem o problema no Tempo, o futuro de Azeroth se mudará para todo o sempre.

Plot imponente, não? A trilogia A Guerra dos Antigos narra um dos arcos mais importantes e definidores da ambientação de Azeroth. Para os jogadores de World of Warcraft que adoram reparar e prestar atenção aos detalhes na ambientação durante o jogo, conhecer estes três livros expande a sua experiência dentro do jogo de modo inexprimível. Para quem não joga WoW e está ligando a mínima para a diversão online, conhecer estes três livros é uma chance de entrar em um outro universo de fantasia enorme e absurdamente rico.

Ao contrário do que senti quando li o livro de Rosenberg, Knaak sabe manter durante toda a narrativa um ritmo frenético, sendo quase impossível parar de ler. A cada página ocorre um desdobramento de proporções imensas, tudo isso amarrado em uma escrita simples, direta e funcional. Mais uma vez, não é uma obra-prima da literatura, mas como entretenimento é extremamente divertido. Sua leitura me obrigou a comprar o título World of Warcraft – Wolfheart, outro livro que devorei em tempo recorde e que em breve chegará nas páginas do Ao Sugo.

A trilogia consiste nos livros The Well of Eternity, The Demon Soul e The Sundering, disponíveis apenas em ingles em Trade Paperback (brochure no formato Pocket Books para a gente) ou em ebook para o Amazon Kindle. A leitura é realmente dinâmica e é uma boa pedida para as férias dos nerds. Se você queria uma sugestão de leitura, já tem por onde começar.

Tyrande Murmuréolo

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