As montanhas e pradarias ressoam com a constante batalha. Nas planícies selvagens, mistérios revolvem-se em meio ao frio e ao sangue. Uma terra bárbara e violenta. O país está em uma guerra civil entre o Império de Tamriel e os rebeldes Stormcloaks, liderados por Ulfric, um antigo herói dos Nords. Ao mesmo tempo, algo que não era esperado acontece nas planícies e montanhas de Skyrim: o renascimento dos dragões.

No meio disso está você, um Dohvakiin, um dragonborn, um nascido com a alma de dragão e que tem a habilidade de aprender e falar a língua draconiana. Há grandes cidades-estados em Skyrim com suas próprias aspirações e politicagens, e aliar-se ou não a esses reis – os jarls – é completamente uma escolha sua. Percorra seu caminho nas sombras ou envolva-se na política da guerra. Faça o que quiser. É nesse mote que Skyrim começa a firmar seu lugar na história dos jogos eletrônicos.

Já tem alguns anos que os games vêm apresentando uma maturidade bastante inesperada para aqueles que ainda não entendem muito bem esse mercado. Hoje, o setor cresce mais que a indústria cinematográfica e alguns jogos conseguem arrematar boladas em vendas de fazer inveja em muita produção Hollywoodiana.

Mas essa é outra história. Estou escrevendo aqui para falar – brevemente – o que tem de bacana em The Elder Scrolls V – Skyrim. Para começar, ele é o sucessor de Oblivion, outro game da série da Bethesda e, também, preciso dizer que será impossível contemplar todos os aspectos do jogo neste texto. O universo é amplo e, a experiência, densa demais para resumir.

O enredo é interessante, e em muitos aspectos lembra uma boa aventura de RPG. Há bons vilões, mocinhos, mocinhas, bandidos, elfos, orcs e dragões. Há várias raças para escolher: Nord, Breton, Redguard (humanos), DarkElf, Wood Elf, High Elf (as raças élficas), Orsimer (orc), Khajiit (uma raça felina) e Argonian (reptiliano). Para tornar a experiência diferenciada, vire um vampiro ou beba o sangue amaldiçoado (ou seria abençoado?) dos licantropos e torne-se um lobisomem. Aja como quiser, e seu personagem refletirá o seu estilo, quem você realmente quer ser.

É justamente o desenvolvimento do personagem um dos pontos fortes do título. Ousadamente, a Bethesda excluiu o sistema de classes do jogo – muito comum nos RPGs eletrônicos. Isso permite que você desenvolva seu personagem da maneira que quiser, usando as habilidades que prefere – você é o que você joga. Seja um ladrão, um arqueiro, utilize mágica, lute com espadas de duas mãos, de uma, armaduras pesadas, leves, ou quem sabe queira ser um alquimista, ou um ferreiro. Enfim, faça o que quiser e as habilidades que utilizar serão aquelas que automaticamente ganharão níveis, indo até 100. Fora isso, há um sistema de pontos que você distribui chamados perks, que aprimoram suas habilidades (como dar mais dano com armas de uma mão ou poder forjar armaduras élficas) – esses perks você adquire ao efetivamente passar de nível, e especializam ainda mais o personagem.

O combate é um dos mais interessantes (e inteligentes) do gênero. Bloquear é uma ação ativa (o que vai fazer você amar um bom escudo, se for do tipo que gosta de combate corpo a corpo). É possível aparar utilizando armas, mas a mitigação de dano é muito menor. Isso faz com que realmente reavalie-se o combate com duas armas, já que não se pode bloquear nesse caso. Dá até para partir para a porrada com um machado em uma mão e uma tocha na outra. Segurando o botão de ataque, você utiliza ataques mais poderosos (Power Attacks), que custam mais stamina. Ah, sim!,e você pode alternar entre primeira e terceira pessoa. Enquanto a terceira pessoa é ótima para movimentação, a primeira pessoa é uma alternativa excelente para o combate. E ajuda muito na imersão.

Aqueles que são fãs de magia, não se desesperem. O sistema de magia se divide por diversas escolas, como Destruction, Conjuration e Illusion (entre outras); o jogador “equipa” a magia em sua mão, como se fosse uma arma, e pode utilizar as duas mãos para invocar seus poderes, se preferir, potencializando (e até misturando!) os efeitos. São dezenas de efeitos mágicos variados, um mais legal que o outro, que podem garantir sua vitória rapidamente no campo de batalha.

Para os que são fãs de furtividade, as habilidades de sneak garantem interessantíssimas e brutais execuções; uma retícula de olho na tela indica o grau de detecção, portanto tome cuidado. Imagine uma adaga na sua mão direita e uma magia na esquerda; ou, então, os arcos, que se tornam mortíferos quanto se tem o tempo para fazer mira.

Contudo, isso pode até fazer alguém visitar Skyrim, mas há uma característica que realmente faz com que queiramos viver neste universo.

O mundo é vivo. Respira. Os NPCs realmente reagem ao que você está fazendo. Saque a espada numa cidade e atrairá a atenção dos guardas; tente andar sem roupas, e as pessoas perguntarão entre si porque você não se veste. E que tal pedir alguma canção ao bardo na taverna ou que você encontra na estrada?Nas mais variadas casas, fortes e dungeons, há livros com histórias e lendas do mundo. Muitos, bastante extensos.

Para deixar tudo muito mais elegante, o jogo usa o sistema RadiantStory / Radiant Quest System. Ele faz com que o mundo reaja à maneira como você joga. Assim,dependendo das quests que você completa, os NPCs mudam a reação – até mesmo geram novas quests, o que garante um playing quase infinito do título. Qualquer decisão tomada é, frente ao universo, a Skyrim, sólida e verdadeira. Comece a aventurar-se e a realizar serviços para uma cidade, e logo caia na graça de um dos jarls; seja reconhecido nas ruas como um verdadeiro matador de dragões. Tudo depende de como você vai jogar.Quem prefere correr logo pela narrativa principal, pode ficar à vontade, mas aqueles que curtem exploração e falar com todo mundo na cidade, é um prato cheio de aventuras paralelas, das mais simples (como resolver um triângulo amoroso) às mais complicadas (matar um feiticeiro em uma tumba).

A moralidade do jogo não é uma simples questão preto no branco, maniqueísta, mas sim em vários graus e atribuindo às noções de certo e errado realmente uma questão de ponto de vista. Nada é tãosimples em Skyrim.

A música e os efeitos sonoros são outro mérito. Os sons de batalha, de magias e do ambiente são dignos de nota. Sem falar da dublagem, que conta até mesmo com nomes como Max vonSydow. Os dubladores usam sotaques para diferenciar culturas e cidades, o que torna muito mais densa a experiência de mudar de ambiente de uma cidade para outra. Os sotaques dão ênfase às diversas personalidades que habitam Skyrim.

 A trilha sonora, muito imersiva, mescla-se com o visual, o que faz passear pelo enorme mundo do jogo uma experiência sinestésica. Enquanto as grandes melodias dominam as deslumbrantes paisagens, no combate a trilha torna-se mais agressiva e intensa, entrecortada, que contribui para a sensação de adrenalina. Nas batalhas com dragões, o tema principal consegue enfiar-se discretamente durante a batalha.

Para encerrar, basta dizer que The Elder Scrolls V: Skyrim é uma experiência praticamente transcendental. O jogo destaca-se em praticamente todos os aspectos do desenvolvimento de um jogo, e mesmo quem não é fã acaba se atraindo pelo universo. É tão amplo que deixa o jogador até desnorteado pelas possibilidades e sua ambientação charmosa. É muito elegante. Aosugolesco.

Marcus Vinicius Veias-Gélidas, Companion e membro dos Stormcloaks

6 comentários »

  1. caraca, Dentão, acho q essa foi a melhor resenha do Skyrim q eu li até agora! Ainda nao joguei, estou guardando pra depois de terminar o Batman: Arkham City. Mas está na minha mira desde q lançou!

  2. Marcus, viciado no jogo que teve que escrever um post xD
    Mas eu entendo, se eu tivesse habilidade (e cordenação motora) para esse tipo de game eu estaria jogando depois que ele liberasse o PC hehehe.

    Como eu não jogo, elogio o visual que é fantástico e a trilha sonora muito bem elaboarada. Tanto que muitas vezes desligo o som do meu PC pra ficar ouvindo a música enquanto o Marquinhos joga.

    Belo artigo, como sempre, amor =*

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