Amazing Stories

Pois bem, após passar o sábado inteiro estudando – lendo e escrevendo – finalizei o dia (ou comecei a madrugada, entenda como quiser) assistindo um seriado que não via há muito, pertencente ao antigo bloco de ficção científica do antigo USA Network: Amazing Stories ou Histórias Maravilhosas, que passava aos sábados às 16:00 (porque às 15:30h passava The Ray Bradbury Theatre e às 16:30h era o momento do Alfred Hitchcock Presents, outros seriados excelentes) no Sci Fi Saturday

Bom, digo isso porque vi ontem numa videolocadora aqui o lançamento do Box da primeira temporada deste seriado, produzido entre 1985 e 1987 pelo Steve Spielberg e a sua Amblin Enterteinment (antes dele criar a Dreamworks com o Katzenberg e o Geffen, a do Shrek, sabem?) cujo teor misturava ficção, fantasia e terror. O nome, bem, era em homenagem a uma antiga revista do gênero que Spielberg lia quando criança [1] e que possui vários atores de peso interpretando as suas histórias, como Danny DeVitto, John Lithgow e outras supresinhas aí. Mas continuando, terminei meu sábado revendo os episódios, fazendo questão de assisti-los dublados em português justamente pela questão da nostalgia (“… versão brasileira, BKS”, lembram-se, o mesmo estúdio que dublou Os Jetsons?) e fui descobrindo uma surpresa atrás da outra…

Primeiro, embora suspeitasse, vi que a música tema havia sido criada por John Williams (iiiiisso, o compositor de Star Wars, Indiana Jones e afins), mas até aí, dada a amizade entre Spielberg e Williams, nada de novidade… Mas ao ver os compositores que estavam compondo para os episódios, me surpreendi com Michael Kamen, compositor famoso que trabalhou em filmes como X-Men, 101 Dálmatas, Don Juan De Marco, Os Três Mosqueteiros, a série Duro de Matar, como também os quatro Máquina Mortífera, Robin Hood (aquele do Kevin Costner), ahh, são muitos. Além de Kamen, outro choque foi Pat Metheny, guitarrista bastante conhecido de Jazz Fusion pelo Pat Metheny Group e atualmente pela sua parceria com Lyle Mays e Brad Mehldau [2] que compôs uma trilha bastante “new age” para um dos episódios da primeira temporada (confesso que me perguntei se não tinha algum dedinho da Enya lá no meio, mas não tinha não).

E continuei vendo os episódios, todos eles no estilão “Além da Imaginação” (Twilight Zone, outro seriado norte-americano famosíssimo criado por Rod Serling e que teve duas fases, a primeira em preto e branco produzida entre 1959 e 1964 e a segunda fase já em cores e mais fraca na minha opinião, produzida entre 1985 e 1989 e que também era exibido pelo antigo bloco Sci Fi do USA Network aos sábados às 23h) e confesso que fiquei bastante feliz com a chegada dos episódios em DVD. Para quem não se lembra, a abertura começa com vários homens da Idade da Pedra sentados em volta de uma fogueira contando histórias fantásticas, rumando aos papiros egípcios, às bibliotecas, contos de cavaleiros e naves espaciais… mas que saudade daqueles tempos!

As histórias em si não são complexas, muitas delas com finais absurdos/bizarros ou até mesmo vários finais felizes, sendo que particularmente considero como melhores as escritas por Richard Matheson, um dos maiores escritores de ficção, fantasia e terror dos Estados Unidos, ainda vivo e que inspiraria outros autores de peso como Stephen King (se bem que existem coisas muito boas e coisas muito ruins do Sr. King, mas isto também não vem ao caso agora…). Matheson é bastante respeitado no meio literário estadunidense, possuindo vários scripts para seriados de TV (desde o Amazing Stories até o Jornada nas Estrelasu Sou A Lenda original de 1966), mas seu trabalho ficou mais conhecido recentemente por estas bandas pelo filme inspirado em seu livro “E” de 1954. Por ironia do destino, uma das ruas de Silent Hill, aquela cidadezinha muito “maledêta” da série de jogos de terror de mesmo nome ganhou o nome de Matheson Street em homenagem ao escritor [3]. O filho de Matheson, Richard Christian Matheson, apareceria como escritor de alguns episódios de Nightmares & Dreamscapes, aquele seriado de terror do Stephen King que anda passando na Warner… Como disse uma amiga minha ontem, este mundo é um Gurgel [4]!

Acabei falando de tudo e falando de nada ao mesmo tempo (bom, daria até para se chegar na conclusão filosófica óbvia que falar de tudo significa falar de nada também, mas deixa quieto), a idéia é que você procure por aí o seriado, nem que for por mera curiosidade, ainda mais se você está achando que o seu conhecimento sobre o mundo fantástico anda bastante limitado, que acha que “fantasia” é só dragão, elfo, duende e tudo mais. Em Amazing Stories você vai perceber que existe também espaço para a fantasia no nosso mundo bastante chato, ops, moderno. Aí, caso queira ir além, recomendo Twilight Zone, cuja música de abertura você provavelmente conhece sem mesmo ter assistido um episódio. Mas, perdoem a bagunça e este cérebro um tanto cansado [5] hoje. Depois vocês postem aqui sobre o que acharam do Amazing Stories, ou está achando que eu falei tudo isso aqui à toa?

Victor Hugo

Notas
[1] Pois veja bem, nos Estados Unidos eles tinham este costume de lançar quadrinhos sobre monstros, terror e ficção científica desde há muitas eras, como Tales From The Crypt por exemplo
[2] Existem aqueles que chamam a música deles de “Smooth Jazz”, mas discutir a classificação dos gêneros do jazz é outra história… Mas fiquem tranquilos que muito em breve convencerei vocês do por que ler Sandman ouvindo The Pat Metheny Group, aguardem.
[3] Bom, para quem não sabe, as ruas de Silent Hill ganharam nomes famosos, como Carl Sagan, Ira Levin, Ray Bradbury… hei, estou me desviando…
[4] Gurgel é a marca de um pequeno automóvel que chegou a ser produzido no interior de São Paulo na década de 90 do século passado.
[5] Vocês já perceberam que até as notas de rodapé já não possuem mais o menor sentido?

Veja também:

Leia sobre Televisão no Ao Sugo! Consulte o nosso acervo.

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

2 comentários »

  1. hum…
    Dono sehorito Victor Hugo… eu diria que quem não te conhece, ao ler isso tudo deve pensar que ou vc é muito estudiosos e manja de tudo, ou faz imagem e som, ou não tem nada pra fazer…
    Então, pessoas, como eu conheço o Vic, ele ´pe muito estudioso mesmo, viu?
    E muito inteligente tb!
    E era o melhor da sala na facul!
    Caramba!
    Que enciclopédia ambulante é esse rapaz!
    Como vc consegue, Vic?
    Me ensina?

    Beijos!

  2. pois é , o bom e velho sabado sci-fi. Recentemente abri a porta da nostalgia e comprei o box da primeira temporada de amazing stories…. !!!

    distruição MCA
    versão brasileira BKS

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