Os que me conhecem sabem bem o quanto eu odeio modismo e me desagrada a muvuca e murmurinho. Não gosto nada de quando as pessoas subestimam a qualidade de alguma coisa levando em conta qualquer julgamento pré-conceituado, mas que “se cai na boca do povo”, então todo mundo corre para ver; e do nada, todos viram fãs. Parece familiar? Foi assim com O Senhor dos Anéis, só para citar um, apenas um, exemplo. É, isso me incomoda. E muito. Mas, de quando em vez, aparece alguma coisa que consegue, realmente, justificar a muvuca. O que me faz realmente dizer isso: quem não teve a curiosidade de assistir Batman: The Dark Knight que se atire num buraco e que os deuses de cabelos verdes e ternos roxos tenham piedade. Injustificável. O que eu tenciono fazer aqui é tentar elucidar: afinal, o que tem nesse negócio de tão interessante assim?

The Dark Knight é a continuação direta de Batman Begins, que era até então o melhor filme do Batman. Sim, era. De todo o elenco principal, só houve uma modificação: Rachel Dawes agora é interpretada por Maggie “Cara de Cachorro Triste” Gyllenhall, em vez da Sra. Tom Cruise (que tinha sido uma escolha muito infeliz, diga-se de passagem). Mas como o pessoal dificilmente cria alguma afeição pela “namoradinha do Batman”, isso não interessa. O que interessa é a volta de Christian Bale como Batman, Michael Caine como Alfred, Morgan Freeman como Lucius Fox e Gary “O Camaleão” Oldman como Gordon. Com a adição de dois outros nomes: Aaron Eckhart como o promotor Harvey Dent e Heath Ledger como o grande e inconfundível (sim, de fato agora ele é inconfundível) Coringa.

Certo, não vamos ficar aqui esmiuçando enredo. Isso é sempre bem chato; quer saber, vá assistir. E mesmo porque o filme tem mais de 2 horas e meia de duração; 142 minutos, se não me engano. Entretanto é conveniente, sempre, fazer uns comentários. Afinal, eu preciso justificar a coluna de alguma forma.

Como eu disse, o filme é continuação direta de Batman Begins, mas o que era bom de Batman Begins, sabe, eles melhoraram e acrescentaram coisas melhores ainda. Novos personagens, elegantes por excelência. Lá está o promotor Harvey Dent, encarnado por Aaron Eckhart, o Cavaleiro Branco de Gotham, o cara que quer arrebentar a corrupção e o crime dando a cara a tapa. O herói que Gotham precisa, no tempo que ela precisa. Do outro lado temos um “novo” vilão, ele, O cara, o grande nêmesis do Batman: o inenarrável Coringa. O vilão que Gotham só precisa porque Gotham é a casa do Batman. Gotham City, o único lugar maluco e corrupto o suficiente pra ter um cara vestido de palhaço enchendo o saco do cara vestido de Morcegomem. Quem veste o terno roxo e a maquiagem perturbadora é o finado Heath Ledger, naquele que é, sem sombra de dúvidas, o maior papel da sua curta vida e, arrisco-me a dizer, o maior papel até agora de todos os filmes de qualquer adaptação de quadrinhos.

E aí que você me perguntaria: é tão bom quanto o Coringa de Jack Nicholson? São Coringas diferentes, de épocas e visões diferentes, interpretados por dois grandes atores que são… bem… diferentes. O Coringa de Jack Nicholson é mais caricato e espalhafatoso; sabemos que ele é mau porque ele é um bandido. Simples assim. O Coringa de Heath Ledger a gente não sabe quem é, nem por que é. Mas lá está ele: sombrio, sarcástico, tão cruel quanto uma piada mortal, borbulhando humor negro num sorriso macabro e inconstante. Imprevisível em sua controlada insanidade. Talvez essa seja a maior diferença entre eles: o Coringa de Jack Nicholson é excêntrico; o de Heath Ledger é insano; ele não tem um motivo, e qualquer que fosse, não importaria. Isso faz com que seja muito interessante, um dos maiores vilões que o cinema tem visto nos últimos tempos. Cruel pela simples e transparente ansiedade de “ser cruel”. Na minha opinião, o senhor Nicholson que me desculpe, mas nessa ele perdeu. O Coringa de Heath Ledger não é um gangster de fantasia. Ele é um pesadelo em tons de púrpura finamente costurado sob medida. É uma pena saber que não poderemos ver o Coringa novamente de forma tão brilhante, pelas mãos de Heath Ledger, que demonstrou por meio desse papel o quão realmente era talentoso.

Durante todo o filme, Christopher Nolan e seu parceiro no roteiro David Goyer conseguem conduzir o enredo e construir todos os personagens principais, que são vários, de forma primorosa. Quem é o Coringa? O que ele quer? Por quê? Não perca seu tempo. Apenas admire aquilo em que ele se tornou, quem quer que seja. Cada segundo de Coringa na tela é impecável. Veja como o tenente Gordon vira o conhecido comissário, e mesmo como Harvey Dent… bem, deixa pra lá. A trama é dirigida com perícia, mostrando a dualidade do Batman, quem ele precisa ser para Gotham, o caçador caçado, o cavaleiro das trevas. Não o herói que Gotham precisa, mas o que ela merece. E tudo isso é carregado sem perder o principal foco: a essência de que é uma aventura, um filme de ação. Um grande filme de ação. Ao final das contas, o que é preciso ressaltar é que Batman: The Dark Knight não é apenas um “excelente filme do Batman”. É pura e simplesmente um excelente filme. E ponto final.

Marcus Vinicius Pilleggi

14 comentários »

  1. Concordo, com certeza o maior vilão de todas as adaptações de quadrinhos. Acho até que o filme é válido mais pela exploração do personagem do que por qualquer outra coisa. Um Coringa com uma pitada exata de anarquia, com um toque de psicologia da loucura destrutiva huahuahua….muito bom mesmo. Deixou o Batman em segundo plano. Vai morcegão,…vai que o capitão Nascimento te dá uns peteleco fácil.

  2. Acrescentaria que, não apenas a insanidade esquizofrenica, mas o nada. Coringa representa o nada, um homem que não tem nada a perder, não tem passado algum, nem nome, não é ninguém: apenas vontade, impulso, anarquia, sem proposito ou causa. Angustiante. Se assemelha muito com o personagem de laranja mecânica.
    E perde no final, não para o batman, mas para a crença das pessoas.

    Filmão, durante vários momentos apenas um filme policial e de suspense, poderia nem mesmo ter o morcegão.

    Ousaria dizer: uma obra-prima

    Um clássico instantêneo.

  3. Bem, em minha opinião, para aqueles que vão ao cinema esperando um a adaptação dos quadrinhos vão ficar a ver navios… Acho que faz tempo que os filmes do Batman e os quadrinhos tomaram caminhos próprios, cada qual com suas qualidades!
    Mas falando a verdade esse filme supera todos os outros!! Não tem comparação. Concordo com Marcus sobre o coringa: Jack Nicholson que me perdoe, mas o Coringa do Heath Ledger é espetacular. Gosto dos dois atores, mas o Coringa criado pra o Ledger interpretar é fantástico!
    Bem, mas é isso ai! Vale a pena ir assistir! Para quem acompanha os filmes do Batman há anos, não vai se arrepender! Pra quem nunca viu o Batman na telona, bem, não perca tempo!!

  4. Parabéns pela matéria.O longa Batmam- o cavalheiro das trevas é fantástico, vale cada centavo, merece todos os elogios , e todos os recordes de bilheterias que tem quebrado.Longe de ser uma adaptação de uma HQ sem compromisso´, é um filme que questiona valores éticos, morais,máfias, insanidades,impunidades,as máscaras que usamos no dia-a-dia para nos defender.É um longa que faz pensar,é inteligente , uma estória bem contada.Quanto ao coringa de de Heath Ledger é tudo de bom que a crítica especcializada tem dito de positivo e muito mais,o ator arrasou, detonou.Que atuação brilhante! .Com todo o respeito, o Coringa de Heath Ledger colocou o Coringa de Jack Nicholson no chinelo.

  5. AMEI a sua crítica ao filme, principalmente acerca do Joker. Concordo com todas as palavras e neste momento venero o joker de Heath Ledger que, antes deste filme já era o meu actor favorito.

  6. O filme não devia se chamar “Batman The Dark Knight” deveria se chamar “Joker – the dark Knight” o melhor filme que eu já assisti na minha vida
    Why So Serious?

  7. coringa e o que a doido varias pessoas se espelham nele na verdade ele que tinha que te um filme nao o batman ngm se espelha no batman rapa varias pessoas que eu conheço se espelham no coringa doido tem ate um grupo OS KORINGAS e é o mais conhecido😉

  8. Artigo ótimo!

    Não se tem muito o que comentar quando o óbvio já foi dito, que o filme é sensacional e o Coringa é “O” Coringa.

    Só me resta reforçar aqui para assistirem, quem não assistiu, e tirarem as próprias conclusões😉

  9. Batman: The Dark Knight é um dos melhores filmes dos últimos anos…Simples assim!!!!
    Eu demorei para assistir tanto o Begins; quanto este último, por motivos óbvios: a década de 90 foi muito infeliz no que diz respeito às adaptações do cara mais foda de toda a Liga da Justiça: Batman.
    Quando assisti o Begins eu fiquei pasmo, mas, pesei: “ainda falta algo”.
    Sim. Faltava alguma coisa. Não deu muito tempo lançaram o filme que possuia o ingrediente final: O Coringa. O vilão mais louco, insano, e divertido de todos os tempos.
    No momento em que eu achei que o filme iria acabar…SURPRESA…ficou melhor ainda…

    O artigo resume muito bem esta boa produção e recriação, porque não (?), do nosso querido palhaço nas telinhas…

    Parabéns aí galera…continuem o bom trabalho.
    Abraços

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