O ano de 2009 viu o lançamento, pela Panini, do encadernado Coringa, escrito por Brian Azzarello e desenhado por Lee Bermejo, renomados por serem os responsáveis pela HQ 100 Balas. Nesta graphic novel, o autor explora o lado insano e a frieza do personagem, recentemente consagrado entre o público leigo pelo filme Batman: The Dark Knight. Numa luxuosa edição com capa-dura, o enredo mostra o retorno do Coringa às ruas da sempre alucinada Gotham City, logo após ser libertado do famigerado Asilo Arkham. O objetivo do grande nêmesis do Batman é simples: reconquistar o território e o tempo perdido enquanto esteve encarcerado. Afinal, Gotham é a sua cidade.

Para cumprir seu objetivo, Coringa não mede baldes de sangue. Infligir dor nas pessoas e pisotear quem for preciso não é um problema. Nem os vilões de Gotham estão livres do medo pelo palhaço, uma personificação da loucura com ensebados cabelos verdes, enredada com perícia por Azzarello em páginas de um Coringa mais destrutivo que a pior das armas. Comparações com o filme de Christopher Nolan, The Dark Knight, são inevitáveis. Como na película, aqui ele é insano: não tem um motivo, e qualquer que fosse, não importaria. Cruel pela simples e transparente ansiedade de “ser cruel”. É um pesadelo em tons de púrpura finamente costurado sob medida.

Entretanto, é bom ressaltar que a história não é calcada na violência. Azzarello demonstra a maldade do Coringa diminuindo os outros vilões famosos do Homem Morcego. A insegurança de Duas Caras, o medroso Pinguim, o drogado Charada e o estúpido Crocodilo ajudam na construção da personagem Coringa como o maior dos bandidos da metrópole. Ainda, a narrativa é pela perspectiva dos próprios vilões. Para ser mais exato, Johnny Frost, ajudante do louco Coringa, que por sinal o trata como um verdadeiro capacho. O uso do recurso literário  da narração em primeira pessoa nos aproxima da Gotham sombria dominada pelo Palhaço. Quanto à arte, o detalhamento e estilo “recortado” de Lee Bermejo, característico de 100 Balas, ajuda na manutenção do suspense nebuloso e desgraçado envolvendo a personagem principal.

Marcus Vinicius Pilleggi, do Gotham Times

3 comentários »

  1. Ele é um dos vilões mais terríveis que eu já vi. Mas acho que é isso que chama a atenção, insanidade e maldade de verdade (ih rimou).

    Ele só não é meu vilão favorito porque existe o Darth Vader =P

    Ótimo artigo!

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