Um dos animes mais cultuados e aclamados dos anos 90 vai ganhar uma versão live-action. Isso muito me assusta, porque sou uma das adoradoras desta obra de arte, que une cultura pop, uma boa história, ação e personagens maravilhosamente bem construídos. Cowboy Bebop é um dos melhores animes que já vi na vida (e olha que foram muitos) e tenho pavor de saber essa notícia, pois com isso me acompanha a certeza de que será uma merd@ catástrofe.

O Anime

A série de tv estreou em 1998, produzida pelo estúdio Sunrise e dirigida por Shinichiro Watanabe. O anime é uma união perfeita de boa animação, grandes referências do cinema, jazz, anos 40, artes marciais e Bruce Lee, tendo cenas muito bem trabalhadas, personagens carismáticos e trilha sonora contagiante que virou ícone. A trama se passa no ano de 2071,  focada na vida de 4 caçadores de recompensas: Spike Spiegel, Faye Valentine, Jet Black e Ed, além do inteligente cachorrinho Ein. A humanidade colonizou o espaço se movendo através de portais e muitos vivem na colônia terrestre em Marte, numa realidade que mistura a tecnologia e os traços de velho oeste. O anime consegue transmitir bem o aumento populacional no espaço, que por ter acontecido de forma desorganizada e acelerada, causou o aparecimento de foras-da-lei por todos os lugares, pessoas em busca de dinheiro fácil e de todos os tipos.

Neste contexto, entram os 4 personagens que formam a tripulação da Bebop, nave de Jet que abriga a todos. De início há somente a dupla Jet e Spike, que caçam cabeças à prêmio pelo espaço, informados sempre pelo divertido programa Big Shot e sua dupla de apresentadores. Com o decorrer das aventuras outros personagens vão surgindo e cada um, por interesses pessoais, se une aos dois bounty-hunters. Em cada episódio nos é revelado um pouco da história pessoal deles, fazendo com que nos identifiquemos com qualquer um dos 4 ou apenas admirá-los (odiar também pode, eu odeio a Faye), uma das belezas desse anime. Os personagens têm uma personalidade única e carregam traumas em suas vidas que se revelam entre uma ação e outra. A série mistura desenhos em acetato e animação gráfica, conseguindo um tipo de movimentação muito acima de média da época e que rende elogios até hoje. Com 26 episódios, a série terminou em 2000.

Com cenas de ação fluidas, principalmente nas lutas de Spike (personagem inspirado em Bruce Lee) e nas explosões, tiros e golpes de azar do quarteto, tudo é regado ao bom jazz da abertura, “Tank (de Yoko Kanno e Seatbelts¹) e temas lindos como Rain e No replay (de Steve Conte). Se você acha que o tema de caçadores de recompensas é velho, é porque você ainda não viu Cowboy Bebop.

O Mangá

A primeira versão de CB foi lançada pela Kadokawa Shoten dentro da coleção chamada Asuka Fantasy DX em abril de 1999, já quase um ano após o lançamento na tv, encerrando-se em abril de 2000. Como o anime, cada edição tinha uma história fechada, sem ligação com a anterior, criadas por Hajime Yadate ( roteiro) e Nanten Yutaka (arte). É um tanto incomum uma história japonesa ir direto para a tv antes de sair em uma revista primeiro.

A Trilha

Encabeçada de perto por Yoko Kanno na composição e arranjos, a trilha sonora de Cowboy Bebop oferece uma experiência incomum ao telespectador, já que apresenta uma seleção refinadíssima de pop, jazz, blues, heavy metal, eletrônica e funk, tudo na medida certa e indo contra a corrente das animações japonesas repletas de J-Pop e J-Rock. Cada episódio é chamado de Session (das Jam Sessions de jazz) e possuem como nomes referências importantes do mundo da música, como “Bohemian Rhapsody” do Queen, o clássico do jazz vocal “My Funny Valentine“, etc, isso quando não possuem nomes brincando com os gêneros musicais favoritos de Watanabe, como “Mushroom Samba“, “Heavy Metal Queen“, característica do diretor em suas outras obras, Samurai Champloo e Michiko to Hachin.

Knockin’ on the Heaven’s door

Em 2001 CB invadiu a telona com seu longa dirigido também por Watanabe; Cowboy Bebop: Tengoku no tobira ou Knockin’ on the Heaven’s door. A história se passa entre os episódios apresentados na televisão e mais dois personagens marcantes foram apresentados, entre eles, um dos mais queridos antagonistas de Cowboy, Vincent Volaju. Outra vez uma trama maravilhosa, cheia de referências da cultura pop, cenas de ação ainda melhores e com uma trilha perfeita.

Live-Action

A Fox assinou contrato para a produção do filme. Segundo Erwin Stoff , produtor do filme e que já fez coisas grandes como Matrix e Constantine, a trama deve seguir a história original da série. Em um tom noir, os personagens seguem em sua busca por recompensas e aventuras. Ainda não tem data de estréia, mas ninguém quer perder a onda das adaptações de supers para o cinema, mesmo que sejam japoneses. Mais novas, posto no Cinema com Bolinho.

See Ya, Space Cowboys!

por Miss Joe, publicado originalmente no Cinema com Bolinho e gentilmente cedido para o Ao Sugo

1 – Miss Joe estava ouvindo – Call me, call me * Steve Conte*

Confira a execução ao vivo de Tank por Yoko Kanno e The Seatbelts. Agora, no Ao Sugo.

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

2 comentários »

  1. Uma curiosidade é que o anime tem este nome porque o tipo de jazz que é utilizado no anime é Bebop um tipo classico de jazz da decada de 40.

    O Bebop representa uma das correntes mais influentes do Jazz. Seu nome provém da onomatopéia feita ao imitar o som das centenas de martelos que batiam no metal na construção das ferrovias americanas, gerando uma “melodia” cheia de pequenas notas. Segundo alguns jazzistas, as melodias ágeis e velozes do seu estilo musical se assemelhavam ao som produzido pelos martelos nas obras das ferrovias.

  2. Agora que eu li mais sobre CB, e já haviam me dito que era ótimo, não tenho mais desculpa pra não assistir o anime.

    Belissímo post!

    Parabéns pra Miss Joe ^^

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