Seinfeld

Relembrando um pouco sobre o nada

Escolhido pela crítica como a melhor série de TV de todos os tempos, um fenômeno cultural e comercial e com uma trama bem simples – conhecida como uma série sobre o ‘nada’ – Seinfeld completaria 20 anos neste mês de maio. Completaria, pois teve seu fim em 1998 após nove ótimas temporadas e 180 episódios.

A relação entre quatro amigos, Jerry, George, Elaine e Kramer, suas paranóias, neuroses e demências são o que movem os episódios. O ‘sobre o nada’ citado acima tem a ver com os temas e situações corriqueiras tão presentes em nossas vidas, como esperar uma mesa livre num restaurante, uma viagem de metrô, ou procurar um novo apartamento, todos estes são ponto de partida para as situações das mais bizarras. E tudo isso só é interessante e funcionou tão bem na telinha graças à perfeita química entre os protagonistas, e ao texto genial, fruto de Jerry Seinfeld e Larry David, os cabeças por trás de Seinfeld. Ambos tiveram a ideia para o seriado, e muitas das estórias retratadas são baseadas em suas experiências. Até mesmo o inconfundível Kramer é baseado num vizinho que David teve.

Seinfeld – “My parents didn’t want to move to Florida, but they turned sixty, and that’s the law.”
George
– “Jerry, just remember, it’s not a lie if you believe it.”

Nem só do elenco principal dependia o seriado: os chamados coadjuvantes também se encaixavam perfeitamente no cenário demente de Seinfeld. A começar pelos pais de George Constanza (Frank e Estelle), e Jerry Seinfeld (Morty e Helen); impagáveis! Sem falar nas participações especiais de David Puddy (namorado de Elaine), Uncle Leo (tio de Seinfeld), Jack Chiles (advogado de Kramer), George Steinbrenner (chefão do New York Yankees), o Soup Nazi… Todos eles acabaram tendo suas frases de efeito e estilos próprios.

Os episódios eram sempre centrados em situações ou pessoas inusitadas. Jerry sai com uma garota mas ainda não sabe seu nome ,e como já havia ‘passado da terceira base’ – segundo ele mesmo – ficaria chato perguntar pra ela. A única coisa que sabe é que o nome dela rima com uma parte da anatomia feminina: Bovary? Mulva? Até que no fim do episódio ele acerta: Dolores.

Num outro clássico, o episódio ‘The Contest‘, a mãe de George flagra-o com uma revista de moda numa mão e seu, você sabe…. na outra mão. Fato que o leva a jurar que nunca mais iria se masturbar. Claro que os amigos não acreditam e, então, resolvem apostar com ele quem fica mais tempo sem ‘fazer aquilo’. A genialidade do episódio é que em nenhum momento eles dizem a palavra masturbação.

Certa vez, George está numa concessionária escolhendo um carro, quando o vendedor diz ter um Lebaron usado que pertencia a Jon Voight, então ele resolve comprá-lo para impressionar os outros. Jerry obviamente duvida que seja verdade, até achar no porta-luvas um lápis mordido, e o manual do carro assinado por John Voight, com a letra H. Mais tarde, Kramer tenta pedir um autográfo para o ator Jon Voight, que acaba mordendo o braço do primeiro. O absurdo acontece quando eles mostram o lápis mordido e o braço também mordido para checar se foram feitos pela mesma pessoa.

Outro que não poderia deixar de mencionar: Jerry está saindo com uma mulher. Ela diz que não quer mais vê-lo pois não gostou da apresentação dele (assim como na vida real, Jerry faz stand-up comedy). Ele diz: ‘E daí que não gostou? Era só um show.’ Ela retruca: ‘não posso sair com alguém se não respeito o trabalho desta pessoa’. ‘Mas você trabalha como caixa numa loja!?’

Não, o humor de Seinfeld não é pra qualquer um. Ácido, sarcástico ao extremo e muitas vezes dito ‘amoral’ resultou num início lento em termos de audiência na TV americana, apesar de bem elogiado entre os críticos da época. Episódios como o ‘The Chinese Restaurant‘ (O Restaurante Chinês), que mostrava, em tempo real, os vinte minutos de espera por uma mesa num restaurante, era visto como arriscado pelos executivos da emissora NBC. Besteira, uma vez que a audiência de Seinfeld começaria a subir justamente após sua terceira temporada. E em seu último episódio, resultou na terceira maior audiência da história da TV americana.

Seinfeld – “It’s amazing that the amount of news that happens in the world every day always just exactly fits the newspaper.”

E por falar no episódio final, ele é motivo de polêmica até hoje. Os quatro estão numa cidadezinha, testemunham um cara assaltando um homem gordo, e ficam parados fazendo comentários maldosos em vez de ajudar a vítima. O problema é que uma tal Lei do Bom Samaritano diz que todos que presenciam alguma maldade devem tentar ajudar de alguma forma. O quarteto então vai a julgamento, o que serve de mote para vários perrsonagens de outras temporadas reaparecerem para se vingar, dando depoimentos sobre a índole de Jerry, George, Elaine e Kramer. Para os fãs mais árduos, final mais horrível não poderia ter havido. Nove anos de estórias politicamente incorretas e humor negro resultariam com os quatro presos numa delegacia? Mas, parando pra pensar melhor, qualquer final teria sido frustrante. A expectativa era muito grande. Foi assim com Seinfeld, com Arquivo X, e será assim com todas as grandes séries de TV.

Tiago VC Vandelay, especial para o Ao Sugo

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Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

4 comentários »

  1. Helooooooo Neeeewmannnnnn….
    Excelente artigo. Seinfeld será eternamente lembrada como a melhor de todos os tempos.

    A maioria dos episódios são inesquecíveis, como aquele em que o George atravessa a rua empurrando uma máquina de fliperama. Assim como as inusitadas companhias do Jerry, como a mulher que tinha uma mão gigante e que abria garrafas de cerveja sem abridor, ou ainda aquela que ficava feia dependendo da luminosidade.

    Enfim… Seinfeld merece ser lembrado para sempre.

  2. Ok, incomum um dos editores do Ao Sugo comentar seus próprios textos, mas este artigo de Tiago VC realmente me motivou para reassistir a alguns episódios memoráveis da série, em especial da quarta temporada, uma das minhas favoritas.

    Como tenho vários boxes de Seinfeld aqui, não poderia deixar de assistir pela enésima vez ao episódio de 1 hora de duração “The Pitch/The Ticket” que possui como mote principal a criação de um sitcom baseado na vida de Jerry Seinfeld.

    Produzido de modo que retratasse a origem do próprio seriado, “The Pitch/The Ticket” é um longo episódio metalinguístico que mostra os esforços iniciais de Jerry Seinfeld e Larry David na criação de uma série que falasse sobre “nada”, mas desta vez substituindo Larry David pelo esquentado e inconseqüente George Constanza (imortalizado por Jason Alexander).

    Sem intenção nenhuma de fazer merchandising, os boxes de Seinfeld são realmente um trabalho digno de nota no mercado brasileiro de DVDs que ainda é bastante deficiente. Com praticamente 1 featurette por episódio e mais uma série de comentários (em documentários e em áudio durante os episódios), é muito engraçado reassistir aos seus episódios favoritos pela visão dos atores e produtores. Você conhece a piada de tanto assistir os re-runs, mas revê-las funcionando para os próprios atores após tantos anos faz o trabalho da dupla Seinfeld/David memorável.

    Vale a pena. Dica Ao Sugo número 1, lógico. Valeu Tiago, Serenity Now.

  3. Olá, tudo bem?!

    Então, adrei a matéria.
    Seinfeld foi e sempre será a melhor série de todos os tempos, uma série sobre “nada” e com aquelas velhas situações do cotidiano que ja aconteceu com todos nós.

    Esses vídeos eu quem postei no youtube, pois tenho um blog só com cenas da série, a cada dia eu posto mais.

    Se interessar, aí vai o endereço, é so acessar e se deliciar relembrando.

    http://cenasdoseinfeld.blogspot.com/

    Abraços

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