Vamos falar de alienígenas de novo? Pois bem, a verdade está lá fora. Ou aqui dentro. Tanto faz, é apenas uma questão de ponto de vista. Como diz Letícia Pope em The Groom Lake, “Os Ufólogos estão lá fora nos escutando. Sempre olhando para o céu, aqueles idiotas. Se fossem espertos, olhavam para baixo.” Desta vez a verdade não está nos seriados Taken ou V. Nem nos filmes District 9, ET ou Independence Day. A verdade está nos quadrinhos.

Já imaginou o que aconteceria se você misturasse a trama de Arquivo-X com Homens de Preto? Deveríamos nos perguntar… como ficaria a cara do agente Fox Mulder ao deparar com uma gigantesca conspiração governamental para encobrir o contato com alienígenas, em especial um alienígena viciado em cigarros, cerveja e doces? E o que diria a agente Dana Scully quando descobrisse que o futuro da espécie humana reside na genitália um caipira norte-americano?

Com o roteiro de Chris Ryall e com a arte de Ben Templesmith, aminissérie em quadrinhos The Groom Lake consegue reunir em 4 volumes uma das mais assustadoras e divertidas estórias de conspiração alienígena já criadas. Que não estamos sós todo mundo já está careca de saber. Que os governos mundiais sabem disso, todo mundo está mais careca ainda de saber. Agora, que os governos e os alienígenas jogam poker nos subterrâneos de bases militares, ahhh, agora é outra história…

Tudo começa com a abdução de Barnabus Bauer. Não, ele não tem parentesco com o Jack Bauer de 24 Horas, senão a minissérie não duraria 4 edições. Mas Barnabus Bauer seria um pobre mancebo raptado por alienígenas juntamente com o seu cachorro Nuca em alguma estrada sinistra rodeada de coníferas como só os Estados Unidos conseguem ter. E aí, bem, vá ler a HQ, cujo roteiro de Ryall nos prende do começo ao fim. Repleto de sarcamo e eastereggs com filmes e fatos envolvendo alienígenas, em The Groom Lake notamos o fascínio dos pequenos alienígenas cabeçudos pelos seres humanos, uma espécie fadada ao fracasso por conta de sua imbecilidade fascinante.

A minissérie apresenta a estranha amizade do filho de Barnabus com o personagem alienígena Archibald, um daqueles típicos alienígenas com grandes olhos pretos que teria caído no Terra em 1947 com a famosa queda de um disco voador em Roswell, Novo México. Imortal, Archibald ficaria viciado em cigarros, bebidas e doces, com uma particular inclinação por sexo. Por não possuir genitália e sem saber o que é e nem entender o que é sexo, Archibald não esconde a sua fixação por esta estranha e curiosa atividade humana. Ah, e detalhe: sempre com dois cigarros acesos na boca, Archibald se torna um alienígena bêbado. Típico, diria C-3P0.

Recém-conhecidos na base secreta em Groom Lake, Bauer e Archibald são vigiados atentamente pela agente durona e sisuda Letícia Pope (será Pope por conta do sobrenome do ex-ministro britânico que reconheceu oficialmente a existência de OVNIs dando seus passeios na Inglaterra?) e pela oficial I-don’t-care Roberta Lazar, agentes de um secreto plano governamental que protege no subsolo várias espécies alienígenas esquisitas e curiosas, incluindo até mesmo a espécie do filme de Steven Spielberg E.T. – O Extra-Terrestre (ok, outro spoiler, mas um easteregg primoroso: quando a casa cai, adivinha que povo monta um telefoninho de brinquedo e sai gritando “casa-casa-casa”?).

As sacadas geniais de Ryall são traduzidas na arte contemporânea de Templesmith, um traço impressionista de nanquim sobre belíssimas pranchas aquareladas, todas repletas de muito humor e alusões diretas aos seriados e filmes sobre extraterrestres, como você pode notar neste artigo. The Groom Lake certamente agradará todos os nerds que gostam da temática eXcer de Arquivo-X, mas não fique surpreso com os demais nerds e não-nerds se todos terminarem de ler a minissérie com um belo sorriso estampado na cara. Lançada nos EUA pela editora IDW, The Groom Lake satiriza o mundo nerd com estilo e bom gosto, nos trazendo uma nova lição: a verdade também está nos quadrinhos.

Para os curiosos de plantão, duas resenhas legais sobre The Groom Lake [inglês]:

Victor Hugo, mas este não é meu nome verdadeiro

Imagens: Ben Templesmith, arte interna

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