Relembrando os memoráveis momentos do antigo Sci-Fi Saturday no USA Network (hoje Universal Channel), todo sábado era dia de Star Trek, nossos adoráveis seriados de Jornada nas Estrelas. Bom, ainda o é aqui em casa, tanto eu quanto meu irmão somos trekkers convictos.

Como forma de trazer aqueles momentos de nostalgia teremos um artigo especial, escrito hoje por Pedro Kebbe sobre como o universo de Star Trek se desenvolveu no mundo dos quadrinhos. Ah sim, nós do Ao Sugo estamos indo onde ninguém jamais esteve…

Victor Hugo

O ano de 1991 é tratado pelos trekkers como um marco no que diz respeito ao universo de Jornada nas Estrelas. Além de estar comemorando vinte e cinco anos de existência, neste mesmo período era lançado o tão esperado longa-metragem Star Trek VI- A Fronteira Final,  filme que traria a conclusão das aventuras da primeira Enterprise e, portanto, o encerramento das histórias que envolviam a tripulação da NCC-1701A sob comando do Capitão James T. Kirk. Ainda neste ano também falecia aos 70 anos Gene Roddenberry, criador da franquia Star Trek, deixando todo seu legado a Rick Berman que produziria mais três novas séries (Star Trek Deep Space Nine, Star Trek Voyager e Star Trek Enterprise) e quatro longas (Generations, First Contact, Insurrection e Nemesis).

Notavelmente um ano de alegrias, podemos também marcar 1991 como um ano de tristezas: não apenas o criador da série falecia no meio da produção do bem-sucedido seriado Star Trek The Next Generation, como também o capitão Kirk e toda a rapaziada estavam prestes a se aposentar… Sábias as minhas palavras ao categorizar este ano como marco referencial.

No Brasil – terra da alegria, do carnaval, do futebol e toda essa balela – em clima de comemoração a editora Abril Jovem presentearia ou, porque não, atenuaria o coração dos  trekkers brasileiros em relação às noticia tristes com a publicação de nove edições em quadrinhos acerca de historias que abrangiam, tanto a tripulação da série clássica quanto a da  Nova Geração.

Mesmo superando o número de vendas da Revista Batman, a mais vendida na época, a referentes edições teriam curto período de vida, durando apenas nove meses dentro das bancas de jornal brasileiras, se tornando um raro item da memorabilia trekker. Passados dezoito anos estas edições em quadrinhos se valorizariam, tornando-se, de certo modo, objetos raros dentro do universo de fãs do seriado, proporcionando orgulho para aqueles que as possuem e, por que não, desespero aos trekkers que acabaram de descobrir a existência de tudo isto a algumas linhas atrás.

Tive a sorte de encontrá-las em um sebo aqui na minha cidade vários anos atrás, assim, com o intuito de ajudar aqueles trekkers que neste momento estão arrancando os cabelos, farei alguns comentários sobre tais edições, apresentando, sim, evidentemente, spoilers (que me perdoem, mas estes gibis possuem 18 anos de existência!) e curiosidades de, desculpem-me o chavão, de trekker para trekker.

O Espaço, a fronteira final…

Para os fãs ardorosos de Kirk, Spock e Magro (e muitas vezes até mesmo para os fãs resistentes aos demais seriados da franquia) não há motivo para desespero: mesmo após o encerramento da Série Clássica em 1969 e com 6 filmes na bagagem muito ainda haveria para ser contado… As histórias em quadrinhos aqui com a tripulação da Enterprise A se passariam “Imediatamente após os eventos relatados no filme Jornada Nas Estrelas V…”, como se encontra na contracapa da primeira edição.

Esses caras sabem o que estão fazendo: com o risco de atrapalhar tudo o que já foi dito no universo de Jornada nas Estrelas, tal empreitada exigiria do roteirista e desenhista um cuidado minucioso (além de muito zelo e muito mais carinho ainda). Melhor não poderia ser feito com a escolha de Peter David para desenvolver o roteiro, escritor do famoso Star Trek The Next Generation – Imzadi e criador da série literária de sucesso Star Trek New Frontier.

Especialista em enredos de ficção e fã incondicional tanto de Star Trek como também da série criada por George Lucas, Star Wars, David seria rapidamente escalado pela DC Comics para contar mais outra aventura da Enterprise A, conduzido, ao meu ver, de maneira brilhante.   Retomando alguns conceitos-chave referentes ao seriado e longas como as interações entre os tripulantes da nave e o aspecto humano da idéia de Roddenberry, retrata com êxito o universo de Star Trek, chegando a antecipar a trama do sexto filme que, até aquele momento estava em produção.

Sendo assim, as histórias presentes nestes quadrinhos passam a ser encaradas como uma introdução ou prólogo para o próximo filme, mesclando fragmentos do seriado com os conflitos dramáticos perpetuados nos filmes anteriores. Ao retomar as tensões existentes entre Kirk e o Império Klingon, David o faz de maneira a impressionar os trekkers de plantão, fazendo-os com que consigam reconhecer os easter-eggs e se entusiasmarem com sua proposta. Podemos dizer o mesmo em relação ao desenho e seu produtor, James W. Fry, que havia trabalhado em Batman. Mesmo com alguns exageros acerca da fisionomia de determinados personagens alienígenas, Fry deixa sua marca ao retratar tanto a tripulação e outros personagens conhecidos quanto as naves e cenas espaciais.

Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve

Mais de 70 anos se passaram e cá estamos nós. Ou melhor, eles. O ano é 2364 e a Enterprise já está na sua sexta geração. Após uma longa variação nos designs das naves da  Frota Estelar, chegamos àquela que é até os dias de hoje, considerada pela grande maioria dos trekkers como a mais elegante e feminina das NCC-1701. Conhecida como Enterprise-D, esta nave possuía em sua tripulação nada mais nada menos que o gentleman Capitão Jean-Luc Picard, Comandante William Thomas Riker, Tenente Comandante Data, entre outros. Esta nova série, Star Trek The Next Generation, traria de volta a visão de Roddenberry sobre as possibilidades humanas, retomando a missão ambiciosa de seus antecessores. Esta tripulação iria, realmente, onde nenhum homem jamais esteve.

É sob esta perspectiva que o roteirista Michael Jan Friedman conduz o seu argumento em relação às histórias da Nova Geração nestas edições, também um escritor mais que qualificado para o trabalho. Friedman, figura notória dos trekkers escreveu nada menos que 39 livros sobre Jornada, como produziu também vários roteiros para o Universo Expandido de Star Wars, X-Men, entre outros. Ah, sim, é dele o cross-over de Star Trek e X-Men, edição da Editora Sci-Fi aqui no Brasil que se esgotou muito rapidamente…

A história proposta para estas edições está dividida entre o primeiro e segundo volume. Publicada originalmente em 1989, “Volta a Raimon” nos lembra um episódio típico das primeiras temporadas da série em que uma missão diplomática acarreta em problemas de diferenças culturais, ao mesmo tempo em que, na busca para relembrar o universo clássico da franquia, há ainda a exposição de um capitão heróico e cowboy inspirado em Kirk. Como já dizia Spock, fascinante. Mesmo assim, Friedman, consegue abordar o universo da Nova Geração trazendo um enredo e trama inteligente, conseguindo diferenciar a proposta deste novo universo, desta “nova geração”.

Aqueles que tiverem a oportunidade de ler esses quadrinhos constatarão que, quando lidas consecutivamente, as histórias das duas tripulações apresentadas nestas edições possuem certas semelhanças, porém, as resoluções que estas inserem aos problemas apresentados se demonstram de formas bastante distintas. É aí, portanto, que se encontra o êxito de representar todo o universo de Star Trek com suas devidas particularidades de acordo com sua cronologia. Está esperando o quê?

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Pedro Kebbe, trekker, músico e cantor de óperas klingon nas horas vagas

Imagem: Spock e McCoy por Wyna Hiros, no DeviantArt.Com

Quer ler mais sobre Star Trek no Ao Sugo? Sinta-se em casa! –  https://aosugo.wordpress.com/tag/star-trek/

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