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A visão do Mestre…

Quem aqui da minha geração (os que tiveram a infância na década de 80) não gostou de Caverna do Dragão, aquele desenho que passava toda manhã na televisão? Pois bem, para esta pergunta é tão difícil ouvir negativas quanto encontrar pessoas que odeiam batatas-fritas ou chocolate.

Naquele desenho (que foi ao ar nos Estados Unidos entre 1983 e 1985 pela CBS e aqui no Brasil foi reprisado por mais de uma década com exibições na Globo no programa da Xuxa e no canal por assinatura Multishow) tínhamos Hank, Eric, Presto, Bob, Diana, Sheila e o infame unicórnio Uni enfrentando insólitas aventuras em um mundo fantástico, encarnando com suas armas  mágicas heróis míticos em uma época onde cavaleiros medievais e dragões seriam realidade. Arrancados de seu mundo – o nosso – ao adentrar numa montanha russa em um parque de diversões, a trupe de adolescentes buscava o caminho para casa, digladiando para tanto contra o temível Vingador e o odioso dragão de 5 cabeças Tiamat. Para tanto não estavam sozinhos os nossos heróis, orientados pelo Mestre dos Magos, um pequenino e misterioso sábio que só falava por enigmas e que por muitas vezes parecia mais atrapalhar a jornada da garotada do que ajudar.

Pois bem. O desenho foi produto de uma parceria entre a TSR, criadora do RPG Dungeons & Dragons, e a Marvel Comics, sendo um hit absoluto tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, possuindo 3 temporadas e nunca tendo o tão esperado episódio final, motivo das mais variadas especulações entre nós. Como já comentaram Alottoni e Azaghâl no Nerdcast 59, foi para muitos um trauma ouvir a Xuxa ao ler as cartas dos seus baixinhos fãs prometer o tão esperado fim da animação, o que nunca chegou a acontecer porque a produção da animação foi cancelada. Todavia, a semente nerd estava lançada e ali muitos vibravam com as peripécias dos nossos heróis naquele mundo mágico de magos, feiticeiros, cavalos alados, castelos, cavaleiros e dragões

Em 1991 e 1992 eu tive dois choques que abalaram a minha existência enquanto ser-humano e futuro nerdinho: descobri que o desenho Caverna do Dragão era na verdade baseado num jogo norte-americano de mesmo nome (Dungeons & Dragons, cabeção… “Caverna do Dragão”? tsc), fazendo parte de um estilo de jogo até então desconhecido, o tal do RPG ou Role Playing Game. Dizia na reportagem que tinha lido, não sei onde, que neste jogo cada jogador poderia escolher e interpretar um dos seus heróis favoritos para cumprir uma valorosa missão de feitos heróicos narrada pelo Mestre dos Magos… Pirei. Como assim, jogo? Mestre dos Magos? Quer dizer que dá para vivenciar aquelas mesmas aventuras da televisão em um jogo? E que jogo era esse, RPG? Mas eu pirei mesmo, na batatinha, como dizem.

Era adolescente, sabe como é, que só ganha dinheiro no Natal e aniversário, porém com algumas ambições. Na hora fui procurar saber mais sobre esse jogo, então o jeito é correr atrás da banca de revistas para atazanar o jornaleiro. Internet, mundo virtual, ciberespaço, isso tudo eram palavras da ficção científica cyberpunk. Aí passadas algumas semanas e feitos alguns recortes, lá foi o adolescente proto-nerd para a melhor papelaria da cidade, gastei as poucas economias que tinha no dia e torrei tudo em folhas de papel-cartão, sulfite, canetinhas, um inferno…

Naquela tarde eu tinha inventado o meu primeiro RPG caseiro, isso em 1991. Com o trambolho todo que trouxe da livraria fiz umas fichas de personagens porcamente elaboradas, alguns marcadores e cartas que bolei para substituir os esquisitos dados que falavam tanto nas reportagens, como bolei também umas miniaturas para os personagens e vilões, etc, etc e etc. Pois é, naquela época era o máximo, tanto o máximo que poderíamos fazer com papel-cartão, canetinha e boa vontade e o máximo que poderíamos chegar já que esse tal de Dungeons & Dragons nem existia no Brasil, ainda mais numa cidade do interior.

Como era um inferno esse negócio, imaginem: muito papel-cartão, fichas, cartas, não dava para levar pra lá e pra cá sem ficar irritado rapidamente. Meu irmão fora a primeira cobaia, nem sei se ele lembra disso mais. No entanto, dias melhores viriam, por incrível que pareça, poucos dias depois do meu jogo infernal estar criado: ao passar na banca tinha visto a estréia de uma revista de RPG, Dragon. Dragão vermelho na capa, assustador, elegante… E tinha como dizeres na capa algo como “chega ao Brasil o Dungeons & Dragons”. Mas eu pirei de novo, na batatinha, no purê, onde você quiser. Simplesmente pirei.

Li a revista em 15 minutos, era a coisa mais absurda que tinha visto na vida. Ok, óbvio, adolescente, não tinha vivido muito, mas aquilo era absurdo ou, como dizem no Nerdcast, de “explodir a cabeça”. Não só existia um jogo chamado Dungeons & Dragons como existiam inúmeros outros livros e suplementos desse tal de RPG para várias outras ambientações que não a Espada e Magia. Meu irmão não lia nada na época exceto gibis do Batman, mas fiz ele ler aquilo tudo lá, simulamos uma partida de RPG numa tarde lá no trabalho do meu pai, com eu, é claro, contando a história. Lógico que deu errado (porque o máximo que eu conhecia de RPG, como já disse, se resumia em papel-cartão e canetinha), mas nós dois já sabíamos que aquilo ia marcar A Década. Dois irmãos nerds.

Passaram-se 15 dias e fui para São Paulo, a capital, comprar o tal do Dungeons & Dragons, lançado aqui pela Grow e encontrado até aquele momento apenas em lojas especializadas que vendessem algo além de War ou Banco Imobiliário. Convenci a minha avó a me levar na tal da loja, que ficava numa viela perto da Independência, num porão tão místico quanto e pronto, comprei não só o D&D como também comprei para o meu irmão um jogo de tabuleiro inspirado no D&D, o Classic Dungeon. Cheguei no apartamento e fiquei extasiado com aquilo tudo, um mapa de uma masmorra, um fichário de regras com uma aventura-solo no verso, dados esquisitos e uma série de miniaturas cartonadas, nossa, quanta miniatura…

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Victor Hugo, o Bardo Errante

Como vocês já devem ter notado, somos bastante simpáticos ao mundo da fantasia, tendo dedicado inúmeros outros textos sobre este gênero. Para acessá-los, visite a nossa seção sobre Fantasia agora mesmo!

O Ao Sugo é um blog filiado ao RPG.Blogs.

5 comentários »

  1. Eu não sabia que a Xuxa tinha tanto talento pra política!!! Não poupou nem as criancinhas protótipos de nerds prometendo o que n podia cumprir… O Sarney tem que tirar o Chapéu pra essa!!!!

  2. MAAAAANOOOOO que post punnnkkkk… sabe que foi me passando pela cabeça desde os desenhos de Carverna do Dragão até nossas ambientações em campanhas e aventuras lmbra da compra do planescape pela internet… (diga-se de passagem um feito e tanto)??? Olha esse foi um desenho q acompanhou a todos… e aquele episódio que tem o BEHOLDER? E VOCE JA FEZ UM DESSES DAR UMA SURRA NA MESA TODA!! seu mestre de uma figa!!! Mas.. no fim das contas… voce é um dos melhores mestres com quem joguei…citando é claro que joguei só com 2 mestres…hahahaahha
    Parabens pelo post e vo ficar aguardando o próximo e… EU NAO VOU EMBORA SEM A UNI!!!!!!MEGA BOGA NO ULTIMO!!!!

  3. Ou, muito loko,assisti muito isso, e ate meu irmao mais novo ja curtiu caverna.O unico problema e o tal do final que eu nunca vi mas ja ouvi as teorias mais absurdas…até eu ja criei uma:A XUXA TEM PACTO COM O VINGADOR!

  4. Caverna do Dragão era phodaaa !!!
    Um universo fantastico com ótimas estórias
    Parabéns aos roteiristas da época
    Uma pena a série ter sido cancelada tão cedo

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