O Arcanjo Gabriel, guarda-costas de Deus, o Todo Poderoso Chefão, é pego com cocaína na alfândega de São Pedro

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Aconteceu neste último domingo: o guarda-costas do famoso chefe do crime organizado Jeová Deus, Gabriel, foi retido na alfândega de São Pedro. O Arcanjo carregava mais de 15 quilogramas de cocaína sob suas asas, e a situação causou tumulto. Pego em flagrante, não sobrou muita opção a Gabriel a não ser entregar-se. Enquanto era algemado, Gabriel insistia em blasfemar contra a segurança falha da alfândega, já que alguns capangas de Lúcifer, conhecido adversário de Deus no controle das ruas, aproveitavam o tumulto para já se esgueirar para fora do aeroporto até as ruas de Éden.

O passado de Gabriel mostra algumas inferências nas fichas policiais de Éden, e seu espírito impulsivo sempre lhe garantiu uma fama de encrenqueiro. Ele foi processado por calúnia por Caim, já que, segundo o filho mais velho de Adão, Gabriel afirmou que Caim ainda podia buscar um caminho de clemência e redenção ou então viveria comendo cinzas. O filho de Adão e seus advogados interpretaram isto como sendo uma acusação de má-indole profissional, além de uma ameaça, e por esse motivo iniciaram um cansativo processo jurídico contra Gabriel. Até hoje, o processo não se resolveu, já que Gabriel recorreu dizendo que o processo era indeferido; noutras palavras, sem fundamento. Uriel, um conhecido capanga de Deus (dizem que ele é um executor do famoso mafioso), era dito cúmplice de Gabriel, mas negou fazer parte de qualquer ameaça ou perseguição a Caim, que cumpre pena em condicional pelo assassinato do próprio irmão Abel, e o processo não se estendeu a ele.

Quando era jovem, Gabriel ganhava a vida como um mensageiro de seu padrinho, Jeová Deus, fazendo alguns bicos como trompetista na sua banda marcial. Apesar de seu padrinho sempre ajudá-lo, ele queria sua própria carreira. Portanto, a muito custo, juntou economias e conseguiu ingressar no intrincado curso de Medicina de Éden. Depois de formado e especializado em ginecologia, Gabriel abriu um consultório particular, com ajuda de Deus. A cliente mais ilustre de Gabriel foi Maria, uma atriz e dançarina de Nazaré, bastante envolvida no show business, já tendo feito alguns comerciais quando começou a se consultar com Gabriel.

O escândalo aconteceu porque, quando Maria começou as consultas, ela era uma virgem, apesar de recém-casada com um sujeito maltrapilho chamado José. E então, da noite para o dia, ela apareceu grávida. As suspeitas recaíram diretamente para o bem-sucedido Gabriel, com José quase pedindo o divórcio de Maria, enquanto ela insistia em alegar que o filho não era de Gabriel, mas sim de tal Espírito Santo; a polícia procurou informações sobre este indivíduo, mas nunca encontrou nada. A imprensa ficou de olhos abertos para qualquer escorregão que Gabriel viesse a cometer. Essa constante vigília da imprensa e os olhos julgadores dos habitantes de Nazaré acabaram com a carreira de Gabriel como médico. Sua licença foi cassada e ele afundou-se na bebida.

O Arcanjo viveu um tempo de trabalhos ingratos e se envolveu com o submundo; ligações que, segundo alguns, ele mantém até hoje. Vendo a decadência de Gabriel, seu padrinho o convocou novamente para trabalhar com ele. O espaço como trompetista na banda marcial ainda estava vago, e Deus, agora envolvido com um intrincado tráfico de bebidas para Éden e constantemente tendo sua cabeça a prêmio por gangues como “Os Ateus” e “Céticos”, precisava de alguém para cuidar de sua segurança pessoal, e então empregou Gabriel, seu apadrinhado, como seu guarda-costas pessoal.

Voltando ao acontecimento do último domingo, Gabriel alegou que as drogas eram “exclusivamente para uso medicinal”, já que “o trabalho é exaustivo e dura uma eternidade, então precisamos de algum estímulo”. Gabriel passou a noite na cadeia, mas responderá ao processo em regime aberto. O Arcanjo ainda acrescentou que seu padrinho era muito influente, e prometeu processar os oficiais envolvidos, incluindo o próprio São Pedro. Antes de ser colocado no camburão, Gabriel ainda cuspiu nas câmeras das equipes de reportagem e quebrou o nariz de um policial com a sua asa, o que pode lhe render, também, um processo por desacato à autoridade. É melhor ele fechar as asinhas por enquanto.

Marcus Vinicius Pilleggi

“Este texto é fictício. Qualquer semelhança de personagens, locais ou acontecimentos é mera coincidência, por se tratar de um exercício da língua.  Para o leitor assíduo do Ao Sugo nem existe a necessidade de maiores explicações quanto ao teor do blog, todavia, se faz necessária uma informação aos demais visitantes de primeira viagem. É importante ressaltar que, com exceção dos artigos críticos ou reviews, buscamos de maneira geral propiciar ao leitor uma leitura divertida e bem humorada de alguns aspectos do cotidiano. O Ao Sugo não se responsabiliza por imbecis que acreditam em tudo que lêem”

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