E dizem que o mercado financeiro mundial está em crise, apesar de há pouco ter visto várias pessoas se divertindo num barzinho aqui perto. Como assim, esse povo está louco se divertindo em plena crise! Atente para qualquer telejornal ou jornal impresso que você tiver acesso e observe, o clima geral é de desespero. É, desespero. São notícias que ocupam a pauta editorial dos dias de hoje mais do que desastres naturais, as últimas eleições municipais – ok, não quero comparar isso com o enfoque dado às eleições presidenciais norte-americanas tampouco à criminalidade que, de fato, aparentemente os jornais brasileiros fazem questão de não esquecer.

Então, nasci em 1982. Alguns poucos anos depois e eu queria comprar um videogame potente, um Super Nintendo ou um Mega Drive, porém inatingíveis porque em todos os encartes de produtos das lojas que vendiam estes produtos estava anunciado o aumento dos preços dos malditos videogames quase que diariamente. Aí os adultos diziam para a gente que a culpa era – só poderia ser – da tal da inflação, seja lá o que for isso.

Pois bem, o tempo foi passando e comecei a observar que esta palavra estava realmente sendo falada diariamente nos telejornais. E não apenas ela, mas também sempre atrelada ao tal do mercado financeiro. E adivinhem: ele já estava em crise naquela época. Eu nasci em 1982 e era ignorante o suficiente para prestar atenção apenas nos videogames enquanto o mundo caía em desgraça por causa do desespero do mercado financeiro… E eu nem vi as tragédias, eu só queria saber do Sonic, do Streets of Rage e do inocentão do Mário Bros. Que crise mundial do mercado financeiro o quê… isso era coisa para “gente grande se preocupar”, apesar dos jornais daquela época já dizer que todos seriam afetados pela tal da crise mundial do mercado financeiro.

Aí quando criança ficava pensando… mas que diabos seria essa crise do mercado financeiro mundial? Aliás, primeiro de tudo, o que era mercado financeiro, ou menor, o que era mercado, o que era financeiro? Eu acordava cedo, ia para a escola de manhã, voltava para casa à tarde, via um pouco de TV, eventualmente dava um pulo na minha avó, cruzava a cidade à pé e nunca, nunca tinha prestado atenção para onde ficava esse tal do mercado financeiro que estava em crise, prenunciando a destruição da humanidade…

Cresci né, este “péssimo hábito de todos os seres-humanos”, fui descobrindo aos poucos o que era tudo isso. Aí tive minhas aulas de Economia na universidade e pronto, estava apresentado devidamente ao tal do mercado financeiro com todos os pingos nos is, dois exatamente. Fico imaginando na monstruosidade à gota-a-gota que fizemos aqui no Ocidente em separar a Economia numa esfera quase autônoma capaz de destruir nações inteiras por conta de dinheiro, aí pior, fico imaginando o que os leigos então devem imaginar por “mercado financeiro” quando vêem nos televisores aquelas pessoas gritando desesperadas nas bolsas de valores (aliás, já perceberam como a bolsa de valores da China, de Hong Kong e da Rússia são extremamente bem-comportadas? Aposto que lá ninguém volta pra casa sem voz como nas bolsas de São Paulo ou New York… mas ok, este foi um pensamento aleatório e que em nada contribui para a frágil argumentação deste texto)…

Aí, apesar de adquirir parte do conhecimento que está distribuído nas páginas da seção de Economia dos jornais, continuo com a ligeira impressão de que nunca conhecerei realmente esse tal do mercado financeiro, exceto que, aparentemente, pelo tudo que sei até hoje, ele está e continuará em crise e em desespero até eu morrer (e não é por ter escrito “até” que ele vá realmente sair da crise quando eu deixar este mundo sem pé nem cabeça, pelo contrário…).

Apesar de afetar nossas vidas diariamente, aparentemente – e felizmente – não nos descabelamos como o povo das bolsas de valores que acabaram de perder batalhas inteiras nos pregões sanguinários e cruéis do tal do mercado financeiro. E governos correm atrás do prejuízo, anunciam projetos de emergência, países estão afundando na bancarrota, o clima é de que milhares de pessoas acabaram de morrer dizimadas por uma arma pior do que as bombas atômicas. E enquanto temos gente sem cordas vocais nos pregões mundiais, temos gente se divertindo horrores lá no barzinho. E conheço gente que ainda está procurando o videogame até hoje.

Victor Hugo

* Este texto não possui pretensão alguma. É, não é para chegar em lugar algum, exceto talvez por ter o objetivo de deixar você mais perdido do que estava quando começou a lê-lo. É por isso que ele entrou na coluna “Pensamentos Soltos”. Não pretendo percorrer nenhum caminho com ele, não é para ter começo, meio e fim, ainda mais fim… Logo, descartamos de imediato até a idéia de andar em círculos, de texto incompleto, etc. É um texto sem pé nem cabeça, cheio de altos e baixos, cujos assuntos flutuam livremente independente de qualquer política econômica governamental. Não se desespere, pelo contrário, divirta-se.

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

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