Autofagia

Aqueles gravadores de DVD são uma beleza. Não os de computador, mas sim o que parece um video-cassete, e você grava o DVD como se fosse uma fita. É uma beleza porque você pode gravar alguma coisa da TV direto para o DVD ou então passar suas fitas cassete para a mídia redondinha. Que idéia revolucionária, tanto espaço de armazenamento, tanta qualidade. E tudo isso com uma vida útil menor.

Já inventaram o HD-DVD e o Blue Ray, mídias de muito mais capacidade que o mero e simples DVD; que uma fita cassete entçao, nem falo. Logo vão inventar o gravador de Blue Ray, e daí você se divertirá passando seus “filmes-em-dvd-que-você-tinha-passado-das-fitas” para o Blue Ray ou qualquer outra mídia, e daí depois vão inventar outra mídia e outro gravador para fazer a mesma coisa, e aí por diante. Uma maneira bem legal de manter você entretido com suas gravações sem fim.

Isso, é claro, com cada vez mais diminuída a vida útil da bugiganga em questão (bugiganga é uma palavra estranha; acho que nunca vi tantos “gs” numa palavra só). Como a vida útil do negócio é menor, daí você tem que trocar por outro logo e assim por diante. Está sempre trocando seus equipamentos. Principalmente itens de tecnologia digital. Se você comprou agora, rá, pode ter certeza, meu filho, ele está obsoleto. Arram, tá sim.

Daí você me pergunta como tomará em paz seu café com batatas fritas sabendo que há uma conspiração para fazer com que as pessoas comprem cada vez mais gravadores de mídias-digitais-com-capacidade-cada-vez-maior. Bom, meu caro mancebo, na verdade você nem precisa se preocupar. Isso é só paranóia. Um problema consideravelmente recorrente. A propósito, a paranóia costuma se manifestar em pessoas que geralmente não têm muito o que fazer.

O problema é mais enraizado do que a gente pensa. Seja lá o que isso queira dizer. Hoje a tecnologia evolui por si. Quer dizer, o computador de hoje é mais rápido que o de ontem pelo simples motivo de “ser mais rápido que o de ontem”. Não tem nenhum motivo super-útil. A não ser, talvez, rodar joguinhos eletrônicos com recursos mais avançados. O que justifica comprar um computador de última geração. Ah tá, e até parece que alguém compra um computador de última geração sem pensar em joguinhos. Salvo quem mexe com programas gráficos e olhe lá. É o mesmo que aumentar o espaço de hard-drive; ter trocentos gigabytes de memória serve pra três coisas: instalar os tais joguinhos, salvar músicas em mp3 e guardar filmes pornôs. Freqüentemente você consegue achar os três no computador de uma mesma pessoa.

Então, muito da tecnologia hoje se desenvolve sem nenhum motivo real de necessidade; digo em relação a computadores pessoais e blá. Capacidade de emular jogos cada vez mais avançados é uma das poucas reais inúteis-utilidades dos computadores pessoais. Mas, no fim das contas, procurar utilidade pras coisas e achar que o inútil é desnecessário é coisa de cultzinho chato. E eu adoro joguinhos mesmo.

Marcus Vinicius Pilleggi

3 comentários »

  1. Tecnologia… tecnologia… cada vez mais tudo se volta pra esa porcaria… tudo tem um reset, um reboot (até msm o Ipod e o Iphone)… mas se o Mr. Bill (Gates) soubesse pra que servia a tecnologia, ele nao tinha desenvolvido um sistema que para desligar, é necessário clicar no “iniciar”… tinha q dar meu pitaco… afinal, segundo vcs sou um geek.

  2. Sabe… eu nao aguentei me calar… se eu bem conheço vocês (e seus computadores) vocês tem verdadeiros videogames escondidos dentro dos gabinetes! nem vou entrar no mérito do filme pornô… (aiii q horror!) mas a tecnologia diverte a todos… ( ou no meu caso… me deixa surtado)… De qualquer forma…Hj a cultura Slow Down foi pro saco e todo mundo ker tudo pra ontem… pois todos pensam que somos computadores comprados HJ na loja…qualquer hora noticiam que ja tem gente por aí com entrada USB…bom.. chegade bla bla bla… deixa eu desfrutar da tecnologia aki…com direito a Wifi, SSD, e tudo mais…

    • A crítica não é quanto às utilidades da tecnologia hoje, Gobato, mas sim quanto às suas finalidades, uma bruma envolve as verdadeiras intenções ao ponto da tecnologia, hoje, não ter intenção nenhuma. Ela se devora, tem fim em si mesma.

      É um Titã autofágico, escroto e fedorento =D

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