Olá mais uma vez a todos vocês. Gostaria de começar este tópico com uma pergunta: vocês já leram Alice no País das Maravilhas e, melhor ainda, Alice no País do Espelho (ok, eu sei que a tradução não condiz realmente com o nome original, Through The Lookiing-Glass, fazer o que…)? Bom, aos que leram, muito bons, não são? Criados por Lewis Carroll no século XIX, o primeiro foi uma história – alucinante – contada numa tarde para a pequena Alice Liddell, ambientado num país dos sonhos em que encontrava Largartas Gigantes fumando um narguilé, Dodôs e outros animais correndo sem parar em volta de uma pedra, um ratinho muito temperamental contando uma história no mínimo esquisita e, para não esquecer, personagens cativantes (malucos) como o Gato de Cheshire, o Coelho Branco, a Lebre e o Chapeleiro Louco e a Rainha de Copas… Demais.

Já no segundo, também outro sonho maluco, Alice viaja através do mundo do Espelho e encontra seres cada vez mais bizarros, Tweedle-Dee e Tweedle-Doo, Humpty Dumpty, a Rainha Vermelha e a Rainha Branca e fica extremamente perturbada ao não saber dizer se faz parte do sonho do Rei Branco que estava dormindo encostado numa árvore… Estranho, não? Mas outra história fantástica, inspiradora de muitas outras, como Coraline, de Neil Gaiman.

Coraline? Sim, um livro que foi lançado aqui no Brasil pela Rocco Jovens Leitores há alguns anos e conta a história de Coraline – e não Caroline – quando se muda para um apartamento com seus pais repleto de portas, janelas e, por que não, mistérios. Como eu mesmo adorava fazer quando criança (e duvido que você também não gostava dessa brincadeira… brincadeira?), o hobby de Coraline é explorar todos os arredores da casa, quando encontra um gato, muito diferente do Gato de Cheshire, mais seco e direto ao ponto e, claro, falante… Um versão dark do nosso Bichano de Alice? Pois bem, ela encontra 22 janelas e 14 portas, mas a história não pára aí.

Hoje em dia escuto por várias vezes ao dia as pessoas errarem o meu nome do jeito que foi lavrado lá num cartório sabe lá qual: esquecem sempre do C – ViCtor. Se me incomoda, não, nenhum pouco. Mas ontem, logo antes de dormir e já envolto nas cobertas me fiz a pergunta, se ocorreria o mesmo durante a minha infância: obviamente que iria me irritar! Não tem coisa mais assustadora do que ser confundido com alguém, ainda mais quando criança, quando o seu “eu” é posto à prova e a única coisa que você tem em sua defesa é a sua palavra, nada mais… (Extrapolando até demais, Carroll também fez isso em Through The Looking Glass quando Alice entra em uma Floresta em que todos os nomes são esquecidos, inclusive o dela. Mas, como podemos perceber, Carroll aborda a questão de maneira, ao meu ver, mais sombria ainda ao tirar o nome de Alice e, portanto, talvez sua própria identidade). Por isso, Gaiman brinca com o leitor inúmeras vezes com a expressão Coraline – e não Caroline, insistência que aparece freqüentemente no livro, quando Coraline é tida por Caroline pelos mais velhos…

Pois bem, o ponto alto do livro é quando Coraline encontra uma porta – que não deveria ser encontrada – trancada por uma fechadura estranha com uma grande chave estranha… Mal começo, não? Pois é… Coraline abre a porta e bem, aí o que vai encontrar lá é outra surpresa… Bem, este livro é Coraline – e repito, Coraline e não Caroline, escrito por Neil Gaiman, o mestre de Sandman e Mirrormask e que apresenta uma visão-homenagem muito interessante dos dois livros de Alice, senão uma versão quase gótica, sombria, daquelas que não se conta para crianças numa tarde como Carroll uma vez fez…

Bem, fiquei feliz em saber que Coraline estreará em fevereiro do ano que vem no cinema em animação por Henry Selick, o mesmo animador de The Nightmare Before Christmas e com o roteiro de nada mais, nada menos que o próprio Neil Gaiman. Embora tenha lido apenas uma vez (enquanto os dois Alices eu tenha lido 1583 vezes), Coraline difere de qualquer outro livro de qualquer seção infanto juvenil de qualquer livraria por apresentar uma história de fantasia bastante bizarra – e também assustadora – numa escrita bastante fácil.

Victor Hugo

Victor Hugo Kebbe

Nerd, Antropólogo Japanologista, Bibliotecário do Novo Canon e do Velho Universo Expandido de Star Wars, Dragonborn, Witcher, Vault Hunter, exímio piloto de A-Wing, combatendo os Geth e Reapers até os dias de hoje.

4 comentários »

  1. Victor, eu sou amiga da Re e, como a Tha, vim verificar o seu blog e gostei. O post de hoje me deixou curiosa pra procurar o livro Coraline e esperar o filme. Amo loucamente The Nightmare Before Christmas e adorei os 2 livros de L. Carroll. Valeu pelas dicas!

  2. Olá Vitão! Finalmente vim conhecer seu blog e ler seus tópicos! Realmente são muito bons, como sempre! Fiquei muito interessada em Coraline (e não Caroline!) Depois de ler o que vc escreveu… Muita mais interessada ainda no filme que será lançado ano que vem. E durante a leitura posso dizer que me lembrei também do fato de que quase todas as pessoas, ao me conhecerem, erram o meu nome… Francine para Francini,Franciane, Franciele, Francisca… Enfim, variações que não acabam mais. E se me incomoda? Não sei dizer, mas sempre falo: “Na dúvida, me chamem só de ‘FRAN’ que fica tudo certo!” Rs!
    Um grande abraço Vitão!! Ou ViCtor, né?!

  3. Putz, o filme estreou a dois anos e eu não o assisti ainda.
    Mas já estava na minha lista antes de ler o post hehe
    E é óbvio que eu quero ler o livro tbm!

    Só uma nota: Comparando os posts de antes com os de agora, nota-se uma mudança significativa. Não que vcs já não escrevessem bem, porém os posts de hoje em dia são mais bem detalhados e com mais – digamos assim – maturidade.

    ^^

  4. Nossa me lembro quando comprei esse livro e não tinha ideia do que se tratava, só sabia que era do Gaiman – resultado adorei o livro (gostei mais que Alice), e gostei muito do filme.

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