A crítica que você possivelmente não entendeu

Posts tagged “Science Fiction

Aulas de como conquistar uma garota – por Capitão Kirk

Conhecido como o capitão mais galinha de toda a Federação dos Planetas Unidos, com vocês, Capitão James Tiberius Kirk. Notório pelos flertes e beijos nas mais belas mulheres humanas (e alienígenas) do Quadrante Alfa, em quase todos os episódios de Star Trek – The Original Series nós tinhamos o capitão sempre aos braços de uma loira, morena, ruiva, verde… Ah, vocês entenderam…

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Ficção Científica que combina com fones de ouvido

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Ouvi há pouco o Nerdcast #298 – A Gênese e os Gênios da Ficção Científica, assunto que todos aqui sabem ser um dos meus favoritos pois, como diria o Ben Hazrael, sou um nerd sci fi desde o bercinho. Justamente por promover o exercício do pensamento e da imaginação, a Ficção Científica domina o site que você lê de maneira sem igual (aliás, temo dizer que é um dos temas, juntamente com Fantasia, que assimilaram o Ao Sugo tal qual a coletividade Borg). Também é uma grande felicidade poder dizer que o tema tem sido bastante apreciado pelo Marcus nos últimos tempos. (mais…)


Arquivo X n° 2507 – Parte 3 – Melhores episódios da Primeira Temporada

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Caros leitores, hoje cometerei a audácia (ou a infâmia) que apenas o Ben Hazrael é capaz de cometer no nosso estimado Cabaret d’Idées: apresento-lhes a primeira lista maldita dos top 10 alguma coisa! Em 9 de outubro de 2010 eu cometi o “equívoco” de escrever um especial gigantesco sobre Arquivo-X, o que rendeu várias visitações e vários pedidos de continuação. Depois de tanto tempo e de tanta promessa, aqui vai a continuação. (mais…)


Experenciando Metafísica na Literatura de Philip K. Dick: muito além de um caçador de andróides

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Eu era criança quando vi pela primeira vez o filme Blade Runner, magistralmente dirigido por Ridley Scott. Na época fiquei tão fascinado por aquela coisa toda de andróides, um caçador destes andróides, uma cidade onde chovia o tempo todo, um clima sombrio e meio triste e a mais bela sensação de estar assistindo uma verdadeira e pura ficção científica. Pensava: “Puxa, deve ser legal ser um caçador de andróides!” Mas o tempo realmente passa e essas percepções vão se alterando sutilmente. (mais…)


Relembrando Babylon 5

Lembro bem que lá pelos idos de 1998, como trekker, era impossível ter acesso aos seriados Jornada nas Estrelas – A Nova Missão[i] e Jornada nas Estrelas – Voyager. Ah, as razões eram muitas, mas em tempos em que só era possível assistir aos pilotos de ambos os seriados em VHS lançados pela CIC Vídeo, nem o USA Network[ii] ou outro canal da televisão paga daquele momento tinha o interesse em trazer essas produções pra cá. Dessa forma, só nos restava acompanhar os desdobramentos dos seriados nas revistas e fanzines especializados, fora as convenções. E se não estivesse contente, dane-se, que engolisse muita reprise de Jornada nas Estrelas – A Nova Geração. (mais…)


A Jornada Continua

Trekker assumido há vários anos, não chega a ser novidade o número crescente de posts no Ao Sugo sobre a franquia Jornada nas Estrelas. Depois de 15 anos acompanhando os seriados, filmes, livros, quadrinhos, jogos e qualquer outra coisa que tenha sido lançada, os que me conhecem já me viram falar muito bem e muito mal disso tudo. De fã entusiasta da Série Clássica, Nova Geração, Deep Space Nine, Voyager e até mesmo ex-colunista de literatura Sci Fi no extinto JornadaBBS, como quase todo trekker com um mínimo de senso crítico (ou seja, o que ainda muito porcamente me diferencia dos trekkies freaks maníacos), assisti a franquia em seus vários momentos, inclusive o fim doloroso propiciado por Voyager, Enterprise e filmes de baixíssima bilheteria. (mais…)


Eles estão invadindo!

Com metade do diâmetro da Terra e com a superfície avermelhada por conta do óxido de ferro na atmosfera, é lá em Marte onde residem os tão conhecidos homenzinhos verdes. Morando em sofisticadas metrópoles que margeiam os canais de Schiaparelli (originalmente kHwsxyna’llkf, em marciano), visitam o nosso planeta (n’AhDah, no idioma deles) há muito tempo. Contudo, apesar de se tanto falar em invasão marciana há mais de 100 anos e a subseqüente destruição desta insignificante bolota em que vivemos, creio que eles estão na verdade assistindo de camarote às nossas próprias idiotices. (mais…)


Tron

Demorou, mas saiu. Assisti Tron – Legacy 3D na estréia numa sala japonesa. Contexto melhor impossível. Antes de vir para a Terra do Sol Nascente já sabia da promessa da continuação de Tron e, como bom nerd que sou, já tinha a minha poltrona cativa assegurada, aí ou aqui. E ao longo das últimas 3 semanas a minha opinião sobre os dois filmes da Disney, o original de 1982 e esse novo, tem mudado de maneira impressionante… todavia, parece que hoje as idéias se assentaram de maneira que venho aqui soltar as minhas impressões sobre a série cinematográfica, valendo um post breve para o Portão de Tannhauser. (mais…)


Tomando uma Malzebier com o Homem do Castelo Alto

Embora seja Cientista Político hoje, minha primeira formação foi como Historiador. Mas sempre tive um ou mesmo os dois pés atrás com a História… o que me leva a pensar que, de certa forma, sempre tive um pé atrás com a Ciência, embora ela seja uma excelente amante, ao contrário da Metafísica, algo particular que um dia, dadas as condições positivas, eu talvez venha a “filosofar”. Mas estou escrevendo esse post, para o Ao Sugo, para homenagear o talvez mais perturbador e impressionante livro de autoria de Philip K. Dick: “O Homem do Castelo Alto”. (mais…)


Arquivo X n° 2507 – Parte 2

Mitologia – Arquivo X nos Cinemas

Por ter começado a assistir ao seriado em 1995, é evidente que não acompanhei Arquivo X na sequência correta. Pelo menos não na primeira vez. Comecei pegando uns episódios pingados da segunda temporada e já ficando extasiado com as preciosidades da terceira temporada, aí já na ordem. Foi graças aos sábados de reruns e maratonas infinitas da FOX em 1996 que pude me atualizar em tempo. Contudo, desde a estreia da terceira temporada, com o sucesso mais do que consolidado, que começou o burburinho de Arquivo X ir para o cinema, um projeto de três anos e ultra mega hiper articulado com a série nas três temporadas seguintes, a terceira, a quarta e a quinta. (mais…)


Arquivo X n° 2507 – Parte 1

Introdução – O Governo nega ter conhecimento

Se você conseguiu chegar neste escritório escondido no porão do prédio B do FBI, parabéns. Admito que foi um feito e tanto. Entrar pela porta principal, passar pelo detector de metais, virar à esquerda, pegar o elevador, descer um nível no subsolo e ainda um pequeno lance de escadas não é indicativo de caminho fácil para um primeiro visitante. Mas, apesar do seu feito, sinto não poder lhe oferecer muito mais para além de uma sala sem janelas, mal iluminada, com vários recortes de jornal nas paredes, fotografias de tantas cenas de crimes, arquivos grandes e velhos disputando espaço com um computador antigo. Contudo, além do pôster na parede com os dizeres “I want to believe” mostrando um disco voador, o que mais lhe assusta é uma brochura de papel branco, que disputa espaço com vários envelopes de papel pardo. Na capa está escrito: Arquivo X n° 2507 – Ao Sugo. (mais…)


Sábado Sci Fi

Pelos idos de 1996 e 1997 quem tinha o canal USA Network[1] em casa podia pegar, aos sábados, uma programação pra lá de curiosa. Licenciado lá no Brasil pela Globosat, o canal de variedades exibia uma seleção de seriados clássicos do mundo da Ficção Científica: estava no ar o Sábado Sci Fi do USA Network! (mais…)


Quer um pouco de Melange?

Sou um pouco suspeito de escrever sobre Duna. Simplesmente a considero a maior obra de ficção científica (e até fantasia, se for o caso e se for possível comparar) de todos os tempos.  E vou dizer, aqui no Ao Sugo, por que raios da conta eu a considero a obra.

Sabe quando alguém vem e te conta, enquanto você está tomando um chopp e beliscando uns piriris, como as pessoas lutaram pelo que acreditaram, passaram sufoco e ainda assim atingiram o “Equilíbrio da Força”? Pois é. Quando alguém vem com esse papo eu me lembro de imediato da história do Frank Herbert. E quem é Frank Herbert e o que tem a ver com Duna, cara pálida? Tudo. Frank Herbert foi o visionário que escreveu Duna. E para escrever essa obra (e suas seqüências literárias) ele, como se diz, teve de “ralar” muito. (mais…)


Código de Acesso Inválido

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“O céu por cima do porto tinha a cor de uma TV ligada num canal fora do ar”

- Neuromancer, pg. 11

Confesso que fico irritado com o filme Matrix (1999). Considerado por inúmeras pessoas da década de 1990 como a piração máxima do mundo tecnológico, é uma grande infelicidade perceber que a maioria desconhece as origens e inspirações desse filme. Como já dito anteriormente no Portão de Tannhauser, essa era a idéia de futuro que tinhamos na década anterior, os anos 80, um período em que a realidade mediada pela tecnologia ainda não passava de uns poucos insights criativos. E nada mais. Deixarei aqui um bla bla bla imenso para apresentar um vídeo bastante antigo, porém muito perturbador.

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O ano é 2019

Estava há pouco ouvindo novamente antigos Nerdcasts que considero memoráveis, dentre eles, o #108- Blade Runner e a Distopia Noir Futurista. Como fã inveterado de Blade Runner (do filme de Ridley Scott), do livro Do Androids Dream of Eletric Sheep de Philip K. Dick até toda produção subseqüente do Movimento Cyberpunk, cometi o erro mortal de ter deixado passar naquela oportunidade de assistir ao vídeo recomendado por Alottoni sobre o jogo para PC de 1997 inspirado no filme.

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Não entre em pânico

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Já ouviu falar em Babelfish ou Peixe de Babel? Não, não estou falando daquele tradutor online do Yahoo, mas a iniciativa deles é a mesma. Babelfish é uma das criaturas viventes mais fantásticas do mundo conhecido, atuando como tradutor das mais diversas línguas para formas e padrões de entendimento universais. Mas assim diz o Guia do Mochileiro das Galáxias que o Babelfish também possui uma imensa importância filosófica para a Galáxia, sendo a prova cabal da existência de Deus. Ou não. Pois bem, vejam só:

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Badda Bing, Badda Bang

Lembro-me quando mais novo das músicas que ouvia por tabela quando meu pai colocava um disco de vinil ou um CDCompact Disc – no aparelho, obrigando ao pobre aparelho executar um repertório bastante variado de estilos musicais. Mas falarei aqui de um estilo bastante particular, o jazz, sendo mais específico ainda o conhecido como “Vocal Jazz”, isso, aquele jazz cantado por cantores de vozeirão ou divas nos Estados Unidos das décadas de 30, 40 e 50.

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Vinhetas, vinhetas

Que saudade das  vinhetas do tempo do Sci Fi Saturday no USA Network, hoje Universal Channel. Bem, já devo ter dito isto em algum lugar, mas o Sci Fi Saturday era um dia de programação do canal irmão Sci Fi Channel, trazendo por 24 horas uma programação repleta de Ficção Científica da mais alta qualidade… Bons tempos…

Entre a programação naqueles sábados éramos presenteados por inúmeras vinhetas provocantes que faziam a sua “cabeça explodir”, como diz o Jovem Nerd. Uma delas mostrava a chegada de um disco voador numa noite escura, até que a câmera virava de cabeça para baixo, as luzes surgiam e você estava diante de uma boca de fogão acesa… Para relembrar estes momentos, deixo aqui uma sugestão de vídeo do nosso camarada Pizza, uma vinheta do Sci Fi Channel…


Victor Hugo, O Infame


Distrito 9 – Tapa na cara alienígena

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Vamos recapitular. A galera estava reunida na mesa da cozinha aprontando-se para mais uma partida de Dungeons & Dragons quando conhecemos um ser de outro planeta que veio para a Terra por acidente. Com seu dedo luminoso a criatura medonha esperava trazer um pouco de esperança e amor para nós, os pobres terráqueos. Munido de seus poderes advindos de sua pureza de espírito ele fez bicicletas voarem pelos céus, todavia, foi caçado por uma humanidade sedenta de conhecimento e apavorada com o desconhecido. Quando pequeno chorei com esse filme. Ok, ok, já entendi, está meio confuso, mas não preciso ficar aqui escrevendo linhas e mais linhas sobre E.T. O Extraterrestre (1982) de Steven Spielberg.

Vamos pular um pouco no mundo do cinema. Agora temos um filme em que grandes discos voadores capazes de cobrir a Lua chegam à Terra. Após consumirem todos os recursos de seu mundo natal, encontram no planeta azul uma imensa fonte de matéria-prima pronta para ser explorada. Gafanhotos. Alienígenas cabeçudos com grandes olhos negros (moda na década de 90), porém gafanhotos e com a política do “chegar-esmerilhando-só-por-esmerilhar”. Por fim, sobrevoam a Casa Branca estadunidense e com um raio de luz absurdamente potente destrói um dos maiores símbolos do poderio humano neste planeta ridículo. Independence Day (1996), hit infeliz de Roland Emmerich que trazia a união de todos os povos humanos (liderados pelos Estados Unidos, lógico, e com um presidente-Bill-Pullman-fanfarrão) contra uma ameaça alienígena. Típico, diria C3P0…

Tá bom, só para aumentar a polêmica aqui. Os alienígenas já estão aqui na Terra. Isso, há milhares de anos e hibernando sob a forma de um líquido negro viscoso e inteligente. Na década de 40, após a fatídica queda do Objeto Voador Não-Identificado em Roswell (EUA), os alienígenas teriam feito um pacto ou contrato com as potências mundiais para a colonização do planeta em 50 anos. Grandões, também de cabeças enormes e olhos pretos, viam na Terra uma fonte de recursos materiais e/ou talvez um posto avançado estratégico para a diplomacia interestelar. Que seja. Fatalista do começo ao fim, X-Files – Fight The Future (1998) nos mostrava como todo o “esquema” estava mais do que planejado e já implementado. A verdade está lá fora uma ova, estaria mesmo embaixo dos nossos narizes.

Outro filme agora, mais ETs. Fim da Terceira Guerra Mundial. A humanidade só não chegou à aniquilação total por pura sorte num lance de dados divino (se bem que, creio eu, nessa altura do campeonato, se Deus ou os deuses existem, eles já se cansaram e abandonaram esta humanidade torpe há muito tempo, provavelmente no primeiro dia em que o homem aprendeu a falar “mamãe”). Com o planeta devastado e poucos agrupamentos humanos sobrevivendo como animais em busca de comida, Zephram Cochrane decide inventar uma nova tecnologia aeroespacial para encher a cueca de dinheiro e descobre a Velocidade de Dobra. Impressionados com o nosso feito, chegam os pacíficos alienígenas vulcanos em busca de prosperidade com seus novos amiguinhos terrenos. Em Star Trek First Contact (1996) seria dado o pontapé para o futuro pacífico, clean, light e bonito de Gene Roddenberry. Fascinante, diria Spock.

Pois bem, cansei. Sou nerd, adoro filmes envolvendo a temática extraterrestre e de fato poderia ficar aqui por eras redigindo parágrafos bastante enfadonhos sobre todos já lançados. Nesta relação tivemos alienígenas motherf#ckers que chegam neste planeta com o único propósito de nos destruir (já informo os leitores que apóio veementemente esta idéia; aliás, só estou esperando pela chegada dos homenzinhos verdes) e os alienígenas bonzinhos que nos dão tecnologia, paz, prosperidade, amor e esperança. Ah, que bonito. Todavia, de uma forma ou de outra, falar sobre alienígenas acaba provocando (cutucando) todo mundo, não por questionar a crença na existência de vida fora da Terra, mas por questionar a nossa própria mediocridade em não reconhecer outras possibilidades que vão além do nosso próprio umbigo. Você ainda acha que quando falam de discos voadores é a sua crença ou não em vida em outros planetas que está em jogo? Se liga, és um grande imbecil… e egocêntrico ainda.

Então, como gosto de provocar (cutucar), falemos de alienígenas, falemos de District 9 (2009)! Eles já chegaram, já faz alguns anos. Vindos em uma imensa nave discóide, eles sobrevoaram Johanesburgo na África do Sul e lá pediram ajuda. Não estou mentindo, refugiados, os alienígenas pediram ajuda a nós terráqueos, em pleno palco do Apartheid. Com forma humanóide e chamados pejorativamente de “Camarões” (pejorativamente porque nenhum humano se incomodou em perguntar a qualquer um deles como se chamam), estes alienígenas se instalaram nos arredores da capital sul-africana, gerando assim inúmeros problemas sociais não previstos.

Num país com pobreza e discriminação mais do que conhecidas, quase 2 milhões de “camarões” competiriam cotidianamente com uma população sofrida em busca de comida, respeito e um mínimo de dignidade. Os assaltos e surtos de violência aumentam em todos os cantos da cidade, novas lideranças armadas surgem para combater as novas ameaças, um gueto chamado Distrito 9 é criado unicamente para alocar estes alienígenas pobres… Não é possível, faço a minha pergunta: como seres tão inteligentes a ponto de desenvolverem a viagem espacial conseguem escolher um planeta tão adequado para turismo ou asilo político?

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Para lidar com os alienígenas revoltosos e garantir assistência social à nova população vinda do espaço sideral é criada a Multi-National United, uma espécie de ONU com um grande exército de paz especializada no controle e estudo destas criaturas tão estranhas. Como forma de resolver o impasse dos inúmeros problemas sociais criados pela visitinha surpresa dos “Camarões” (“Prawns”), a MNU coloca nas mãos do agente Wikus van der Merwe (Sharlto Copley) a difícil missão de reassentar 1,8 milhão de alienígenas para até 240Km de Johanesburgo.

Celebrado e ovacionado como herói local, Merwe descobre como esta população alienígena jogada num gueto leva uma vida miserável e na política dos lobos, até ser atingido por uma estranha substância alienígena chamada no filme como “Fluido Negro”. Infectado pelo óleo extraterrestre, Merwe sofre uma longa transformação que une o seu DNA humano com o DNA prawn, tornando-se assim a maior novidade científica e a maior arma biológica já conhecida da Terra. Levado para um imenso laboratório de pesquisas nazistas à La Menguele com os alienígenas capturados, Merwe perde sua família e sua vida normal quando percebe o quanto o seu papel de “herói” da capital sul-africana é na verdade uma chaga da ganância e ambição humana.

Depois da trilogia O Senhor dos Anéis (2001, 2002, 2003) Peter Jackson nunca acertou tão em cheio. Ao lado de Philippa Boyens na produção, Jackson traz para o mundo do cinema uma forma incrivelmente inédita de contar histórias sobre alienígenas, agora trazendo a visão do outro lado. “Um outro lado” deveras sombrio de uma sociedade humana sem escrúpulos,  assombrada por fantasmas de um passado não muito distante. Dirigido por Neill Blomkamp, diferente da saga Jornada nas Estrelas, District 9 nos mostra de forma sublime como a humanidade estaria mais do que despreparada para lidar com o primeiro contato com  vida extra-terrestre. Ok. Mas o mais importante de tudo, o filme mostra como a humanidade está mais do que despreparada para lidar com… a própria humanidade!

Num mundo marcado pela constante destruição dos recursos naturais, discriminação desenfreada, genocídios e outras formas de extermínio com base em justificativas no mínimo duvidosas, District 9 nos dá um tapa na cara ao trazer novamente as mesmas inquietações sócio-políticas que fazemos com o fim de grandes guerras, do totalitarismo, do preconceito, etc. É aquela moral da história bastante divertida e motivo de vergonha alheia: de quê adianta condenarmos por exemplo o nazismo se somos capazes de fazer exatamente as mesmas coisas com os outros, porém com outros nomes e outras premissas tão igualmente frágeis? Os “Camarões” que o digam.

Finalizarei este artigo da pior maneira possível. Acabei de assistir District 9 e já o coloco na minha lista dos melhores filmes de ficção científica que já  vi nesta minha breve vida. Sendo também trekker, lanço a pergunta e o desafio a todos os leitores: o quê nós, humanos, aprendemos até agora? O quê descobrimos no meio do caminho que nos coloca como “a espécie mais inteligente” deste planeta que tanto detonamos diariamente, o quê encontramos de tão importante em nós mesmos que nos faz acreditar sermos os únicos (puros, belos e éticos) de toda a galáxia conhecida? Aos que ainda não pararam um único segundo para pensar nisso na vida, recomendo fortemente que vejam District 9 para que sintam vergonha do nosso legado humano assim como eu. Quem sabe só assim a gente pensa diferente daqui pra frente.

Victor Hugo, envergonhado


A Jornada em Quadrinhos

Relembrando os memoráveis momentos do antigo Sci-Fi Saturday no USA Network (hoje Universal Channel), todo sábado era dia de Star Trek, nossos adoráveis seriados de Jornada nas Estrelas. Bom, ainda o é aqui em casa, tanto eu quanto meu irmão somos trekkers convictos.

Como forma de trazer aqueles momentos de nostalgia teremos um artigo especial, escrito hoje por Pedro Kebbe sobre como o universo de Star Trek se desenvolveu no mundo dos quadrinhos. Ah sim, nós do Ao Sugo estamos indo onde ninguém jamais esteve…

Victor Hugo

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Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…

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Assim como em se tratando de blog, podcasting, twitter, facebook, orkut, multiply e afins eu ainda encontro uma grande resistência da minha parte quanto aos e-books e audiobooks. Em relação aos e-books eu já comentei a minha opinião brevemente em dois ou três oportunidades aqui no Ao Sugo, todavia, sempre que há outra chance, não posso desperdiçá-la (o blog é meu, oras!): apesar de economizarmos dinheiro e árvores ao comprarmos ou baixarmos e-books, ainda não sei se compensa  tanto esforço e economia se gastaremos provavelmente o dobro posteriormente com o oftalmologista. Os geeks que me perdoem por não conseguirem enxergar o mundo além dos computadores, mas enquanto não sabemos como melhorar essa tecnologia maldita de monitores e displays, não tem como não ficarmos cegos olhando para esta tela branca. (mais…)


Roupas invisíveis

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As indústrias de desenvolvimento tecnológico têm crescido. A cada dia, são criados robôs numa incessante busca à semelhança com os seres humanos. As pesquisas trazem, cada vez mais para perto, os delírios da imaginação da ficção científica, e torna mais evidente as possibilidades de criaturas que antes só poderiam povoar os nossos sonhos, as páginas de um livro ou então a película de um filme de ficção.

As criações do mundo em três dimensões pegam carona no avanço tecnológico, e a cada nova animação, jogo eletrônico ou efeito especial cinematográfico, a qualidade no detalhamento e texturização aumenta exponencialmente. Chega a ser, muitas vezes literalmente, assustador. Medonho. Na melhor das situações, esquisito. Sim, é isso mesmo.

Para não causar curto-circuito, convém falar sobre o “Vale da Estranheza”. O conceito foi cunhado pelo engenheiro em robótica japonês Masahiro Mori, em 1970, e consiste na hipótese de que, quando robôs ou outras criaturas, criadas artificialmente, atingem um grau de muita semelhança à aparência e ações humanas, causam automaticamente uma grande repulsa. A hipótese de Masahiro diz que, quanto mais humanizados tornam-se os robôs, melhor eles são recebidos pelos humanos, entretanto, em determinado ponto, esta empatia transforma-se em recusa.

Esta teoria abrange as criações de animações em três dimensões, tão comuns ultimamente, e os jogos eletrônicos, conseqüentemente. Estúdios de animação como a Pixar ou a Dreamworks, expoentes nos mercados de animação, já se deram conta disso: evitam personagens humanos e, quando utilizam, buscam um viés cartunesco, para não causar choque na empatia do público. A Square Soft, antiga Square Enix, renomada por seus jogos da série Final Fantasy, também já percebeu isto, principalmente por meio do lançamento de duas animações: Final Fantasy: Spirits Within, de 2001, e Final Fantasy VII: Advent Children, de 2004.

O fracasso do longa de 2001 deve-se a dois principais fatores: os personagens e a trama nada tinham a ver com nenhum dos games dos quais surrupiou o nome principal, que fazem tanto sucesso e transformaram a Square numa das maiores indústrias do ramo. Em segundo lugar, as pessoas que se envolveram na manufatura de Spirits Within buscaram um grau de detalhismo humano exagerado. Incomodou. Ao invés de impressionar, o público se preocupou em encontrar os problemas nos bonecos digitais. Esqueceram as semelhanças e se concentraram nas falhas, quaisquer que fossem. O mesmo aconteceu com A Lenda de Beowulf, lançado pela Warner Bros. em 2007: a equipe envolvida, inclusive atores, roteiristas e diretor, é boa, assim como o enredo, mas o filme não vingou.

Já o lançamento de 2004, Advent Children, foi proporcional e consideravelmente melhor recebido. Desta vez, a Square preocupou-se com os fãs, e ao invés de produzir um longa com um enredo mirabolante e desconexo, preferiu dar seqüência aos acontecimentos de um dos jogos mais bem sucedidos da franquia, primeiro deles lançado totalmente em 3D, o Final Fantasy VII. A textura dos cenários e personagens, assim como o nível de detalhes, melhorou, mas a Square foi esperta: manteve distintos evidentemente inumanos nos personagens; eles carregam espadas gigantescas, possuem elaborados penteados, lutam sobre motocicletas em movimento, saltam alturas absurdas, possuem poderes e até voam. Aliados, os fatores contribuíram para a aceitação do filme.

O tal “vale” é justamente a percepção indefinível, que causa a repugnância na reação humana quando um robô ou personagem de animação, no caso, fica muito parecido conosco. Ao ponto de incomodar. Argumenta-se que, quando esse robô ou personagem possui óbvias características não-humanas, passamos a nos concentrar nos distintivos humanos que ela tem, criando empatia. Se esta criatura não se distingüe facilmente de um humano, todavia, centramo-nos em suas evidências não-humanas. Outros falam na falta do “brilho dos olhos” ou ainda da própria alma. Seja como for, o resultado é o mesmo: a tal repulsa. É como ver um homem de peruca; você pode nem saber exatamente o quê, mas tem alguma coisa esquisita ali. Não natural.

Apesar de ter surgido no universo do avanço tecnológico em robótica, a teoria do “Vale da Estranheza” parece angariar preocupação no mundo do entretenimento, enquanto o mundo científico a esquece e deslumbra-se com qualquer superação que diga respeito à aproximação de homens e máquinas. Nâo que estejam errados, mas nunca é tarde para perceber, de repente, que o rei está nu.

Marcus Vinicius Pilleggi


Metropolis – メトロポリス

Metropolis

Chocado. Atordoado. Estarrecido, pasmo, é pouco. Assisti há pouco e com um atraso vergonhoso à animação japonesa Metropolis (メトロポリス) de 2001, baseado na obra de Osamu Tezuka que já contava, mesmo tendo sido escrito há mais de 50 anos, uma visão futurista da humanidade. O fã de ficção científica que adorou Blade Runner por sua visão extremamente destrutiva da sociedade do futuro ou mesmo o fã de animação (e nesta categoria incluo a produzida nos mais diversos países, desde “As Bicicletas de Belleville”, francês, até o próprio Metropolis aqui) com certeza já viu Metropolis, caso contrário, está perdendo tempo, meu filho. (mais…)


Redescobrindo a Ficção Científica

Dave McKean

Como vocês já devem ter percebido eu e o Marcus estamos investindo até demais em artigos sobre fantasia e contos de fadas. Porém não é sem razão: temos notado que a grande maioria dos visitantes do Ao Sugo, inclusive aqueles que nos encontram pelo Google têm nos procurado justamente por artigos referentes ao tema “fantasia”, gênero artístico muito apreciado por mim e pelo Marcus, evidentemente. (mais…)