A crítica que você possivelmente não entendeu

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Blogstock’99

Sociedade da Informação. Este é o nome desta situaçãozinha em que nos encontramos, que valoriza o saber e a informação como forma de acesso ao poder. É nessa sociedade que se verifica o estado das transformações midiáticas atuais, decorrentes, do grande avanço tecnológico nas técnicas de produção e reprodução de informações e na revolução da sociedade. É o início do surgimento daquela “nova mídia”, que traz uma interface bastante diferente da mídia tradicional, já que preza pela interatividade entre o produtor e o consumidor da informação. Isso aí garantiria certa liberdade do consumidor em escolher as informações que necessita ou prefere, que por sua vez precede uma noção de maior controle por parte do consumidor. Expande muito a gama de recursos disponíveis. Dizem.

Este ideário de edição própria se reflete na popular mídia da Internet, sendo um dos grandes fenômenos, sem dúvida, o blog, que é essencialmente uma espécie de diário eletrônico (a gente não, o Ao Sugo não é um diário). Inserido no ambiente supostamente democrático da internet, o blog se propõe a ser um espaço na grande massa informacional da rede para manifestação pessoal de alguma coisa. O que quer que a “coisa” seja. Podem ser crônicas, notícias ou simplesmente textos literários. Geralmente a qualidade do que você encontra é bastante questionável; poucos são como o Ao Sugo. Sendo de serviço gratuito e dependendo, em tese, apenas do autor (ou dono), o blog poderia ser considerado um meio de comunicação alternativa, mas em verdade acaba não sendo. Evidente que muitos blogs acabam se transformando em estandartes da contra-informação, mas a constante apropriação dos fenômenos contra-culturais pelos grandes conglomerados tem também engolido o fenômeno “blogueiro”.

Lembremos dum dos mais célebres eventos da contra-cultura do século XX, o Woodstock, de 1969. Ali se contestava a formalidade, a caretice e as convenções familiares ao som de Jimi Hendrix, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker e Janis Joplin, entre outros. Os jovens que ali se divertiam na chuva e na lama sob a premissa da paz e do amor, e protestavam em favor de sua ideologia através do rock n’ roll. Pois bem, passaram-se 30 anos até os valores consumistas se apossarem do nome Woodstock e promoverem uma nova edição em 1999, em nada parecido com o original, com sua lama artificial e garrafas d’água vendidas aos U$12, destinada a uma juventude alienada, sem valores, passiva e boçal que não tem ou não sabe do que reclamar. O resultado foi delicioso para o conservadorismo, que viu justificado o pré-conceito dos shows de rock através de um espetáculo pirotécnico de vandalismo.

A comunicação alternativa dos blogs, assim como a democracia da internet, é cada vez mais esmagada a partir de seu engolfamento pelos conglomerados midiáticos da Sociedade da Informação e da nova mídia. Evidentemente que ainda existem inúmeros exemplos dos blogs contra-informacionais, mas agências de notícias e empresas de mídia já adotaram e estão comprando, literalmente, os espaços supostamente pessoais e libertários dos blogs, alguns tendo até seus editores e escritores. Não que isso vá necessariamente comprometer o conteúdo do espaço em questão, mas chega a ser irônico que um artefato que inicialmente seria antitético pode acabar tombando ao domínio de outrem.

Não querendo ter uma visão pessimista dos destinos acerca dos blogs, mas assim como o Woodstock e o Rock n’ roll antes deles, estas ideologias estão sendo assimiladas e revendidas, como tantas outras. Mesmo como vender um espaço na rede para que se tenha seu “próprio espaço”, livre enquanto obedecer às normas e padrões pré-estabelecidos. O fenômeno dos blogs está se transformando no novo Woodstock, numa marca, num “Blogstock’99”.

Marcus Vinicius Pilleggi


Eita povo que não lê!

Livros

Dias atrás, caminhando por aqui encontrei um caminhão-baú com uma “frase de caminhoneiro” que me deixou perplexo por horas até entender realmente o que o cara queria dizer. Pois bem, estava escrito “Não sou o Silvio Santos mais vivo do baú”. Mais? O que ele quis dizer? Que ele além de não ser o Silvio, vivia do baú? Sem comentários, não vou insultar a inteligência do leitor aqui que abriu esse blog super iniciante.

Bom, continuando a minha divagação sobre os diários e blogs (hei, não vá pensando que eu vou ficar postando aqui toda hora, tenho mais coisa pra fazer também), hum, me surpreende a baixa taxa de leitura brasileira. Se na França eles lêem 6 livros por ano, o brasileiro lê meio livro por ano. Como assim, meio? Pois é, meio.

Não entendo como fazem, deve ser o “jeitinho brasileiro”, mas como alguém lê meio livro? Você pega um livro, inicia a leitura, conhece os personagens principais a parte mais excitante da trama e simplesmente pára por aí, fecha o livro e vai ver BBB ou futebol? Ou então você pula os capítulos iniciais, lê do meio até o fim? Meu deus, será que a situação social brasileira é tão punk que as pessoas só conseguem comprar ou alugar meio livro então? Vai entender… Há poucos dias o Kajuru esteve na minha cidade autografando o livro dele, vendido por R$ 1,00, com uma fila enorme e interminável… Louvável, admirável, ficaria bastante feliz se no mínimo 70% do pessoal daquela fila terminasse de ler o livro então.

Por incrível que pareça, o povo da internet é quase privilegiado… mas não muito. Aqui não tem jeito, você tem que ler, isso que é o tal de “navegar” pela web lendo tanta coisa inútil como este texto. Se o povo aqui fica limitado a ver sites em português, tristeza, tragédia. A própria palavra, “internet”, já é estrangeira, como assim não ler em inglês, ainda mais quem usa a internet? Mas isto tudo é outra questão… quem tá aqui na internet lendo isto provavelmente faz parte de uma camada muito pequena da população capaz de ter um micro computador).

Voltando ao foco, bem, povo, vamos fazer um esforcinho vai. Eu particularmente tenho problemas com livros como “O Segredo”, auto-ajuda, etc, mas já que o povo só lê MEIO livro, então ok, tá liberado. Ainda existe toda uma discussão sobre o preço dos livros em si, que, no Brasil, realmente, são caros. No entanto, as bibliotecas estão por aí. E quem é mais ousado (mas não vá pensando que é mais esperto), hum, existem os e-books, que você baixa para ler no micro e fica cego depois que terminou, mas, hum, pelo menos você vai poder dizer que leu, não é? Então esse é nosso trato, leia, rs. Se você já leu mais de meio livro por ano, ficaria feliz se postasse aqui um comentário dizendo o que andou lendo. Importante, né?

Victor Hugo